Vitor Roque atravessa uma fase abaixo do que se esperava no Palmeiras, mas reduzir o momento do atacante a uma simples queda técnica seria ignorar boa parte do contexto.
O centroavante voltou aos gramados há pouco mais de um mês, depois de passar cerca de três meses afastado por causa de uma cirurgia no tornozelo esquerdo. Desde então, participou de 11 partidas, mas ainda não conseguiu completar 90 minutos em nenhuma delas.
A condição física, portanto, aparece como o primeiro ponto para entender a dificuldade do “Tigrinho” em reencontrar sua melhor versão.
O problema não começou no retorno
A lesão que tirou Vitor Roque dos gramados foi apenas o capítulo mais grave de um problema que já vinha afetando o jogador. Depois do Campeonato Paulista, o atacante ficou aproximadamente 40 dias afastado por dores no tornozelo. Em abril, uma entrada contra o Jacuipense provocou uma lesão ligamentar e levou o jogador à cirurgia.
Foram meses longe da rotina competitiva. Para um atacante como ele, isso pesa especialmente. Seu futebol depende muito de explosão, aceleração, mudança de direção e capacidade de atacar espaços. Não basta estar liberado para jogar: é necessário recuperar resistência, confiança nos movimentos e intensidade.
Abel Ferreira foi direto após o empate com o Mirassol ao afirmar que o jogador ainda não está em boa forma física. A declaração ajuda a colocar a atual fase em perspectiva. Vitor Roque voltou, mas ainda não voltou completamente ao jogador que era antes da lesão.
Os números reforçam a queda de impacto
O atacante soma sete gols e uma assistência em 29 jogos na temporada, sendo 18 como titular. Não são números que indiquem, por si só, uma temporada ruim. O problema aparece na comparação.
Em 2025, ele marcou 20 gols e deu cinco assistências em 56 partidas pelo Palmeiras. Além disso, sua participação atual está diretamente condicionada ao período de recuperação.
Desde o retorno, houve bons momentos, como o gol de pênalti na goleada sobre o Vasco. Também houve oportunidades desperdiçadas, como diante do Mirassol. É justamente aí que confiança e condição física se encontram.
Um atacante que ainda busca ritmo pode perder uma fração de segundo em uma arrancada ou chegar menos inteiro a uma finalização. Para jogadores que vivem de pequenos detalhes dentro da área, isso pode fazer enorme diferença.
O Palmeiras também mudou ao redor de Roque
Seria injusto, porém, analisar o atacante como se o restante da equipe estivesse exatamente igual ao período em que ele conseguiu produzir mais. O Palmeiras convive com uma série de problemas físicos e perdeu peças importantes. Paulinho, Jhon Arias e Piquerez estão entre os jogadores que passaram pelo departamento médico recentemente, enquanto Ramón Sosa e Jefté também estão fora. Allan também deixou o clube.
Isso interfere diretamente na capacidade de criação e na dinâmica ofensiva da equipe.
Centroavantes não atuam isoladamente. Vitor Roque precisa de jogadores capazes de criar espaços, encontrar passes e oferecer condições para que sua velocidade seja explorada. Quando o funcionamento coletivo cai, a produção individual tende a ser afetada.
Não é uma justificativa para as chances perdidas, mas é parte da explicação.
A reta final aumenta a pressão
O momento também não poderia ser mais delicado. O Palmeiras disputa diferentes competições e entrou em uma sequência decisiva da temporada. Ao mesmo tempo, Abel Ferreira optou por não tratar a contratação de outro atacante como prioridade imediata.
A aposta está nos jogadores que já estão no elenco. Isso coloca Vitor Roque em uma posição importante. O Palmeiras precisa que ele recupere sua condição justamente quando a margem para adaptação diminui.
Abel, porém, parece entender que a solução passa primeiro pela recuperação física. E existe lógica nisso: trazer um reforço não resolveria automaticamente um problema que pode estar ligado à condição de um jogador que já possui características importantes para o sistema.
O que falta para Vitor Roque voltar a ser decisivo?
Mais do que simplesmente marcar gols, o atacante precisa recuperar as características que tornaram seu jogo tão perigoso. Explosão para atacar a última linha, intensidade para pressionar, força para disputar espaços e confiança para finalizar.
O próprio Vitor Roque reconheceu isso depois do jogo contra o Cerro Porteño, pela Libertadores, ao destacar a evolução na minutagem e a capacidade de correr melhor. A fala mostra que o processo ainda está em andamento.
Por isso, a atual fase merece atenção, mas não necessariamente pânico. O Palmeiras precisa cobrar evolução, mas também precisa entender que um jogador que passou meses afastado não recupera automaticamente seu nível competitivo em poucas partidas.
O desafio está em encontrar o equilíbrio entre dar minutos para recuperar ritmo e não exigir mais do que o físico permite. Vitor Roque já voltou aos gramados. O que o Palmeiras ainda espera é a volta completa do seu futebol.
E, em uma reta final na qual cada detalhe pode decidir uma classificação ou um título, descobrir quando essa recuperação estará realmente concluída pode ser tão importante quanto encontrar a melhor maneira de utilizá-lo.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação



