O Internacional conseguiu evoluir em um setor importante com Paulo Pezzolano: a defesa. O time ficou mais organizado, reduziu os espaços e passou a competir melhor sem a bola. O problema é que a melhora defensiva não veio acompanhada de uma resposta no ataque.
Hoje, o Inter tem dificuldade para criar e, consequentemente, para fazer gols.
O 0 a 0 com o Grêmio, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, expôs isso mais uma vez. O Colorado terminou com 15 finalizações e 51% de posse, foi superior no segundo tempo e passou boa parte da etapa final no campo de ataque. Mesmo assim, não criou o suficiente para transformar o domínio em vantagem.
E aqui está o principal ponto: não parece ser apenas uma questão de pontaria. Falta repertório.
Intensidade não substitui criatividade
Pezzolano começou o Gre-Nal sem Bruno Henrique e Alan Patrick, dois dos jogadores mais técnicos do elenco. A escolha por Paulinho e Calebe buscava mais intensidade, mas o Inter teve dificuldades para construir.
Vitinho começou como centroavante, Carbonero pela esquerda e Bernabei pela direita. O trio se movimentou, mas pouco conseguiu combinar. Vitinho encontrou dificuldades no confronto físico com a defesa gremista e o time passou longos períodos sem conseguir levar a bola em condições favoráveis ao último terço.
No intervalo, Bruno Henrique entrou. Depois, Alan Patrick também foi acionado. O cenário melhorou: o Inter passou a circular melhor, teve mais controle e Vitinho começou a explorar as costas da defesa.
Ainda assim, a produção continuou abaixo do necessário. Isso mostra que o problema não está simplesmente em escolher os jogadores mais criativos. O Inter precisa de mecanismos para aproximá-los, criar superioridades e fazer a bola chegar mais vezes em zonas perigosas.
Essa é a próxima missão de Pezzolano.
Os números já deixaram de ser coincidência
O momento ofensivo preocupa porque não se resume ao Gre-Nal. O Inter saiu zerado nos dois últimos jogos e marcou apenas dois gols nas últimas cinco partidas, período em que não venceu. Nos últimos 11 compromissos, conseguiu apenas uma vitória, além de cinco derrotas e cinco empates.
No Brasileirão, o problema aparece também na tabela de artilharia. O Colorado marcou 24 gols em 24 rodadas, número que coloca a equipe entre os cinco piores ataques da competição, ao lado de Chapecoense, Grêmio e Vasco. Apenas o Vitória, com 23, balançou menos as redes.
O reflexo é inevitável na classificação. O Inter é apenas o 16º colocado, com 25 pontos, um acima do Mirassol, que abre a zona de rebaixamento. Além disso, antes de voltar a pensar na Copa do Brasil, o Colorado terá justamente a obrigação de reagir no campeonato. No domingo (30), às 19h30, visita o Bahia, na Arena Fonte Nova, pela 25ª rodada.
É uma partida que vale mais do que os três pontos. Uma boa atuação ofensiva pode devolver confiança a um time que vem transformando praticamente toda partida em um jogo de margem mínima.
Sanabria chega como alternativa, não como salvador
É nesse cenário que Antonio Sanabria aparece como uma das principais esperanças. O paraguaio foi contratado recentemente e estreou no segundo tempo do Gre-Nal. Teve pouco tempo para participar do jogo, mas já ofereceu uma referência diferente na frente e protagonizou disputas físicas com Kannemann.
Pezzolano afirmou depois da partida que o atacante ainda precisa melhorar a condição física. Diante deste cenário, ele pode pintar como titular no jogo da volta.
Sanabria pode ajudar a resolver uma carência evidente: presença na área. Mas seria um erro colocar sobre ele a responsabilidade de solucionar sozinho o problema ofensivo. Se o time não criar, o centroavante continuará dependente de cruzamentos, bolas longas e jogadas individuais.
Niclas Eliasson, outro reforço para o setor ofensivo, também estreou nos acréscimos do clássico. A chegada dos dois aumenta as possibilidades do treinador, mas não substitui a necessidade de evolução coletiva.
O Inter precisa encontrar equilíbrio
A escolha de Pezzolano por uma equipe mais intensa no início do Gre-Nal ilustra bem o desafio atual. O treinador conseguiu tornar o Inter mais seguro defensivamente, mas agora precisa recuperar a criatividade sem desmontar essa estrutura. Alan Patrick, Bruno Henrique e os novos reforços podem aumentar o repertório, desde que estejam inseridos em uma equipe capaz de produzir mais do que posse e ocupação do campo ofensivo.
O Inter já mostrou que consegue chegar. O que ainda falta é transformar essas chegadas em situações realmente perigosas. Isso será ainda mais importante contra o Grêmio na próxima quinta-feira (3), na Arena. Depois do 0 a 0 no Beira-Rio, o Colorado precisará encontrar o gol para avançar sem depender das penalidades — e enfrentar um adversário que, desta vez, terá a obrigação de propor mais.
Antes disso, porém, existe o Bahia. O Inter não pode escolher qual problema resolver primeiro. Precisa pontuar no Brasileirão e recuperar confiança, enquanto Pezzolano tenta construir uma equipe capaz de atacar melhor.
A defesa já deu sinais de evolução. Agora, o Inter precisa fazer o mesmo com a bola no pé.
Foto: Divulgação/Internacional



