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Automobilismo Fórmula 1

Ferrari aposta em novo motor para virar o jogo contra a Mercedes em Monza

A Ferrari decidiu não esperar mais e no Grande Prêmio da Itália, em Monza, a equipe colocará em seu carro a primeira das duas atualizações de unidade de potência permitidas pelo sistema ADUO da Fórmula 1.

A estreia acontece em um momento particularmente importante para a Scuderia. Depois de duas etapas sem subir ao pódio, a equipe chega à sua corrida de casa precisando reagir na temporada e diminuir a distância para a Mercedes no Campeonato de Construtores. O novo motor, identificado como 067/7, passou pelos testes de confiabilidade necessários e recebeu autorização dos engenheiros da Ferrari para ser utilizado em uma corrida.

A atualização inclui mudanças na câmara de combustão e no turbocompressor. A expectativa é de um ganho de aproximadamente 15 cavalos de potência, além de uma entrega de torque diferente, que deverá ajudar a equipe a administrar melhor a utilização da energia elétrica ao longo da volta.

O ganho não virá apenas do motor. A Ferrari também contará com um novo combustível desenvolvido pela Shell, que deverá contribuir para aumentar o desempenho da unidade de potência. A equipe aposta, portanto, em um pacote especialmente pensado para Monza, um dos circuitos mais exigentes do calendário quando o assunto é velocidade de reta e eficiência.

E o momento não poderia ser mais simbólico: a atualização será utilizada diante da torcida italiana, em uma corrida na qual a Ferrari também apresentará uma pintura especial em homenagem a Michael Schumacher.

Atualização pode reduzir pela metade a diferença para a Mercedes

A Ferrari recebeu autorização para utilizar duas atualizações nesta temporada depois que a FIA concluiu, dentro do sistema ADUO, que seu motor de combustão interna estava mais de 4% atrás da referência estabelecida. O procedimento foi criado para permitir que fabricantes considerados mais lentos tenham oportunidades adicionais de desenvolvimento.

A avaliação, porém, considera apenas o desempenho do motor de combustão. A parte elétrica da unidade de potência não entra diretamente nessa comparação. Mesmo assim, os dados foram suficientes para colocar Ferrari, Mercedes, Honda e Audi em diferentes faixas de desenvolvimento e conceder oportunidades extras de atualização.

No caso da Ferrari, a equipe decidiu utilizar imediatamente uma delas. A expectativa em Maranello é que o novo conjunto represente um avanço relevante. Os aproximadamente 15 cavalos adicionais devem reduzir de forma significativa a diferença para a Mercedes, considerada atualmente uma das referências em desempenho geral.

Mas a Ferrari não está buscando apenas mais potência. Em Monza, o gerenciamento da energia elétrica é particularmente importante. O circuito possui longas retas e poucas oportunidades de frenagem, o que torna a recuperação e a utilização da energia um desafio diferente daquele encontrado em pistas mais sinuosas.

Por isso, a nova unidade foi desenvolvida também pensando em uma curva de torque diferente e em uma distribuição mais eficiente da energia elétrica. A combinação entre motor revisado e novo combustível poderá representar uma diferença importante em classificação e corrida.

Ferrari também prepara mudanças aerodinâmicas para Monza

O motor não será a única novidade no SF-26. A Ferrari também levará para Monza uma nova versão de sua asa traseira “Macarena”, desenvolvida com foco em eficiência aerodinâmica.

A característica mais importante da atualização será justamente a redução do arrasto. Em Monza, isso é fundamental. O circuito italiano é conhecido como o “Templo da Velocidade” justamente pela quantidade de trechos de alta velocidade e pelas longas retas. Um carro que produz muito arrasto pode perder tempo precioso nas retas, mesmo que tenha bom desempenho nas curvas.

Por isso, a Ferrari pretende encontrar um equilíbrio entre velocidade máxima e carga aerodinâmica suficiente para manter o carro competitivo nas chicanes e curvas restantes do circuito. A equipe também levará o chamado escape soprado, que poderá receber ajustes adicionais caso os engenheiros considerem necessário reduzir ainda mais o arrasto.

Na prática, a Ferrari está preparando um pacote específico para as características de Monza. A expectativa é que o conjunto permita extrair o máximo possível do novo motor e, principalmente, coloque Charles Leclerc e Lewis Hamilton em condições de disputar as primeiras posições.

Antonelli terá punição e Ferrari ganha uma oportunidade

Outro fator que pode favorecer a Ferrari em Monza é a situação da Mercedes. Kimi Antonelli terá de cumprir uma punição no grid de largada em seu GP de casa. O italiano será obrigado a partir do fundo do pelotão depois de a Mercedes decidir instalar uma unidade de potência completa nova em seu carro.

A punição é consequência dos problemas de confiabilidade enfrentados pela equipe ao longo da temporada. Antonelli já utilizou mais unidades do que o permitido pela alocação regulamentar, e a Mercedes decidiu assumir a penalidade para colocar componentes novos em seu carro.

Para a Ferrari, isso representa uma oportunidade. Mesmo que Antonelli tenha demonstrado excelente ritmo ao longo da temporada e continue liderando o campeonato, começar uma corrida em Monza no fundo do grid torna sua missão muito mais complicada.

A Ferrari poderá aproveitar a situação para somar pontos importantes no Campeonato de Construtores. George Russell, por outro lado, não deverá receber uma punição em Monza. A Mercedes estaria considerando deixar uma eventual troca de unidade de potência para Baku, outro circuito com características favoráveis a um motor eficiente e baixa resistência aerodinâmica.

Isso significa que a equipe alemã poderá contar com Russell em uma posição competitiva enquanto Antonelli tenta avançar pelo pelotão. Para a Ferrari, portanto, a classificação será ainda mais importante. Se Leclerc ou Hamilton conseguirem largar à frente de Russell, a Scuderia poderá transformar a punição de Antonelli em uma vantagem significativa no campeonato.

Ferrari precisa reagir depois de perder terreno

A situação da Ferrari na classificação geral ajuda a explicar a importância da corrida. Depois de 12 etapas, a equipe está 87 pontos atrás da Mercedes no Campeonato de Construtores. Além disso, a McLaren conseguiu superar a Ferrari nas duas últimas etapas, aumentando a pressão sobre a equipe italiana.

O desempenho recente também não foi dos melhores. A Ferrari não conseguiu chegar ao pódio nas duas últimas corridas, enquanto McLaren e Mercedes continuaram acumulando resultados fortes. Agora, a equipe terá a oportunidade de responder em casa.

Monza, porém, não tem sido exatamente um território extremamente favorável à Ferrari nos últimos anos. A equipe conquistou apenas três vitórias nas últimas 19 edições do GP da Itália. Isso mostra que correr diante dos torcedores italianos não é garantia de sucesso. Ainda assim, o novo pacote pode mudar a situação.

A Ferrari terá um motor mais potente, um combustível atualizado, mudanças aerodinâmicas específicas e um adversário direto largando do fundo do grid. A combinação de fatores cria uma oportunidade que a equipe não pode desperdiçar.

O primeiro passo para uma reação no campeonato?

A própria Ferrari encara Monza como uma possível virada de chave para sua temporada. A equipe começou o ano com expectativas altas, mas não conseguiu acompanhar o ritmo da Mercedes e, posteriormente, viu a McLaren ganhar força com seus pacotes de atualizações.

Agora, a Ferrari tenta recuperar parte do terreno perdido justamente com uma atualização de unidade de potência autorizada pelo sistema ADUO. O novo motor não deve transformar magicamente a Ferrari na equipe dominante do grid. A diferença de desempenho em uma temporada de Fórmula 1 é resultado de vários fatores, incluindo aerodinâmica, pneus, eficiência energética, confiabilidade e execução durante os finais de semana.

Mas ganhar cerca de 15 cavalos e melhorar a entrega de energia pode fazer diferença justamente em um circuito como Monza. A equipe também terá que administrar uma questão importante: a confiabilidade.

O novo motor só foi liberado depois de cumprir o período necessário de testes no banco. Isso significa que a Ferrari chega à Itália com maior confiança de que a atualização poderá completar o fim de semana sem comprometer a estratégia. Para Leclerc e Hamilton, a missão será aproveitar tudo isso na pista.

A pressão também será grande. A Ferrari está 87 pontos atrás da Mercedes e viu a McLaren ganhar terreno nas últimas corridas. Se quiser manter alguma esperança de brigar pelo título de construtores, precisa começar a reagir rapidamente. Monza oferece uma oportunidade particularmente interessante. A punição de Antonelli reduz temporariamente a força da Mercedes, enquanto a Ferrari estreia um motor mais potente e um pacote aerodinâmico pensado para maximizar a velocidade.

A corrida italiana poderá, portanto, servir como um teste definitivo para saber se as atualizações permitidas pelo ADUO realmente aproximaram a Ferrari da referência. A Scuderia chega a Monza com uma nova unidade de potência, novas peças e uma necessidade urgente de reação. Diante da torcida italiana, a Ferrari terá uma das melhores oportunidades da temporada para mostrar que ainda não desistiu da briga.

Foto: (Reprodução/ Globo Esporte)