O Internacional chegou a um ponto em que manter Paulo Pezzolano parece tão arriscado quanto demiti-lo. O Colorado perdeu por 3 a 2 para o Santos no Beira-Rio, chegou a 10 partidas consecutivas sem vencer no Brasileirão e permanece em 18º lugar, com 25 pontos.
A direção decidiu manter o treinador. A decisão provocou discussão, mas existe uma pergunta mais importante por trás dela: trocar Pezzolano realmente resolveria os problemas do Internacional?
A resposta mais honesta é que provavelmente não resolveria tudo. E esse é justamente o perigo.
O treinador tem responsabilidade, mas o problema não começou nele
Pezzolano não pode ser absolvido.
O Inter está jogando mal, perdeu referências, demonstra dificuldade para reagir durante as partidas e acumulou decisões contestáveis. Contra o Santos, sofreu três gols no primeiro tempo e precisou correr atrás de um prejuízo que praticamente nasceu das próprias falhas.
O treinador também está pressionado porque os resultados deixaram de ser pontuais. São dez jogos sem vitória no Brasileirão, com seis derrotas nesse período. A última vitória aconteceu em maio, no 4 a 1 sobre o Vasco.
Só que trocar o técnico não apaga uma realidade maior.
O Inter também sofre com um elenco que apresenta poucas soluções para mudar o roteiro das partidas. Quando Alan Patrick não consegue encontrar espaços, faltam alternativas capazes de assumir a criação. Quando o adversário pressiona, o time frequentemente parece sem uma saída clara.
Isso não é responsabilidade exclusiva de Pezzolano.
O Internacional precisa de uma mudança, mas não necessariamente de um nome novo
A frase do executivo Fabinho Soldado de que o “fato novo é ganhar” resume o problema, mas também mostra a dificuldade da situação.
O Inter precisa urgentemente de uma mudança de comportamento. A questão é saber se ela precisa acontecer na comissão técnica.
Se a direção demitir Pezzolano sem ter um substituto capaz de mudar imediatamente o funcionamento da equipe, corre o risco de transformar uma crise esportiva em uma crise ainda maior. O novo treinador teria poucos jogos para trabalhar, pouca margem para testes e um elenco que continuaria apresentando as mesmas limitações.
Trocar por trocar seria apenas uma maneira de produzir a sensação de movimento.
O Inter precisa de solução.
O momento já exige uma decisão diferente
Ao mesmo tempo, manter Pezzolano também não pode significar simplesmente esperar que tudo melhore sozinho. A sequência já é longa demais.
O Internacional está em 18º, com 25 pontos, enquanto Vasco e Mirassol estão logo acima. A zona de rebaixamento deixou de ser uma ameaça distante e passou a ser o cenário atual.
Além disso, o clube já foi eliminado da Copa do Brasil pelo Grêmio e agora tem o Brasileirão como único caminho para recuperar a temporada. É por isso que a permanência precisa vir acompanhada de cobrança e mudanças concretas.
O treinador precisa encontrar respostas, mas a direção também precisa avaliar elenco, preparação, ambiente e decisões tomadas durante a temporada.
O maior erro seria acreditar que o treinador é o único problema
O Inter já demonstrou nesta temporada que possui jogadores capazes de competir em alto nível. O problema é que esse nível aparece cada vez menos. A equipe perdeu confiança, passou a sofrer gols em momentos decisivos e tem dificuldade para sustentar reações. Contra o Santos, mesmo quando conseguiu diminuir a diferença, o time não teve força suficiente para completar a recuperação.
É o tipo de situação que exige uma mudança de ambiente. Talvez ela venha com Pezzolano. Talvez a direção conclua que seja necessária outra voz. Mas existe uma certeza: se o clube trocar o treinador sem corrigir o restante, estará apenas mudando o responsável por administrar os mesmos problemas.
O Internacional não tem tempo para decisões simbólicas. Tem 12 rodadas para escapar de uma situação que já é extremamente perigosa.
Por isso, demitir Pezzolano pode ser uma alternativa, mas não pode ser tratado como solução automática.
O Internacional não precisa apenas de um novo treinador. Precisa descobrir por que deixou de ser competitivo — e ter coragem para mexer em tudo aquilo que estiver contribuindo para essa queda.
Foto: Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação



