Hawks 2026/27.
Basquete NBA

NBA: confira 3 áreas em que o Atlanta Hawks precisa melhorar em 2026/27

O Atlanta Hawks está empenhado em melhorar seu piso de desempenho, em vez de focar em aumentar o teto. Isso significa que o principal ajuste deverá acontecer na parte tática, com a adoção de estratégias capazes de tornar a equipe mais consistente. Afinal, o Hawks possui certa desvantagem em relação aos melhores times da Conferência Leste quando o assunto é talento, o que torna ainda mais importante encontrar maneiras de extrair o máximo do elenco.

Indo para sua 4ª temporada como técnico de Atlanta, Quin Snyder mostrou em 2025/26 sua capacidade de gerar impacto taticamente. Ele encontrou uma maneira de fazer o time jogar com Jalen Johnson como principal playmaker e conseguiu extrair o máximo de Nickeil Alexander-Walker, que teve sua evolução reconhecida com o prêmio de Most Improved Player (MIP).

Os Hawks adotaram um estilo que explora mais o atleticismo, jogando em pace alto e tendo a transição ofensiva como a grande arma da equipe no ataque. A mudança surtiu efeito e levou o time aos playoffs, mas, na série contra o New York Knicks, as limitações ficaram expostas. Agora, em 2026/27, será necessário ampliar o repertório, mas sem perder a própria identidade.

Onyeka Okongwu pode ser mais explorado de um jeito diferente no Atlanta Hawks

Hawks 2026/27.
FOTO: Brett Davis/Imagn Images

Quando se fala em pivôs passadores, alguns nomes vêm à mente, mas nenhum deles costuma ser Onyeka Okongwu. Inclusive, quando chegou à NBA, em 2020, a capacidade de passe era apontada como uma das maiores lacunas em seu jogo. Em sua única temporada no basquete universitário, em 2019/20, ele registrou médias de 1.3 assistência por partida e uma relação de 0.5 assistência por turnover.

Porém, Okongwu foi melhorando seu passe de forma gradativa, e na última temporada foi possível perceber uma evolução sensível nesse aspecto. O pivô ficou em 5º entre os jogadores de sua posição que mais passes fizeram em 2025/26, mostrando também a capacidade de encontrar seus companheiros em situações favoráveis para o arremesso.

Nas jogadas em que houve um passe de Onyeka Okongwu, foi registrado um eFG% (aproveitamento efetivo de arremessos) de 87%. Para efeito de comparação, o pivô ficou no 91º percentil entre os jogadores de sua posição nesse quesito e também alcançou o 94º percentil em assistências potenciais por minuto, considerando o tempo em que esteve com a bola nas mãos.

Mas vale ressaltar que o plano de jogo não colocava Okongwu nessa função com regularidade. O jogador teve a bola nas mãos em apenas 8.1% das posses, ficando no 24º percentil entre os ala-pivôs. Caso fosse categorizado como pivô, porém, ele ficaria no 69º percentil.

Portanto, essa função poderia ser mais explorada nos minutos esporádicos em que Jalen Johnson estiver no banco. Dessa forma, o Atlanta Hawks também poderia observar mais de perto a capacidade de Onyeka Okongwu para atuar como facilitador, além de ampliar seu arsenal de jogadas.

O Atlanta Hawks faz muitas jogadas de transição, mas pode ter mais repertório

Hawks 2026/27.
FOTO: Brett Davis/Imagn Images via Reuters Connect

O Atlanta Hawks foi moldado para explorar o atleticismo e jogar em pace alto. A equipe pode ser devastadora contra adversários que cometem muitos turnovers, principalmente pela capacidade de transformar esses erros em oportunidades de pontuar em transição, atualmente sua maior virtude. Na última temporada, os Hawks registraram velocidade média de 7.63 km/h, a maior da NBA, reforçando a identidade de uma equipe que busca acelerar o jogo.

Os Hawks são capazes de executar a transição ofensiva sem cometer muitos erros, registrando turnovers em apenas 10% das posses nessa situação, a 2ª melhor marca da NBA em 2025/26. Ainda assim, a equipe pode ser mais produtiva nesse aspecto. Eles pontuaram em 50.8% das posses de transição, índice que representou apenas a 20ª melhor marca da temporada.

Atlanta também teve dificuldades para gerar faltas nas posses de transição ofensiva, registrando apenas a 22ª melhor marca da NBA em frequência de lances livres e arremessos com falta sofrida nessa situação. Além disso, a equipe registrou 60.5% de eFG% nas posses de transição, índice que representou apenas a 19ª melhor marca da liga.

Os números ficam ainda piores quando se considera o desempenho defensivo em jogadas de transição, que foi a 3ª pior marca da liga em pontos cedidos por posse em 2025/26. Os Hawks precisarão transformar esse aspecto em um ponto mais favorável em 2026/27, sendo mais eficientes na hora de aproveitar suas próprias oportunidades e também melhorando a defesa nessa situação.

Mas, além de ser capaz de tirar ainda mais proveito das jogadas de transição, o Atlanta Hawks também precisa ser capaz de jogar de maneira organizada. Ter qualidade no ataque de meia-quadra será essencial para vencer grandes jogos, especialmente nos playoffs. Se o time for apenas um ‘samba de uma nota só’, sempre poderá ser superado quando precisar jogar em condições adversas.

O Atlanta Hawks precisa ser um time melhor nos rebotes ofensivos

Hawks 2026/27.
FOTO: Dale Zanine/Imagn Images

Os rebotes ofensivos também foram um grande problema para o Atlanta Hawks em 2025/26. Na temporada regular, a equipe foi apenas a 18ª da NBA na média de rebotes ofensivos por jogo e teve a 20ª melhor marca em porcentagem de rebotes ofensivos, ficando entre as equipes com pior desempenho da liga nos dois quesitos.

Os Hawks ficaram em 14º lugar entre os times da liga em oportunidades de rebote ofensivo e em 22º no aproveitamento dessas oportunidades. Considerando apenas os números dos playoffs, o problema se torna ainda mais grave. Entre as 16 equipes que disputaram a fase decisiva da temporada, Atlanta registrou a 3ª pior marca na média de rebotes ofensivos por partida.

Asa Newell pode ser um jogador capaz de ajudar o Atlanta Hawks com esse problema. O jogador recuperou 9.4% dos arremessos errados de seus companheiros, marca que o colocou no 88º percentil. Ele possui algumas limitações ofensivas, mas poderia ser uma opção na rotação regular, algo que não aconteceu com frequência na última temporada, sua 1ª na NBA.

A ideia de ter Newell na rotação regular seria uma iniciativa para a equipe utilizar uma formação capaz de gerar posses extras com mais frequência. Tê-lo ao lado de Jalen Johnson e Onyeka Okongwu pode ser interessante nesse sentido, representando mais uma alternativa de mudança tática que Quin Snyder pode implementar no Atlanta Hawks em 2026/27.

FOTO: Brett Davis/Imagn Images via Reuters Connect