Adam Wharton Liverpool
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Adam Wharton pode dar ao Liverpool uma dimensão que Curtis Jones nunca ofereceu; entenda

O Liverpool está prestes a viver uma mudança importante em seu meio-campo. Depois de 16 anos ligados ao clube, Curtis Jones tem uma transferência encaminhada para a Inter de Milão por €35 milhões, abrindo espaço para Andoni Iraola buscar uma nova peça para o setor. E o nome escolhido pode ser Adam Wharton, do Crystal Palace.

A possível chegada do inglês representa uma mudança interessante de perfil. Jones e Wharton ocupam posições semelhantes, mas não interpretam a função da mesma maneira. Enquanto o primeiro ficou conhecido pela condução de bola, pelo volume de passes e pela capacidade de avançar carregando a posse, Wharton oferece algo que pode ser ainda mais valioso para o Liverpool atual: capacidade de criar a partir de zonas mais profundas.

Segundo as informações sobre a negociação, o Crystal Palace estaria pedindo cerca de €90 milhões (£78 milhões) pelo jogador de 22 anos. O valor faria de Wharton a maior venda da história do clube londrino, superando os €69 milhões pagos pelo Arsenal por Eberechi Eze no último verão.

É um investimento pesado, mas existe uma lógica por trás dele.

Adam Wharton não é apenas um substituto para Curtis Jones

À primeira vista, a troca parece simples: sai Curtis Jones, entra Adam Wharton. Na prática, o Liverpool estaria fazendo uma alteração significativa na maneira como pretende construir suas jogadas.

Jones passou 16 anos no clube e se tornou um jogador bastante identificado com os Reds. Sua principal característica era a capacidade de participar constantemente da circulação da bola, oferecendo passes e conduzindo a equipe para frente.

Wharton, por outro lado, pode ter menos participação em volume, mas sua influência aparece de maneira diferente.

O meio-campista do Crystal Palace é particularmente perigoso quando recebe a bola mais atrás. Sua qualidade no passe permite que encontre companheiros em posições avançadas e quebre linhas sem precisar carregar a bola por dezenas de metros.

Isso pode mudar bastante o funcionamento do Liverpool.

Em vez de depender tanto de um meio-campista para avançar com a bola, a equipe pode encontrar Wharton mais próximo dos zagueiros, organizando a saída e procurando rapidamente os atacantes.

É uma diferença pequena no desenho tático, mas enorme na prática.

Wharton pode liberar Szoboszlai

Talvez o maior benefício da contratação de Adam Wharton não esteja diretamente relacionado ao próprio Wharton. A chegada do inglês poderia permitir que Dominik Szoboszlai tivesse mais liberdade para atuar em zonas ofensivas.

O húngaro mostrou em alguns momentos da última temporada que é bastante perigoso quando consegue avançar no campo. Sua capacidade física, chegada à área e qualidade para pressionar podem ser muito mais úteis perto do ataque do que em funções defensivas.

O problema é que o Liverpool sofreu com uma crise de lesões e precisou improvisar em diferentes posições. Em determinado momento, Szoboszlai até teve de desempenhar uma função de lateral-direito.

Com Wharton protegendo a defesa e organizando a saída, Iraola poderia deixar Szoboszlai mais próximo dos jogadores de frente. E isso pode ser uma das grandes mudanças do novo Liverpool.

Passe de Wharton combina com Isak

Existe ainda outro motivo para a contratação fazer sentido: Alexander Isak. O atacante sueco será uma das principais referências ofensivas do Liverpool, e sua movimentação combina muito bem com um meio-campista capaz de encontrar passes verticais desde zonas profundas.

Wharton pode receber a bola na frente da defesa e procurar rapidamente os espaços atacados por Isak. Em transições ofensivas, isso pode ser especialmente perigoso.

Imagine o cenário: o Liverpool recupera a bola, Wharton levanta a cabeça e encontra Isak atacando o espaço antes que a defesa consiga se reorganizar.

Não é necessário trocar 25 passes para criar uma oportunidade. Um bom passe pode fazer o trabalho de todos eles. Essa característica pode ser ainda mais valiosa em uma equipe que conta com atacantes rápidos e agressivos.

Números mostram que Wharton impacta o jogo

Os números de Adam Wharton na última temporada não contam toda a história.

O meio-campista terminou com apenas um gol e sete assistências em 53 partidas por todas as competições. Para um jogador que atua mais recuado, porém, olhar apenas para gols e assistências seria um erro.

Sua influência na construção foi muito maior. Dados da SciSports colocaram Wharton entre os meio-campistas de melhor desempenho da Premier League na última temporada, com uma avaliação superior à de Curtis Jones.

O inglês também se destacou pela capacidade de criar oportunidades a partir de zonas profundas, superando outros meio-campistas da competição em indicadores relacionados a passes progressivos e expectativa de assistência.

É justamente aí que está o diferencial.

Wharton não precisa necessariamente aparecer na área para ser decisivo. Ele pode começar a jogada que termina em gol muitos segundos antes de o atacante receber a bola.

Para um time como o Liverpool, isso pode ter enorme valor.

Liverpool terá de decidir quanto está disposto a pagar

O grande obstáculo é o preço. O Crystal Palace quer aproximadamente €90 milhões pelo jogador. É uma quantia considerável, especialmente para alguém que ainda tem apenas 22 anos.

Por outro lado, o Liverpool já mostrou que não tem medo de abrir os cofres quando acredita que encontrou uma peça realmente importante.

Na última janela, Alexander Isak e Florian Wirtz chegaram em negociações superiores a €100 milhões. O clube também viu recentemente Elliot Anderson e Sandro Tonali movimentarem valores acima dessa faixa no mercado.

A possível contratação de Wharton, portanto, não seria exatamente uma loucura financeira dentro do novo cenário da Premier League.

Ainda assim, €90 milhões exigem uma certeza grande de que o jogador será capaz de entregar no mais alto nível. O Liverpool precisa avaliar se está comprando um excelente meio-campista do Crystal Palace ou um jogador capaz de se tornar referência em Anfield.

Saída de Jones pode fazer sentido

Curtis Jones deixar o Liverpool depois de tantos anos certamente terá um peso emocional.

Formado no clube, o meio-campista chegou à equipe principal, conquistou títulos e se tornou uma peça importante do elenco. Mas futebol de alto nível também é sobre evolução, e a saída pode representar uma oportunidade para as duas partes.

A Inter de Milão ganha um jogador tecnicamente qualificado, enquanto o Liverpool abre espaço para um perfil diferente. A questão não é necessariamente dizer que Wharton é melhor que Jones em todos os aspectos. Não é. Eles simplesmente oferecem coisas diferentes.

Jones é mais confortável carregando a bola e participando constantemente da circulação. Wharton pode ser mais influente na criação a partir de trás e na organização do time.

Para o Liverpool de Iraola, essa segunda característica pode ser exatamente o que faltava.

Mudança que pode transformar o meio-campo

Se a negociação avançar, Adam Wharton pode ser uma das contratações mais importantes do Liverpool nesta nova fase.

O clube não estaria apenas substituindo Curtis Jones. Estaria mudando a maneira como o meio-campo funciona.

Wharton pode atuar como uma espécie de ponte entre defesa e ataque, oferecendo segurança na frente da zaga e, ao mesmo tempo, qualidade para encontrar os jogadores ofensivos.

Isso permitiria a Szoboszlai jogar mais adiantado, daria liberdade para outros meio-campistas e poderia potencializar Alexander Isak e o restante do ataque.

Tudo isso explica por que o Liverpool estaria disposto a considerar um investimento tão alto. A pergunta agora é se o Crystal Palace vai aceitar negociar por um valor abaixo dos €90 milhões ou se os Reds terão de bater o recorde de venda dos Eagles para levar Wharton para Anfield.

Se o negócio acontecer, talvez o Liverpool não esteja simplesmente perdendo Curtis Jones. Pode estar finalmente encontrando um meio-campista capaz de fazer algo que Jones nunca teve como principal característica: transformar a saída de bola em uma arma ofensiva por conta própria.

Foto: Divulgação