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Automobilismo Fórmula 1

Andrea Stella aponta Monza como teste decisivo para confirmar reação da McLaren na Fórmula 1 em 2026

A McLaren chega ao Grande Prêmio da Itália, em Monza, embalada por duas vitórias consecutivas de Lando Norris, mas Andrea Stella prefere manter os pés no chão. Para o chefe da equipe, o circuito italiano será um dos testes mais importantes para determinar se a recuperação de desempenho apresentada nas últimas corridas pode realmente se transformar em uma ameaça constante pelo restante da temporada 2026 da Fórmula 1.

A equipe britânica conseguiu dar um salto importante de performance nas etapas da Hungria e da Holanda. Norris venceu as duas provas e voltou a colocar seu nome na discussão pelo campeonato, enquanto a McLaren mostrou uma velocidade que não havia conseguido apresentar com a mesma consistência no início do ano.

O problema é que tanto o Hungaroring quanto Zandvoort possuem características que favoreceram o MCL40. São circuitos em que curvas longas, trechos mais sinuosos e a necessidade de elevada carga aerodinâmica têm papel importante no desempenho. Monza, por outro lado, representa uma mudança radical.

Conhecido como o “Templo da Velocidade”, o circuito italiano exige baixo arrasto, alta velocidade de reta, eficiência nas frenagens e uma boa capacidade de preservar o equilíbrio do carro nas mudanças entre alta e baixa velocidade. É justamente nesse cenário que Stella acredita que a McLaren ainda precisa encontrar respostas.

Stella evita euforia antes de Monza

Apesar do momento positivo, Stella não quer transformar as vitórias recentes em uma conclusão antecipada sobre a evolução da equipe. Para ele, a McLaren precisa provar que os ganhos obtidos nas últimas corridas não estão limitados a um determinado tipo de pista. “Além de qualquer maneira de dizer isso, a abordagem real que temos é apenas uma corrida de cada vez”, afirmou Stella ao ser questionado sobre as perspectivas para o restante da temporada.

A declaração resume a postura adotada pela equipe. Em vez de projetar imediatamente uma disputa pelo campeonato, a McLaren quer entender primeiro como o carro irá responder às exigências de Monza.

A diferença entre os circuitos recentes e a pista italiana é significativa. Em Monza, os carros utilizam configurações de baixa carga aerodinâmica para conseguir atingir velocidades muito altas nas longas retas. Ao mesmo tempo, as frenagens para curvas como a Variante del Rettifilo e a Variante della Roggia exigem estabilidade e eficiência.

E essa combinação que pode expor algumas das limitações do MCL40. “Se pensarmos nas exigências de Zandvoort e da Hungria, e depois pensarmos nas exigências de Monza, estamos em um regime completamente diferente”, explicou Stella. Por isso, um bom resultado na Itália teria um significado maior para a McLaren do que simplesmente somar pontos ao campeonato.

O problema do arrasto preocupa

Um dos principais pontos de atenção para a equipe é o arrasto aerodinâmico. Embora a eficiência nas curvas tenha sido uma das armas da McLaren nas últimas provas, o comportamento do carro nas longas retas de Monza será fundamental.

Stella reconhece que o arrasto não é necessariamente uma das principais virtudes do MCL40. “Precisamos ir a Monza e ver se nosso carro consegue expressar uma boa performance nas longas retas. E sabemos que o arrasto não é necessariamente um ponto forte do nosso carro”, afirmou.

Isso pode ser particularmente importante na classificação. Em Monza, algumas diferenças de velocidade máxima podem custar posições importantes, especialmente em um grid extremamente competitivo. A equipe também precisará encontrar um equilíbrio entre velocidade de reta e desempenho nas curvas. Reduzir demais a carga aerodinâmica pode melhorar a velocidade máxima, mas também pode prejudicar a estabilidade nas frenagens e o comportamento do carro nas poucas curvas de alta velocidade existentes no traçado.

Por outro lado, carregar muita asa pode fazer a McLaren perder tempo justamente onde seus rivais conseguem abrir vantagem.

Frenagens serão outro desafio

Além das retas, Stella destacou outro aspecto que pode colocar a McLaren à prova: as fortes frenagens. “Há muita frenagem, o que também não é necessariamente um ponto forte do nosso carro”, reconheceu o dirigente.

A característica torna Monza particularmente interessante para avaliar o progresso da McLaren. Nas últimas corridas, o carro conseguiu aproveitar muito bem sua capacidade de gerar desempenho em curvas de alta carga aerodinâmica. Na Itália, entretanto, o pacote precisa funcionar em uma janela completamente diferente.

A equipe terá de trabalhar não apenas na configuração aerodinâmica, mas também no equilíbrio mecânico e na entrega de potência para garantir que os pilotos possam atacar as zonas de frenagem sem comprometer os pneus. É nesse aspecto que o fim de semana pode oferecer uma resposta muito mais clara sobre o verdadeiro nível da McLaren.

As atualizações começam a mostrar resultado

A evolução recente da equipe não aconteceu por acaso. A McLaren levou uma série de atualizações para o carro e vem trabalhando para extrair mais desempenho do projeto de 2026.

Entre as novidades está o conceito conhecido como H-Wing, além de outras alterações aerodinâmicas que ajudaram a equipe a melhorar sua performance. Os resultados mais recentes sugerem que o trabalho de desenvolvimento começou a produzir frutos. Norris venceu na Hungria e repetiu o resultado em Zandvoort, enquanto a equipe conseguiu se colocar novamente em posição de desafiar a Mercedes.

Ainda assim, Stella sabe que duas vitórias não são suficientes para confirmar uma mudança definitiva na hierarquia. Monza será justamente a oportunidade de descobrir se os avanços são amplos ou se dependem demais das características específicas dos circuitos.

Um pódio já seria importante para a McLaren

Stella não estabeleceu uma meta específica de vitória para o GP da Itália. O mais importante, segundo ele, é confirmar que o carro consegue manter um nível competitivo em uma pista com características diferentes. “Se pudermos confirmar nossas melhorias em Monza, então eu diria que podemos olhar com algum otimismo para o restante da temporada”, afirmou.

Isso significa que até mesmo um pódio poderia representar um resultado extremamente positivo para a McLaren. Caso Norris ou Oscar Piastri consiga disputar as primeiras posições, a equipe terá uma indicação importante de que o MCL40 não é competitivo apenas em pistas de alta carga aerodinâmica. Isso aumentaria consideravelmente a confiança interna para as próximas etapas.

A situação também pode ter impacto direto na disputa pelo campeonato. Norris reduziu a diferença para os líderes depois das vitórias recentes e começa a ganhar novamente protagonismo na briga pelo título. Quanto mais competitivo o carro se mostrar em diferentes tipos de circuito, maiores serão as chances de o britânico continuar diminuindo sua desvantagem.

McLaren quer transformar recuperação em ameaça real

O momento atual é muito diferente daquele vivido pela McLaren no começo da temporada. A equipe precisou correr atrás de seus rivais e trabalhar intensamente no desenvolvimento do carro. Agora, depois das vitórias consecutivas de Norris, a pergunta é se a equipe finalmente encontrou uma direção capaz de colocá-la regularmente na luta pela frente.

A resposta pode começar a aparecer em Monza. “Até agora, podemos confirmar que, quando estamos em circuitos de alta carga aerodinâmica com esse tipo de layout, podemos lutar por vitórias”, resumiu Stella.

A ressalva é justamente o “até agora”. O chefe da McLaren sabe que o verdadeiro salto de confiança só acontecerá quando o carro demonstrar competitividade em condições diferentes.

Monza, portanto, chega como uma espécie de exame. Se a McLaren conseguir superar suas dificuldades nas retas, nas frenagens e no gerenciamento do baixo arrasto, a equipe poderá deixar a Itália muito mais otimista sobre o restante de 2026. Se o desempenho cair drasticamente, por outro lado, as vitórias recentes poderão ser interpretadas como resultados favorecidos pelas características de Hungria e Holanda.

Por isso, o GP da Itália não será apenas mais uma etapa para a McLaren. Será uma oportunidade de transformar uma sequência promissora em evidência concreta de que a equipe voltou definitivamente à briga pelas primeiras posições.

Foto: (Reprodução/ FirstSportz)