O Santos entrou em um trecho da temporada em que não terá tempo para esperar uma reação.
O Peixe ocupa atualmente a 14ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 26 pontos, apenas dois acima do Mirassol, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Grêmio e Internacional também estão logo atrás. A parte de baixo da tabela está embolada, e uma sequência ruim pode mudar rapidamente o cenário.
O problema é que justamente agora o calendário fica mais pesado. A partir de domingo (30), quando visita o Corinthians pelo Brasileirão, o Santos terá uma sequência de partidas que pode definir boa parte do rumo da temporada. Depois, recebe o Palmeiras pela Copa do Brasil, visita o Internacional pelo campeonato e encara o Atlético-MG duas vezes pela Sul-Americana, além de receber o Cruzeiro pelo Brasileiro.
E não termina aí.
Próximos jogos do Santos
| Data | Jogo | Competição | Horário |
|---|---|---|---|
| 30/08 | Corinthians x Santos | Brasileirão | 16h |
| 02/09 | Santos x Palmeiras | Copa do Brasil | 21h30 |
| 06/09 | Internacional x Santos | Brasileirão | 16h |
| 09/09 | Santos x Atlético-MG | Sul-Americana | 19h |
| 13/09 | Santos x Cruzeiro | Brasileirão | a confirmar |
| 16/09 | Atlético-MG x Santos | Sul-Americana | 19h |
| 20/09 | Remo x Santos | Brasileirão | a confirmar |
| 07/10 | Santos x Flamengo | Brasileirão | a confirmar |
| 11/10 | Atlético-MG x Santos | Brasileirão | a confirmar |
A sequência imediata já seria suficientemente complicada. E, olhando um pouco mais adiante, fica ainda mais evidente que o Santos precisa reagir antes que a situação fique difícil de controlar. Os confrontos com Atlético-MG pela Sul-Americana estão marcados para 9 e 16 de setembro, enquanto o calendário do Brasileiro ainda reserva Remo, Flamengo e Atlético-MG nas rodadas seguintes.
O Santos não pode deixar a tabela esperar
A sequência é difícil, mas existe um detalhe que torna tudo ainda mais urgente: o Santos não tem gordura no Brasileirão. Dois pontos separam o Peixe do Z-4. Isso significa que a equipe não pode simplesmente aceitar uma queda de rendimento no campeonato enquanto concentra forças nas copas.
É verdade que o calendário vai exigir gestão física. Serão jogos em diferentes competições, viagens e pouco tempo para recuperação e treinamento. Mas isso não pode virar justificativa para deixar o Brasileiro em segundo plano.
Até porque as copas também apresentam obstáculos enormes. Na Copa do Brasil, o Santos precisa reverter o 3 a 0 sofrido para o Palmeiras no jogo de ida das quartas de final. O duelo de volta será na Vila Belmiro, na quarta-feira (2), às 21h30. É uma desvantagem que obriga o time a correr riscos e fazer uma atuação muito acima da média para continuar vivo.
Na Sul-Americana, o adversário das quartas é justamente o Atlético-MG. O primeiro jogo será na Vila Belmiro, em 9 de setembro, às 19h, com a volta marcada para o dia 16, também às 19h.
O Santos, portanto, pode chegar ao meio de setembro em uma situação completamente diferente da atual: ainda vivo nas copas e pressionado no Brasileiro ou eliminado de uma ou das duas competições e obrigado a concentrar praticamente tudo na luta pela permanência.
A prioridade precisa ser o Brasileirão
Isso não significa abandonar os mata-matas. Pelo contrário. O Santos deve tentar avançar enquanto tiver condições. Mas a classificação atual exige que o Brasileiro seja tratado como a competição que não pode ser negligenciada.
Uma eliminação para o Palmeiras seria dolorosa, mas administrável se vier acompanhada de uma reação no campeonato. O mesmo vale para a Sul-Americana. O cenário realmente perigoso seria o Peixe acumular eliminações e, ao mesmo tempo, perder pontos suficientes para entrar de vez na briga contra o rebaixamento.
A margem é curta demais para isso. O empate com o Mirassol, na última rodada, é um bom exemplo. O Santos deixou de abrir vantagem para um concorrente direto e continua muito próximo da zona de rebaixamento.
Em uma tabela tão apertada, empates podem evitar uma queda imediata, mas não necessariamente resolvem o problema.
Corinthians é o primeiro teste
Por isso, o jogo contra o Corinthians, fora de casa, ganha importância que vai muito além da rodada. Uma vitória no domingo (30), às 16h, daria ao Santos algo que será fundamental para atravessar as próximas semanas: confiança. O confronto será na Neo Química Arena.
Uma derrota, por outro lado, pode colocar ainda mais pressão sobre um time que já entrará em campo sabendo que qualquer tropeço aproxima a zona de rebaixamento. E depois vem o Palmeiras.
A desvantagem de três gols faz com que o jogo da Copa do Brasil tenha uma característica diferente. O Santos precisará atacar, assumir riscos e provavelmente gastar muita energia para tentar buscar uma classificação que hoje parece bastante complicada.
Logo depois, porém, haverá o Internacional pelo Brasileirão, no Beira-Rio. É justamente aí que a gestão de elenco e de energia será colocada à prova.
O calendário pode ser pesado, mas não é desculpa
O Santos terá de encontrar uma maneira de competir em sequência. Não dá para imaginar uma equipe mantendo o mesmo nível de intensidade durante todos esses jogos. Será necessário administrar momentos, rodar o elenco quando possível e ter clareza sobre quais partidas exigem uma postura mais agressiva.
Mas existe uma coisa que o Peixe não pode administrar: a tabela. A diferença entre estar em 14º e entrar no Z-4 é pequena demais. Enquanto Santos, Mirassol, Grêmio, Internacional e outros concorrentes diretos estiverem separados por poucos pontos, cada rodada terá peso enorme.
Por isso, a reação precisa começar antes que o calendário fique ainda mais cruel.
Setembro pode definir o rumo da temporada
O Santos pode olhar para essa sequência de duas maneiras. A primeira é enxergá-la como um problema: Corinthians, Palmeiras, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro, Atlético-MG e Remo em um intervalo curto, com Flamengo e novamente Atlético-MG esperando em outubro.
A segunda é entender que esses jogos também são a oportunidade de mudar o cenário.
Se conseguir somar pontos no Brasileiro e competir nos mata-matas, o Santos chegará a outubro com a temporada sob controle. Se acumular derrotas e eliminações, a pressão será muito maior. E não será necessário esperar até outubro para descobrir.
O Santos precisa de uma resposta agora. O calendário é pesado, mas a situação na tabela não permite que o Peixe espere os jogos mais fáceis para reagir. Se deixar essa sequência passar em branco, o Santos pode chegar a outubro tendo transformado uma temporada difícil em uma luta contra o Z-4.
Foto por NELSON ALMEIDA / AFP



