O Atlético-MG saiu da Vila Belmiro derrotado por 2 a 0 pelo Santos, mas o placar talvez nem seja o principal problema para Eduardo Domínguez. A atuação do Galo deixou uma preocupação ainda maior para a sequência da temporada: mesmo com o retorno de jogadores importantes, a equipe continua tendo dificuldades para controlar o meio-campo e, principalmente, para sair da pressão adversária com qualidade.
Na primeira partida das quartas de final da Copa Sul-Americana, o Atlético até conseguiu fazer um jogo equilibrado durante boa parte do primeiro tempo. A estratégia de Domínguez funcionou defensivamente, o Santos teve dificuldades para criar e o Galo conseguiu evitar o volume ofensivo que normalmente aparece quando o Peixe joga na Vila Belmiro.
O problema apareceu quando a partida exigiu mais do Atlético. Depois do intervalo, a equipe perdeu os duelos, deixou o Santos tomar conta do meio-campo e passou a sofrer em sequência. Gabriel Delfim foi o principal responsável por manter o time vivo na disputa, mas a falta de controle do jogo deixou evidente que há pontos importantes para corrigir.
O meio-campo deixou de ser competitivo
A estratégia de Domínguez foi pensada para impedir que o Santos dominasse a partida. Com Lyanco e Maycon de volta entre os titulares, o treinador optou por uma estrutura em que um dos laterais segurava mais a posição quando o outro avançava. A intenção era proteger a defesa e dificultar as ações do adversário.
Durante o primeiro tempo, a ideia funcionou. O Atlético se organizou bem sem a bola, sofreu pouco e conseguiu alternar a posse no meio-campo. O Santos teve uma boa oportunidade logo no início, em chute de Bontempo, mas depois encontrou dificuldades para furar a marcação atleticana.
Só que o Galo também pouco produziu. A equipe terminou a primeira etapa sem repertório suficiente para transformar a organização defensiva em oportunidades. A ausência de Cuello, suspenso, pesou no setor ofensivo, enquanto Cassierra teve mais uma atuação discreta. O resultado foi um time que conseguia impedir o Santos de jogar, mas também não encontrava caminhos para jogar.
A situação mudou completamente no segundo tempo. O Atlético perdeu praticamente todos os duelos no setor central e passou a permitir que o Santos atacasse rapidamente. Foi exatamente o que Domínguez apontou durante a parada técnica: “Perdemos todos os duelos e deixamos que eles atacassem rapidamente”.
Os reforços ainda não resolveram o problema
O retorno de Lyanco e Maycon mostra que Domínguez já tem mais opções para montar o time, mas ter jogadores disponíveis não significa, necessariamente, ter uma equipe equilibrada. Contra o Santos, o Atlético teve dificuldade para fazer esses jogadores funcionarem dentro de uma estrutura que conseguisse competir durante os 90 minutos.
Maycon voltou ao time depois de se recuperar de lesão, enquanto Lyanco também retornou. Ainda assim, a equipe não conseguiu sustentar a intensidade depois do intervalo. Quando o Santos aumentou a pressão, o Atlético teve dificuldades para encontrar soluções.
O próprio Domínguez reconheceu que os erros apresentados contra o Santos foram semelhantes aos da derrota por 2 a 0 para o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro. Segundo o treinador, o problema apareceu principalmente na saída de bola e na dificuldade para superar a pressão adversária.
Esse ponto precisa ser tratado com atenção. Se o Atlético não consegue sair jogando quando é pressionado, acaba entregando ao adversário exatamente o cenário que ele procura: posse perto da área, recuperação rápida da bola e ataques em sequência.
Delfim evitou um problema ainda maior
Se existe um aspecto positivo na derrota, ele está na atuação de Gabriel Delfim. O goleiro foi fundamental para impedir que o Santos construísse uma vantagem ainda maior na Vila Belmiro.
Delfim fez defesas em diferentes situações: cabeçada, chute de dentro da área, finalização de longe e até em lance cara a cara. Mesmo assim, não conseguiu evitar o gol de Ola, que ampliou a vantagem do Santos e deixou o Atlético em uma situação muito complicada para o jogo da volta.
Para Domínguez, o goleiro foi decisivo justamente porque o desempenho coletivo não acompanhou. O treinador admitiu que o Atlético poderia ter perdido por uma diferença ainda maior e reconheceu que a equipe praticamente não criou no segundo tempo.
Isso aumenta a responsabilidade do restante do time. Não dá para esperar que Delfim repita uma atuação desse nível toda vez que o meio-campo perder o controle da partida.
O que o Atlético precisa fazer na Arena MRV?
A resposta passa, principalmente, por recuperar a competitividade no meio-campo. O Atlético precisa diminuir os espaços entre os setores, ganhar mais duelos e encontrar uma maneira mais segura de sair da pressão do Santos.
Também será necessário aumentar o repertório ofensivo. Na Vila Belmiro, o Galo criou muito pouco e praticamente não conseguiu incomodar o adversário. Para reverter uma derrota de 2 a 0, não basta defender melhor: será necessário atacar com muito mais qualidade.
A volta de Cuello pode ajudar nesse sentido. O argentino foi uma das ausências sentidas por Domínguez, que destacou sua importância para a equipe. Com ele novamente disponível, o treinador terá uma opção a mais para dar velocidade e agressividade ao ataque.
Mas não será apenas uma questão individual. O Atlético precisa funcionar como equipe. Se continuar perdendo o meio-campo e errando na saída de bola, terá dificuldades para transformar o mando de campo em vantagem.
A Sul-Americana ainda está aberta
Apesar da derrota, Domínguez acredita que o Atlético está vivo. O Galo precisa vencer por três gols de diferença na Arena MRV para avançar diretamente à semifinal. Uma vitória por dois gols leva a decisão para os pênaltis.
O treinador, portanto, tenta transformar a derrota em uma oportunidade de correção. “Deixaram com vida o Galo. Agora não se define nada, define semana que vem, na nossa casa, com o nosso torcedor”, afirmou.
A confiança no fator casa faz sentido dentro do discurso do treinador, mas o Atlético precisará apresentar um futebol muito diferente daquele mostrado no segundo tempo da Vila Belmiro. A torcida pode empurrar, mas não resolve sozinha os problemas de organização.
Antes da decisão contra o Santos, o Atlético ainda recebe o Fluminense neste sábado, às 16h, na Arena MRV, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Será uma oportunidade importante para Domínguez testar soluções e, principalmente, recuperar a confiança de um time que precisa voltar a competir no meio-campo.
Foto: Pedro Souza / Atlético



