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Manchester City encontra em Enzo Fernández um perfil que fez falta contra o Arsenal

O Manchester City começou a temporada com um alerta que Enzo Maresca certamente não gostaria de receber tão cedo. A derrota por 3 a 0 para o Arsenal no Community Shield expôs problemas que já eram conhecidos durante a pré-temporada, mas que ficaram muito mais evidentes quando a bola começou a valer alguma coisa.

O principal deles está no meio-campo.

A saída de Rodri para o Barcelona e a despedida de Bernardo Silva deixaram um buraco difícil de preencher, não apenas pela qualidade técnica dos dois jogadores, mas também pela personalidade que eles levavam para dentro de campo. Contra o Arsenal, o Manchester City sentiu justamente a falta de jogadores capazes de controlar o ritmo, assumir responsabilidade e mudar a dinâmica da partida quando as coisas começam a sair do roteiro.

E é nesse contexto que o interesse em Enzo Fernández começa a fazer bastante sentido.

O argentino é um jogador que divide opiniões, inclusive entre os próprios torcedores do Chelsea. Seu comportamento dentro e fora de campo já gerou discussões suficientes para preencher alguns programas esportivos. Mas, deixando as polêmicas de lado por alguns minutos, existe uma razão futebolística bastante clara para o Manchester City continuar interessado no meio-campista.

Ele oferece características que o atual elenco simplesmente não possui na mesma combinação.

Manchester City sente a ausência de Rodri e Bernardo Silva

Substituir Rodri nunca seria uma tarefa simples.

O espanhol não era apenas o volante responsável por proteger a defesa e iniciar as jogadas. Ele também funcionava como uma espécie de cérebro do Manchester City em momentos importantes. Sabia quando acelerar, quando diminuir o ritmo e, principalmente, como manter o controle de uma partida mesmo sob pressão.

Bernardo Silva exercia outro tipo de liderança, mas era igualmente importante.

O português conseguia atuar em diferentes posições, pressionava os adversários, ajudava na construção e tinha uma capacidade impressionante de aparecer nos momentos em que o time precisava de alguém para assumir o jogo.

Os dois saíram. E agora Enzo Maresca precisa construir praticamente um novo meio-campo.

Mateo Kovacic oferece experiência, mas suas características não são exatamente as mesmas de Rodri ou Bernardo. Elliot Anderson chegou recentemente e ainda precisa de tempo para entender completamente o funcionamento de uma equipe com as exigências do Manchester City.

Phil Foden tem qualidade suficiente para ser uma referência, mas ainda precisa reencontrar sua melhor versão para assumir uma posição de liderança.

Nico González, por sua vez, continua tentando se firmar entre os titulares. Ou seja, existe talento. O que ainda falta é uma identidade.

Derrota para o Arsenal mostrou exatamente esse problema

O 3 a 0 sofrido diante do Arsenal não pode ser explicado apenas pela ausência de um jogador.

O problema foi coletivo. O meio-campo do Manchester City teve dificuldades para controlar a partida e não conseguiu oferecer a mesma segurança que marcou a equipe durante os melhores anos da era Pep Guardiola.

O Arsenal soube explorar esses espaços e mostrou que o time de Maresca ainda está em processo de reconstrução.

Elliot Anderson tem potencial para se transformar em uma peça muito importante, mas não seria justo exigir que ele assumisse imediatamente o papel de Rodri.

Da mesma forma, esperar que Kovacic simplesmente copie o que Bernardo Silva fazia não seria realista. O Manchester City precisa encontrar uma nova fórmula. E Enzo Fernández pode ser parte dela.

Enzo Fernández oferece a personalidade que o City perdeu

É justamente aqui que o argentino se torna interessante. Enzo Fernández não é Rodri. Também não é Bernardo Silva. E talvez esse seja o ponto mais importante.

O Manchester City não precisa necessariamente encontrar um clone dos jogadores que deixaram o clube. Precisa montar um meio-campo com características diferentes, mas que consiga recuperar algumas das virtudes perdidas.

Enzo pode contribuir nesse sentido.

O argentino possui qualidade técnica para participar da construção das jogadas, visão para encontrar passes verticais e capacidade de atuar em diferentes alturas do campo. Mas existe outra característica que pode ser ainda mais importante: sua disposição para entrar em disputas físicas.

Quando a partida exige mais intensidade, Enzo não costuma fugir da briga.

Ele chega forte nos desarmes, disputa espaços e não parece se incomodar com um pouco de confusão no meio-campo. Em um time que perdeu Rodri e Bernardo, esse tipo de personalidade pode ser especialmente valioso.

É o famoso jogador que incomoda. Talvez não seja a descrição mais sofisticada do mundo, mas futebol também precisa disso.

Argentino também já conhece a responsabilidade de ser líder

Outro ponto pesa a favor de Enzo Fernández. O meio-campista já assumiu a braçadeira de capitão do Chelsea e conviveu com a responsabilidade de liderar uma equipe de alto nível.

Isso não significa que ele chegaria ao Manchester City e automaticamente se tornaria o novo líder do elenco. O vestiário possui suas próprias hierarquias e seria necessário conquistar esse espaço. Mas a experiência ajuda.

O atual Manchester City precisa justamente de jogadores que não desapareçam quando o jogo fica complicado. Rodri tinha essa característica. Bernardo também. Enzo pode oferecer algo parecido, ainda que de uma maneira completamente diferente.

Além disso, sua experiência internacional com a seleção argentina acrescenta outro elemento importante. O jogador já esteve envolvido em partidas de enorme pressão e conquistou títulos relevantes com sua seleção.

Para um elenco que passa por uma transformação, ter jogadores acostumados a lidar com cobrança pode fazer diferença.

Polêmicas não desapareceriam em Manchester

É impossível falar de Enzo Fernández sem mencionar seu lado mais controverso.

O argentino já esteve envolvido em episódios que provocaram críticas dentro e fora do futebol. Seu comportamento em determinadas situações também gerou resistência entre torcedores.

Por isso, uma eventual contratação pelo Manchester City certamente seria acompanhada de questionamentos.

Parte da torcida poderia não receber a chegada do jogador com entusiasmo. Mas existe uma diferença entre não gostar de um atleta e reconhecer que ele pode ser útil para determinada equipe. E é exatamente esse o caso.

Se o Manchester City decidir avançar por Enzo, a escolha não será baseada em popularidade. Será uma decisão esportiva.

Maresca precisa de um meio-campista capaz de oferecer técnica, intensidade, personalidade e liderança. Enzo reúne essas características em um nível que poucos jogadores disponíveis no mercado conseguem entregar.

Manchester City precisa montar um novo meio-campo

A questão mais importante é entender que Enzo Fernández, sozinho, não resolveria todos os problemas do Manchester City.

Seria impossível substituir Rodri e Bernardo Silva com apenas uma contratação. A tendência é que Maresca precise combinar diferentes perfis.

Elliot Anderson pode assumir uma função importante na construção do novo setor. Ayyoub Bouaddi surge como outra alternativa de futuro, enquanto Enzo Fernández poderia acrescentar experiência e personalidade imediatamente.

Essa combinação faria muito mais sentido do que simplesmente procurar um jogador capaz de fazer tudo que Rodri fazia.

O futebol mudou, e o Manchester City também precisa mudar.

Durante anos, a equipe teve um dos melhores meio-campos do planeta. Agora, a saída de dois de seus principais líderes obriga o clube a encontrar uma nova identidade.

Enzo Fernández pode ser exatamente o jogador que falta

Ainda existe um longo caminho até que qualquer negociação seja concretizada, mas o interesse do Manchester City em Enzo Fernández é fácil de entender quando analisamos o problema pelo lado esportivo.

Ele não substituiria Rodri. Não substituiria Bernardo Silva. Mas poderia ajudar o Manchester City a deixar de procurar substitutos e começar a construir algo novo.

Contra o Arsenal, ficou evidente que o time precisa de mais personalidade no meio-campo. Precisa de jogadores que assumam a responsabilidade, disputem cada bola e consigam elevar o nível técnico quando a partida exige.

Enzo Fernández oferece exatamente esse pacote.

Pode não ser o nome mais popular entre os torcedores. Pode até ser aquele jogador que você ama quando está no seu time e detesta quando aparece do outro lado. Mas talvez seja justamente esse tipo de jogador que o Manchester City esteja precisando neste momento.

Porque depois de perder Rodri e Bernardo, talento não é o único ingrediente que falta no meio-campo. O time também precisa de personalidade. E, gostem ou não, Enzo Fernández tem personalidade de sobra.

Foto: Chris Lee/Chelsea FC/Getty Images