monaco
Automobilismo Fórmula 1

Mônaco terá sprint em 2027, mas decisão gera dúvidas sobre o novo calendário da Fórmula 1

A Fórmula 1 apresentou um calendário de 2027 com 24 etapas, o retorno de circuitos tradicionais e um aumento significativo no número de corridas sprint. Ainda assim, uma escolha em particular chamou atenção: Mônaco receberá uma sprint pela primeira vez na história.

A decisão gera questionamentos justamente por envolver um dos circuitos mais conhecidos da categoria e também um dos que mais sofrem com a dificuldade de ultrapassagens. A programação de 2027 terá dez finais de semana com sprint, contra seis em 2026.

O formato costuma ser defendido pela possibilidade de oferecer mais ação competitiva ao público durante todo o fim de semana, mas sua utilização em Mônaco cria um problema específico: como produzir uma corrida curta e movimentada em uma pista na qual ultrapassar já é uma das maiores dificuldades da Fórmula 1?

O problema de Mônaco continua sendo o mesmo

A escolha da pista monegasca para uma sprint chama atenção porque o principal problema do circuito não está relacionado à duração da corrida. As ruas estreitas de Monte Carlo deixam pouquíssimo espaço para os carros. A reta principal não é longa o suficiente para criar muitas oportunidades de ultrapassagem, enquanto a sequência de curvas e as barreiras próximas tornam qualquer tentativa de ataque extremamente complicada.

O GP de Mônaco continua sendo um dos eventos mais importantes e tradicionais do calendário, mas a qualidade da corrida de domingo é frequentemente questionada justamente pela falta de ultrapassagens.

Uma sprint poderia criar uma situação ainda mais evidente. Em uma corrida curta, não existe a mesma necessidade de uma parada obrigatória nos boxes. Em condições normais de pista seca, se todos passarem pela primeira curva sem problemas, os pilotos podem simplesmente completar as voltas mantendo suas posições.

Mesmo que um competidor seja significativamente mais rápido que o carro à frente, o espaço reduzido pode impedir que essa vantagem seja transformada em ultrapassagem. Nesse cenário, a sprint corre o risco de se transformar em uma disputa de posição na pista, com acidentes ou estratégias sendo os principais elementos capazes de alterar a ordem.

Singapura será um primeiro teste importante

Mônaco não será o único circuito de rua com sprint em 2027. O GP de Singapura também receberá uma corrida curta pela primeira vez, já em 2026. O circuito de Marina Bay apresenta algumas características semelhantes às de Monte Carlo: muros próximos, curvas de baixa velocidade e poucas oportunidades realmente fáceis de ultrapassagem.

Por isso, o funcionamento da sprint em Singapura poderá oferecer uma indicação de como esse formato pode se comportar em Mônaco. Se a corrida em Marina Bay apresentar pouca movimentação, a escolha de Monte Carlo para uma sprint poderá ser ainda mais questionada. Por outro lado, estratégias, erros e a maior importância da classificação podem criar situações capazes de alterar esse cenário.

Dez sprints e o retorno de dois circuitos tradicionais

Apesar da controvérsia envolvendo Mônaco, o calendário de 2027 possui outras mudanças importantes. O número de finais de semana com sprint aumentará de seis para dez, ampliando a presença do formato ao longo da temporada.

A justificativa esportiva é relativamente simples: os finais de semana de sprint oferecem mais sessões competitivas e reduzem o espaço dedicado aos treinos livres. Com apenas um treino antes da classificação da sprint, as equipes têm menos tempo para encontrar o acerto ideal, o que pode aumentar a imprevisibilidade.

O formato também cria uma programação mais atraente para o público, já que existe ação competitiva na sexta-feira, no sábado e no domingo. Ao mesmo tempo, a expansão das sprints pode desagradar alguns pilotos. Max Verstappen, por exemplo, já criticou anteriormente o aumento desse tipo de corrida e chegou a discutir a possibilidade de deixar a Fórmula 1 caso o número de sprints continuasse crescendo, embora essas declarações tenham ocorrido antes de seu novo acordo com a Red Bull.

O calendário também terá o retorno de Portimão, em Portugal, e Istanbul Park, na Turquia. Portugal voltará em junho por um acordo de dois anos, enquanto a Turquia terá um contrato de cinco anos. Os dois circuitos são conhecidos por características tradicionais de autódromos permanentes e já receberam corridas memoráveis da Fórmula 1.

O calendário de 2027 já está definido, mas 2026 ainda não

Outro ponto curioso é o momento do anúncio. A Fórmula 1 divulgou oficialmente o calendário de 2027 antes mesmo de a programação final da temporada de 2026 estar completamente definida.

Atualmente, Qatar e Abu Dhabi aparecem como as duas últimas etapas de 2026, marcadas respectivamente para 29 de novembro e 6 de dezembro. No entanto, a situação geopolítica do Oriente Médio mantém dúvidas sobre a realização dessas provas nas datas previstas.

A categoria teria inicialmente estabelecido meados de setembro como prazo para tomar uma decisão, mas esse limite teria sido deslocado para o fim do mês. Também existe a possibilidade de Imola entrar na discussão para receber a etapa final da temporada. Essas possibilidades ainda dependem de decisões futuras e, portanto, não representam uma alteração oficial do calendário.

Bahrain e Arábia Saudita também podem exigir atenção

O início da temporada de 2027 apresenta outra questão relacionada à situação da região. O Bahrein está programado para receber os testes de pré-temporada em fevereiro e também a abertura do campeonato, em 14 de março. Uma semana depois, seria a vez do GP da Arábia Saudita.

O problema é que as duas corridas originalmente previstas para 2026 na região foram canceladas e substituídas no calendário. Caso a situação geopolítica continue instável, a Fórmula 1 poderá precisar avaliar novamente seus planos para o início da temporada. Diferentemente do problema envolvendo o encerramento de 2026, porém, existe mais tempo para que a categoria tome uma decisão antes de março de 2027.

Um calendário com pontos positivos e uma escolha controversa

O calendário de 2027 reúne algumas mudanças relevantes. O retorno de Portimão e Istambul amplia a presença de circuitos tradicionais, enquanto o aumento de seis para dez sprints representa uma expansão significativa do formato. Ao mesmo tempo, colocar uma sprint em Mônaco levanta uma questão esportiva específica: um formato criado para aumentar a ação competitiva funciona em um circuito no qual ultrapassar é historicamente difícil?

A resposta dependerá não apenas do traçado, mas também das características dos carros de 2027, das estratégias e do comportamento dos pneus. Mônaco continuará tendo enorme importância histórica e comercial para a Fórmula 1. A dúvida é se uma corrida curta será capaz de acrescentar competição ao fim de semana ou apenas reproduzir, em uma distância menor, o mesmo problema que há anos acompanha o GP de domingo.

A decisão da F1 coloca Monte Carlo diante de um experimento inédito e o resultado poderá influenciar a forma como a categoria enxerga as sprints em circuitos de rua no futuro.

(Foto: Reprodução/ Fórmula 1)