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Manchester City inicia uma nova era com cinco grandes desafios para 2026/27

O Manchester City começa a temporada 2026/27 diante de uma realidade completamente diferente daquela que marcou os últimos anos. Depois de uma década sob o comando de Pep Guardiola, o clube precisará construir uma nova identidade com Enzo Maresca no comando e sem algumas das principais referências de seu ciclo mais vitorioso.

A saída de Guardiola, a transferência de Rodri para o Barcelona e a reformulação do meio-campo representam mudanças profundas em uma equipe que durante anos conseguiu estabelecer um padrão de domínio no futebol inglês. Ao mesmo tempo, Erling Haaland continua como a principal referência ofensiva e terá a responsabilidade de liderar um ataque que precisa encontrar novos protagonistas.

Maresca chega ao Etihad com a missão de manter o City entre os candidatos aos principais títulos, mas terá que responder a cinco questões importantes ao longo da temporada.

Enzo Maresca conseguirá substituir Pep Guardiola?

Manchester City - Pep Guardiola e Enzo Maresca
Foto: Jason Cairnduff/Action Images/Reuters

O primeiro desafio é naturalmente relacionado ao treinador. Substituir Guardiola seria uma tarefa complicada para qualquer profissional.

Durante sua passagem pelo Manchester City, o espanhol construiu uma das equipes mais dominantes da história recente do futebol. Por isso, Maresca não terá apenas que ganhar jogos. Ele precisará criar uma nova identidade sem permitir que o clube perca a competitividade construída durante anos.

O italiano conhece muito bem o ambiente. Antes de assumir trabalhos como treinador principal, trabalhou como auxiliar de Guardiola no Manchester City. Depois, passou pelo Parma e comandou o Leicester City na conquista do Championship.

A boa campanha fez o Chelsea apostar no treinador. Em aproximadamente 18 meses em Stamford Bridge, Maresca conquistou a UEFA Conference League e a FIFA Club World Cup.

Seu desempenho geral também foi positivo, com 55 vitórias em 92 partidas pelo Chelsea em todas as competições, uma taxa de 60%. Na Premier League, entretanto, seu aproveitamento foi de 49%.

No City, a expectativa será maior. O treinador terá um elenco mais qualificado e jogadores como Erling Haaland, que podem facilitar seu trabalho.

A situação de Maresca também mostra que substituir um treinador lendário não significa necessariamente fracassar. Arne Slot, por exemplo, conseguiu conquistar a Premier League em sua primeira temporada depois de assumir o Liverpool no lugar de Jurgen Klopp.

Maresca terá que provar que pode fazer algo semelhante.

Maresca terá que provar que pode fazer algo semelhante.

Enzo Maresca, Manchester City. Foto: Glyn Kirk/AFP via Getty Images.
Enzo Maresca, Manchester City. Foto: Glyn Kirk/AFP via Getty Images.

Se substituir Guardiola já seria difícil, perder Rodri ao mesmo tempo aumenta ainda mais o tamanho da reformulação.

O espanhol foi uma das peças mais importantes do Manchester City nos últimos anos. Sua função ia muito além de recuperar bolas. Rodri controlava o ritmo das partidas, ajudava a equipe a manter a posse e dava equilíbrio para que os jogadores ofensivos pudessem atacar.

Os números mostram a diferença que ele fazia.

Desde sua chegada ao City, em 2019, Rodri disputou 298 partidas pelo clube em todas as competições. A equipe venceu 213 delas, um aproveitamento de 71,5%.

Nas 122 partidas em que o espanhol não esteve disponível, o City venceu 76, uma taxa de 62,3%.

A diferença fica ainda mais clara quando analisamos as derrotas. Com Rodri em campo, o City perdeu apenas 12,1% dos jogos. Sem ele, a taxa de derrotas subiu para 26,2%.

Na Premier League, o cenário foi ainda mais impressionante. O City perdeu somente 22 dos 196 jogos em que Rodri atuou, equivalente a 11,2%.

Quando ele não jogou, foram 19 derrotas em 70 partidas, ou 27,2%.

Isso mostra por que encontrar um substituto para Rodri não significa simplesmente contratar outro meio-campista.

O City precisa encontrar um jogador capaz de oferecer controle, força defensiva e qualidade na construção.

Elliot Anderson foi contratado por £116 milhões justamente com características que chamaram atenção. Na última temporada, ele recuperou a posse de bola 306 vezes na Premier League. Nenhum outro jogador das cinco principais ligas europeias chegou a 212 nesse quesito.

Ainda assim, substituir Rodri será um dos maiores desafios de Maresca.

Foden pode voltar a ser protagonista?

Phil Foden fora Copa do Mundo
Foto: Ed Sykes/Sportsphoto

Phil Foden é outro jogador que precisa recuperar seu melhor futebol.

A temporada passada
foi completamente diferente para o inglês. Ao todo, foram 10 gols e sete assistências em 50 partidas.

O problema é que Foden não marcou depois de 14 de dezembro de 2025. Nos últimos 29 jogos da temporada, terminou sem balançar as redes e conseguiu apenas três assistências.

A queda foi enorme quando comparada à temporada 2023/24.

Naquele período, Foden participou diretamente de 39 gols em 53 partidas, com 27 gols e 12 assistências.

A mudança de treinador pode ser importante para tentar recuperar esse jogador.

Maresca já mostrou no Chelsea que sabe trabalhar com meio-campistas ofensivos talentosos. Cole Palmer, outro jogador formado pelo Manchester City, teve 35 participações em gols sob o comando do italiano, com 22 gols e 13 assistências em 62 partidas.

Se Foden conseguir apresentar uma produção próxima daquela que teve em 2023/24, o City ganhará uma arma ofensiva muito importante.

Com a saída de Rodri e a reformulação do meio-campo, a criatividade de Foden também poderá ser necessária para diminuir a dependência de Haaland.

Quem vai reconstruir o meio-campo do Manchester City?

elliot anderson city mercado
Foto: Manchester City/Divulgação

O meio-campo talvez seja o setor que mais sofreu mudanças.

Não faz muito tempo que o City contava com Kevin De Bruyne, Rodri e Bernardo Silva como principais referências. Agora, os três já deixaram o clube.

Tijjani Reijnders, que teve um bom início na última temporada, também pode deixar Manchester. Nico González, contratado com a expectativa de ser uma alternativa para Rodri, também aparece em especulações sobre uma possível saída.

Por isso, a contratação de Elliot Anderson foi tão importante.

O inglês chegou por £116 milhões e possui características que podem se encaixar no novo modelo. Sua capacidade de recuperar a bola chama atenção, mas ele ainda precisará mostrar que consegue assumir a responsabilidade em uma equipe que pretende disputar títulos.

Outro nome que pode chegar é Ayyoub Bouaddi. O jovem meio-campista impressionou pelo Marrocos na Copa do Mundo e é considerado uma das principais promessas para a posição.

O City também avaliou Enzo Fernández, mas o Chelsea teria colocado um preço de £120 milhões no argentino.

A reconstrução do meio-campo não será apenas uma questão de encontrar bons jogadores. Maresca terá que encontrar uma combinação capaz de reproduzir parte do equilíbrio que existia com Rodri, De Bruyne e Bernardo Silva.

Se essa adaptação demorar, o City pode perder pontos importantes no início da temporada.

Haaland terá jogadores suficientes para ajudá-lo?

Haaland City, Gols, Real Madrid
Foto: Michael Regan/Getty Images

Erling Haaland continua sendo a principal arma ofensiva do Manchester City.

O norueguês marcou 38 gols em todas as competições na última temporada e conquistou sua terceira Chuteira de Ouro da Premier League, com 27 gols.

Apenas Alan Shearer e Mohamed Salah possuem mais prêmios individuais desse tipo, com quatro cada.

O problema está no restante do ataque.

Antoine Semenyo foi o segundo maior artilheiro do City na temporada passada, com 11 gols, mas chegou ao clube somente em janeiro. Foden e Rayan Cherki fizeram 10 cada, enquanto Omar Marmoush e Jérémy Doku marcaram oito. Savinho terminou com quatro.

A diferença entre Haaland e os companheiros é significativa.

Durante a temporada da tríplice coroa, em 2022/23, Haaland marcou 35 gols a mais do que qualquer companheiro. Porém, naquele time, Julián Alvarez, Riyad Mahrez e Foden também chegaram a pelo menos 15 gols.

Esse equilíbrio fez diferença.

Maresca certamente continuará utilizando Haaland como principal referência, mas o City precisa evitar uma dependência excessiva do norueguês.

Mesmo os melhores atacantes do mundo têm partidas em que não conseguem marcar. Quando isso acontecer, jogadores como Foden, Cherki, Marmoush, Doku e os demais terão que assumir maior responsabilidade.

A temporada 2026/27 será, portanto, uma das mais importantes da história recente do Manchester City. Pela primeira vez em uma década, o clube precisará descobrir como competir sem Guardiola e sem Rodri.

Maresca terá que reconstruir o meio-campo, recuperar Foden, encontrar alternativas para ajudar Haaland e, principalmente, manter uma equipe acostumada a vencer no mais alto nível.

O City ainda possui qualidade suficiente para disputar títulos, mas a margem para erros diminuiu. Depois de anos de estabilidade, o clube entra em um período de transformação.

O grande desafio será fazer com que essa transformação não signifique uma queda de competitividade.

(Foto de capa: SKY SPORTS)

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Kaique