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Matchmaking UFC 332: os próximos passos das estrelas do evento

O UFC 332 deixou poucas dúvidas sobre quem precisa subir na fila e muitas perguntas sobre quem ainda sabe exatamente para onde está indo. Em Salt Lake City, Natália Silva conquistou o cinturão peso-mosca feminino, Payton Talbott consolidou sua ascensão no peso-galo e nomes como Wang Cong e Deiveson Figueiredo saíram do evento diante de cenários completamente diferentes.

É justamente por isso que o matchmaking depois do evento precisa ser pensado menos pela lógica de simplesmente colocar o vencedor contra alguém que também venceu e mais pela necessidade de cada divisão.

Natália Silva está em uma situação bastante particular. A brasileira conquistou o cinturão que estava vago, mas a ausência de Valentina Shevchenko é circunstancial. A ex-campeã deixou o título por causa de uma lesão e continua sendo a principal referência da categoria.

No peso-galo, Talbott fez aquilo que se espera de uma estrela em ascensão: derrotou um ex-campeão de maneira dominante e agora precisa dar um passo acima. A questão é descobrir qual degrau faz sentido sem acelerar demais sua trajetória.

Já Figueiredo está diante de uma decisão que não pode ser tomada apenas pelo UFC. Depois da terceira derrota consecutiva e da quinta derrota em suas últimas seis lutas, o brasileiro precisa decidir se ainda existe um projeto competitivo para sua carreira ou se chegou o momento de parar.

Natália Silva x Valentina Shevchenko é o combate que a divisão está pedindo

Natália Silva não precisa de uma luta para provar que pertence ao topo. Ela acabou de conquistar o cinturão e chegou ao título depois de uma sequência impressionante de vitórias. Agora, sua primeira defesa deveria ser contra a mulher que ainda representa o maior nome da divisão: Valentina Shevchenko.

A situação é diferente de uma simples disputa entre campeã e desafiante. Valentina não perdeu o cinturão dentro do octógono. O título ficou vago por causa de uma lesão, o que significa que a brasileira conquistou a posição de campeã sem necessariamente encerrar a história da antiga dona da divisão.

Por isso, o retorno de Shevchenko cria um problema que o UFC terá de resolver. A organização pode simplesmente reconhecer Natália como a nova líder da categoria e construir uma fila de desafiantes. Mas isso deixaria de lado uma rivalidade que praticamente se escreve sozinha. Valentina é a maior referência histórica do peso-mosca e Natália acabou de ocupar o lugar que ficou aberto com sua ausência.

Além disso, existe um componente esportivo importante. Natália já venceu Alexa Grasso anteriormente, o que torna menos urgente repetir esse confronto imediatamente. Grasso, por sua vez, acabou de derrotar Manon Fiorot e pode ser utilizada para definir a próxima desafiante enquanto Shevchenko se recupera. A prioridade, portanto, deveria ser clara: Natália Silva x Valentina Shevchenko.

O único problema é o tempo. Se a recuperação de Valentina for longa demais, o UFC não pode deixar a campeã parada durante meses esperando. Nesse caso, a organização precisaria encontrar uma solução provisória, mas, se Shevchenko estiver disponível em um prazo razoável, não existe razão esportiva para escolher outra adversária.

A luta também teria uma narrativa muito maior do que apenas uma defesa de cinturão. Seria o confronto entre a campeã que assumiu a divisão durante a ausência da antiga dominante e a mulher que pretende recuperar imediatamente o lugar que considera seu.

Wang Cong x Alexa Grasso pode ser a eliminatória perfeita para o UFC

Se Natália vai enfrentar Valentina, o caminho mais lógico para Wang Cong passa por Alexa Grasso. Wang perdeu a disputa pelo cinturão, mas sua posição dentro da divisão não desabou. Ela continua sendo uma das principais lutadoras da categoria e demonstrou, especialmente nos rounds finais contra Natália, que possui recursos para competir no alto nível.

Colocá-la contra Grasso seria interessante porque as duas teriam algo importante em jogo. Grasso chega de uma vitória sobre Manon Fiorot, resultado que recolocou a ex-campeã no caminho do título. Wang, por outro lado, acabou de disputar cinco rounds pelo cinturão e precisa de uma vitória relevante para provar que aquela derrota não encerrou sua primeira grande escalada.

A luta poderia funcionar como uma eliminatória para enfrentar a vencedora de Natália e Valentina. Existe ainda uma vantagem comercial. Grasso já possui o reconhecimento de uma ex-campeã, enquanto Wang ganhou exposição justamente por chegar à luta principal do UFC 332. Nenhuma das duas precisaria de um adversário de reconstrução.

E, ao mesmo tempo, a organização evitaria travar a divisão. Se Grasso vencer, poderá voltar a disputar o cinturão contra uma adversária que já conhece. Se Wang vencer, terá eliminado uma ex-campeã e se colocado novamente na disputa. É uma situação na qual praticamente qualquer resultado produz uma próxima luta lógica.

O UFC precisa apenas evitar transformar a divisão em uma sequência de revanche sem necessidade. Se Natália x Valentina acontecer, Wang x Grasso oferece uma maneira de manter a categoria movimentada sem tirar o sentido da luta pelo título.

Payton Talbott precisa de um ranqueado, mas não precisa de uma prova de fogo

Payton Talbott é provavelmente o nome que mais precisa de cuidado no matchmaking. O norte-americano acabou de destruir Deiveson Figueiredo no primeiro round, depois de já ter derrotado Henry Cejudo. São dois ex-campeões que carregam enorme experiência, e Talbott saiu dessas lutas com a imagem de um lutador que está pronto para ocupar espaço entre os melhores.

Mas existe uma diferença entre estar pronto para entrar no ranking e estar pronto para enfrentar alguém do Top 5. Talbott ainda precisa construir essa transição.

Por isso, Montel Jackson faz bastante sentido. É o tipo de confronto que pode colocar Talbott oficialmente diante de um adversário ranqueado sem obrigá-lo a saltar vários degraus de uma vez. Jackson possui experiência, tamanho e qualidade suficientes para testar o jovem, mas não representa necessariamente uma barreira que interromperia sua ascensão.

Para Talbott, seria uma oportunidade de provar que consegue reproduzir sua performance contra Figueiredo diante de um lutador mais próximo da elite atual da categoria.

E existe uma questão estratégica importante.

Talbott já chamou Sean O’Malley depois da vitória, o que é compreensível do ponto de vista de popularidade. O problema é que O’Malley está em outro estágio de carreira e uma luta imediata poderia colocar Talbott em uma situação na qual a recompensa é enorme, mas o risco esportivo também é desproporcional.

Montel Jackson oferece um caminho mais racional. Se Talbott vencer novamente de maneira convincente, aí sim a conversa muda. Ele poderia enfrentar um nome do Top 10 e começar a se aproximar de uma disputa pelo cinturão.

O UFC não precisa frear sua ascensão. Precisa apenas evitar queimá-la.

Figueiredo precisa decidir se ainda quer ser lutador antes de escolher seu próximo adversário

O caso de Deiveson Figueiredo é completamente diferente.Seria fácil simplesmente escolher um adversário para ele e seguir adiante. Mas talvez essa seja justamente a pior maneira de tratar sua situação.

Figueiredo tem 38 anos, foi campeão dominante do peso-mosca e construiu uma carreira que já lhe garante um lugar importante na história do UFC. Porém, a derrota para Talbott foi sua terceira consecutiva e a quinta em suas últimas seis lutas.

A questão, portanto, não é apenas quem ele deveria enfrentar. É se ele deveria enfrentar alguém.

O brasileiro pode voltar ao peso-mosca, onde construiu seu legado, e tentar encontrar uma última corrida competitiva. O cenário atual da categoria, com Joshua Van no topo, poderia oferecer uma nova motivação, mas retornar aos 57 kg depois de anos no peso-galo também exigiria uma avaliação bastante séria de seu corpo.

Não faria sentido colocar Figueiredo imediatamente diante de outro adversário perigoso apenas para mantê-lo ativo. Ele precisa recuperar confiança e, principalmente, descobrir se ainda possui condições físicas e mentais para competir no nível exigido.

Por isso, o próximo passo de Figueiredo deveria começar fora do octógono. Se ele quiser continuar, uma volta ao peso-mosca pode ser interessante. Um adversário fora do ranking, mas experiente e competitivo, permitiria que ele descobrisse se ainda existe uma versão capaz de lutar no mais alto nível.

Se a avaliação for diferente, a aposentadoria também não seria uma decisão absurda. Figueiredo não precisa provar mais nada para justificar sua carreira. O ex-campeão já passou por grandes rivalidades, conquistou o cinturão e enfrentou alguns dos melhores lutadores de sua geração. O perigo agora é continuar apenas porque parar parece difícil.

A derrota para Talbott foi tão simbólica porque colocou Figueiredo diante de um lutador que representa exatamente o que ele já foi: um atleta jovem, explosivo e faminto tentando tomar o espaço de uma geração anterior.

Talvez seja esse o momento em que Figueiredo precise decidir se ainda quer disputar esse espaço.