O Manchester City começa a temporada 2026/27 diante de uma realidade completamente diferente daquela que marcou os últimos anos. Depois de uma década sob o comando de Pep Guardiola, o clube precisará construir uma nova identidade com Enzo Maresca no comando e sem algumas das principais referências de seu ciclo mais vitorioso.
A saída de Guardiola, a transferência de Rodri para o Barcelona e a reformulação do meio-campo representam mudanças profundas em uma equipe que durante anos conseguiu estabelecer um padrão de domínio no futebol inglês. Ao mesmo tempo, Erling Haaland continua como a principal referência ofensiva e terá a responsabilidade de liderar um ataque que precisa encontrar novos protagonistas.
Maresca chega ao Etihad com a missão de manter o City entre os candidatos aos principais títulos, mas terá que responder a cinco questões importantes ao longo da temporada.
Enzo Maresca conseguirá substituir Pep Guardiola?

O primeiro desafio é naturalmente relacionado ao treinador. Substituir Guardiola seria uma tarefa complicada para qualquer profissional.
Durante sua passagem pelo Manchester City, o espanhol construiu uma das equipes mais dominantes da história recente do futebol. Por isso, Maresca não terá apenas que ganhar jogos. Ele precisará criar uma nova identidade sem permitir que o clube perca a competitividade construída durante anos.
O italiano conhece muito bem o ambiente. Antes de assumir trabalhos como treinador principal, trabalhou como auxiliar de Guardiola no Manchester City. Depois, passou pelo Parma e comandou o Leicester City na conquista do Championship.
A boa campanha fez o Chelsea apostar no treinador. Em aproximadamente 18 meses em Stamford Bridge, Maresca conquistou a UEFA Conference League e a FIFA Club World Cup.
Seu desempenho geral também foi positivo, com 55 vitórias em 92 partidas pelo Chelsea em todas as competições, uma taxa de 60%. Na Premier League, entretanto, seu aproveitamento foi de 49%.
No City, a expectativa será maior. O treinador terá um elenco mais qualificado e jogadores como Erling Haaland, que podem facilitar seu trabalho.
A situação de Maresca também mostra que substituir um treinador lendário não significa necessariamente fracassar. Arne Slot, por exemplo, conseguiu conquistar a Premier League em sua primeira temporada depois de assumir o Liverpool no lugar de Jurgen Klopp.
Maresca terá que provar que pode fazer algo semelhante.
Maresca terá que provar que pode fazer algo semelhante.

Se substituir Guardiola já seria difícil, perder Rodri ao mesmo tempo aumenta ainda mais o tamanho da reformulação.
O espanhol foi uma das peças mais importantes do Manchester City nos últimos anos. Sua função ia muito além de recuperar bolas. Rodri controlava o ritmo das partidas, ajudava a equipe a manter a posse e dava equilíbrio para que os jogadores ofensivos pudessem atacar.
Os números mostram a diferença que ele fazia.
Desde sua chegada ao City, em 2019, Rodri disputou 298 partidas pelo clube em todas as competições. A equipe venceu 213 delas, um aproveitamento de 71,5%.
Nas 122 partidas em que o espanhol não esteve disponível, o City venceu 76, uma taxa de 62,3%.
A diferença fica ainda mais clara quando analisamos as derrotas. Com Rodri em campo, o City perdeu apenas 12,1% dos jogos. Sem ele, a taxa de derrotas subiu para 26,2%.
Na Premier League, o cenário foi ainda mais impressionante. O City perdeu somente 22 dos 196 jogos em que Rodri atuou, equivalente a 11,2%.
Quando ele não jogou, foram 19 derrotas em 70 partidas, ou 27,2%.
Isso mostra por que encontrar um substituto para Rodri não significa simplesmente contratar outro meio-campista.
O City precisa encontrar um jogador capaz de oferecer controle, força defensiva e qualidade na construção.
Elliot Anderson foi contratado por £116 milhões justamente com características que chamaram atenção. Na última temporada, ele recuperou a posse de bola 306 vezes na Premier League. Nenhum outro jogador das cinco principais ligas europeias chegou a 212 nesse quesito.
Ainda assim, substituir Rodri será um dos maiores desafios de Maresca.
Foden pode voltar a ser protagonista?

Phil Foden é outro jogador que precisa recuperar seu melhor futebol.
A temporada passada
foi completamente diferente para o inglês. Ao todo, foram 10 gols e sete assistências em 50 partidas.
O problema é que Foden não marcou depois de 14 de dezembro de 2025. Nos últimos 29 jogos da temporada, terminou sem balançar as redes e conseguiu apenas três assistências.
A queda foi enorme quando comparada à temporada 2023/24.
Naquele período, Foden participou diretamente de 39 gols em 53 partidas, com 27 gols e 12 assistências.
A mudança de treinador pode ser importante para tentar recuperar esse jogador.
Maresca já mostrou no Chelsea que sabe trabalhar com meio-campistas ofensivos talentosos. Cole Palmer, outro jogador formado pelo Manchester City, teve 35 participações em gols sob o comando do italiano, com 22 gols e 13 assistências em 62 partidas.
Se Foden conseguir apresentar uma produção próxima daquela que teve em 2023/24, o City ganhará uma arma ofensiva muito importante.
Com a saída de Rodri e a reformulação do meio-campo, a criatividade de Foden também poderá ser necessária para diminuir a dependência de Haaland.
Quem vai reconstruir o meio-campo do Manchester City?

O meio-campo talvez seja o setor que mais sofreu mudanças.
Não faz muito tempo que o City contava com Kevin De Bruyne, Rodri e Bernardo Silva como principais referências. Agora, os três já deixaram o clube.
Tijjani Reijnders, que teve um bom início na última temporada, também pode deixar Manchester. Nico González, contratado com a expectativa de ser uma alternativa para Rodri, também aparece em especulações sobre uma possível saída.
Por isso, a contratação de Elliot Anderson foi tão importante.
O inglês chegou por £116 milhões e possui características que podem se encaixar no novo modelo. Sua capacidade de recuperar a bola chama atenção, mas ele ainda precisará mostrar que consegue assumir a responsabilidade em uma equipe que pretende disputar títulos.
Outro nome que pode chegar é Ayyoub Bouaddi. O jovem meio-campista impressionou pelo Marrocos na Copa do Mundo e é considerado uma das principais promessas para a posição.
O City também avaliou Enzo Fernández, mas o Chelsea teria colocado um preço de £120 milhões no argentino.
A reconstrução do meio-campo não será apenas uma questão de encontrar bons jogadores. Maresca terá que encontrar uma combinação capaz de reproduzir parte do equilíbrio que existia com Rodri, De Bruyne e Bernardo Silva.
Se essa adaptação demorar, o City pode perder pontos importantes no início da temporada.
Haaland terá jogadores suficientes para ajudá-lo?

Erling Haaland continua sendo a principal arma ofensiva do Manchester City.
O norueguês marcou 38 gols em todas as competições na última temporada e conquistou sua terceira Chuteira de Ouro da Premier League, com 27 gols.
Apenas Alan Shearer e Mohamed Salah possuem mais prêmios individuais desse tipo, com quatro cada.
O problema está no restante do ataque.
Antoine Semenyo foi o segundo maior artilheiro do City na temporada passada, com 11 gols, mas chegou ao clube somente em janeiro. Foden e Rayan Cherki fizeram 10 cada, enquanto Omar Marmoush e Jérémy Doku marcaram oito. Savinho terminou com quatro.
A diferença entre Haaland e os companheiros é significativa.
Durante a temporada da tríplice coroa, em 2022/23, Haaland marcou 35 gols a mais do que qualquer companheiro. Porém, naquele time, Julián Alvarez, Riyad Mahrez e Foden também chegaram a pelo menos 15 gols.
Esse equilíbrio fez diferença.
Maresca certamente continuará utilizando Haaland como principal referência, mas o City precisa evitar uma dependência excessiva do norueguês.
Mesmo os melhores atacantes do mundo têm partidas em que não conseguem marcar. Quando isso acontecer, jogadores como Foden, Cherki, Marmoush, Doku e os demais terão que assumir maior responsabilidade.
A temporada 2026/27 será, portanto, uma das mais importantes da história recente do Manchester City. Pela primeira vez em uma década, o clube precisará descobrir como competir sem Guardiola e sem Rodri.
Maresca terá que reconstruir o meio-campo, recuperar Foden, encontrar alternativas para ajudar Haaland e, principalmente, manter uma equipe acostumada a vencer no mais alto nível.
O City ainda possui qualidade suficiente para disputar títulos, mas a margem para erros diminuiu. Depois de anos de estabilidade, o clube entra em um período de transformação.
O grande desafio será fazer com que essa transformação não signifique uma queda de competitividade.
(Foto de capa: SKY SPORTS)


