O Santos precisava de uma resposta depois da derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. Encontrou no clássico contra o Corinthians uma vitória por 1 a 0, três pontos importantes no Brasileirão e uma atuação capaz de devolver confiança ao elenco.
O resultado merece ser valorizado. Mas também precisa ser colocado no devido tamanho. O Santos fez uma partida segura dentro do contexto do clássico. Foi competitivo, aproveitou sua principal oportunidade e soube proteger a vantagem quando o Corinthians cresceu no segundo tempo.
A questão é que uma boa resposta não significa, necessariamente, que todos os problemas foram resolvidos.
Bontempo dá outra dinâmica ao meio
Um dos sinais mais interessantes esteve no meio-campo. Gabriel Bontempo teve liberdade para participar mais da construção e mostrou qualidade para escapar da marcação, conduzir a bola e encontrar companheiros em melhores condições. Foi dele boa parte da produção ofensiva santista no primeiro tempo.
Neymar também apareceu no momento decisivo. Sua cobrança de falta originou o gol de Oliva, que definiu o clássico. O Santos não precisou dominar o jogo para ser perigoso. Conseguiu criar a partir de momentos de qualidade e, desta vez, foi eficiente quando teve a oportunidade.
Esse é um aspecto importante para uma equipe que vinha de uma derrota pesada.
Resistência também foi um mérito
O segundo tempo contou uma história diferente. O Corinthians aumentou a pressão, enquanto o Santos recuou e passou a priorizar a proteção da vantagem. A equipe praticamente abriu mão de atacar, mas conseguiu evitar que o adversário transformasse o domínio territorial em gol.
Não foi uma etapa brilhante. Foi uma etapa funcional. E isso também tem valor. Nem sempre será possível controlar os 90 minutos, principalmente em um clássico fora de casa. Saber sofrer e proteger um resultado faz parte de uma equipe competitiva.
O Santos mostrou essa capacidade.
O problema é achar que isso basta
A vitória, porém, não pode produzir uma falsa sensação de evolução completa. Quando o Corinthians aumentou o ritmo, o Santos encontrou dificuldades para manter a bola e sair jogando. A solução foi baixar as linhas e defender mais próximo da própria área.
Contra o Corinthians, funcionou. Mas não é uma estratégia que possa ser repetida indiscriminadamente.
O Santos ainda precisa melhorar sua capacidade de controlar partidas com a bola e encontrar alternativas quando o adversário consegue pressioná-lo. A equipe não pode depender sempre de uma jogada de Neymar, de um lampejo individual ou de uma defesa resistente para decidir os jogos.
É justamente nesse ponto que a próxima partida se torna tão importante.
O Palmeiras será um teste de outro tamanho
Na quarta-feira (2), o Santos volta a enfrentar o Palmeiras, desta vez pela partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil. E não existe margem para comparação entre os dois desafios.
Depois do 3 a 0 sofrido na ida, o Santos precisará assumir o controle da partida, atacar e correr riscos. Uma postura excessivamente reativa não será suficiente. Será necessário transformar a competitividade apresentada contra o Corinthians em agressividade ofensiva.
O duelo também servirá para medir a evolução do time. Contra o rival paulista, o Santos conseguiu administrar uma vantagem mínima. Diante do Palmeiras, precisará buscar uma desvantagem de três gols.
São situações completamente diferentes.
Confiança, sim. Euforia, não.
O Santos fez o que precisava fazer. Venceu um clássico, reagiu depois de uma derrota dura e ganhou um pouco de tranquilidade para encarar uma sequência decisiva. Além disso, mostrou que possui recursos para competir mesmo quando não controla completamente o jogo.
Mas o verdadeiro avanço será medido pela capacidade de repetir esses comportamentos. O Brasileirão ainda exige distância do Z-4, a Copa do Brasil apresenta uma missão extremamente complicada e a Copa Sul-Americana também está no horizonte.
Por isso, o clássico deve servir como combustível, não como conclusão. O Santos encontrou uma resposta contra o Corinthians. Agora precisa mostrar que não foi apenas uma resposta circunstancial.
Se conseguir levar a organização, a competitividade e a capacidade de resistir para os próximos jogos, a vitória terá representado algo maior. Caso contrário, terá sido apenas um bom domingo em meio a uma temporada ainda cheia de desafios.
Foto: Raul Baretta/ Santos FC./Divulgação



