Ancelotti e Vini Jr
Futebol Seleção Brasileira

Ancelotti no Brasil: um balanço dos primeiros 15 dias à frente da Seleção Brasileira!

A chegada de Carlo Ancelotti já gritou mudanças logo nos dois primeiros jogos à frente da Seleção Brasileira. O empate contra o Equador, em Guayaquil, trouxe alguns pontos positivos, mesmo sem a vitória. Mas, apesar da ansiedade pelo primeiro triunfo do italiano no comando, ele foi conquistado contra o Paraguai, na Neo Química Arena, nesta última terça-feira (10).

As novidades de Ancelotti com a Seleção já haviam aparecido desde a sua apresentação, quando convocou novos nomes e, ao mesmo tempo, tentou recuperar peças conhecidas. Começando pelos rostos que já haviam passado pelo Brasil: Casemiro deu as caras e, sinceramente, não parece interessado em sair de cena tão cedo. Simplesmente jogou como quem nunca deveria ter deixado de ser convocado para todas as Datas FIFA, algo que, aliás, não vinha acontecendo.

Casemiro recuperou seu nível no Manchester United, e Carlo Ancelotti, que o conhece como poucos, não ignorou isso. Assim como Ancelotti acertou, também teve seus tropeços. O caso mais claro foi Richarlison: o atacante do Tottenham não conseguiu justificar sua presença entre os nomeados para receber uma chance. E, convenhamos, a situação ficou ainda mais complicada depois das boas atuações recentes de Igor Jesus pelo Botafogo, tudo diante dos olhos atentos de Carletto.

Saindo dos nomes conhecidos, Carlo Ancelotti acertou em cheio na aposta pelo zagueiro Alexsandro, que foi uma base sólida ao lado de Marquinhos. Para uma Seleção Brasileira que vinha sofrendo bastante defensivamente, passar dois jogos sem sofrer gols é algo para se comemorar. E o melhor: é possível ver os ajustes de Ancelotti a olho nu. O jogador do Lille parece ter conquistado seu espaço, e, sinceramente, não deve parar de vestir amarelo tão cedo.

Depois desta Data FIFA, vale a pena dar uma olhada mais detalhada em como foram os dois primeiros jogos de Ancelotti no comando da Seleção Brasileira.

Ancelotti conhece o futebol sul-americano

Ancelotti Brasil x Equador
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

 

A primeira experiência de Carlo Ancelotti no cenário sul-americano foi, digamos, um tanto conturbada. Com grandes expectativas em cima, viu seus onze jogadores sofrerem para trabalhar num gramado pra lá de questionável em Guayaquil. O Equador, por sua vez, parecia bem mais preparado, afinal, os brasileiros ainda estavam se adaptando aos poucos treinos com o técnico italiano.

Nada disso impediu a Seleção de competir. Ancelotti começou com um 4‑3‑3 (com jeitão de 4‑5‑1 bem defensivo), deixando claro que a prioridade era fechar a casinha. E, para quem conhece o estilo de Carlo Ancelotti, não é surpresa: ele sempre construiu seus times com defesas sólidas.

Além da linha de quatro bem firme, Ancelotti colocou uma trinca de volantes protegendo ainda mais a defesa, dificultando bastante a vida dos equatorianos. O problema foi que o meio-campo não teve muito carinho com a bola. A criação praticamente não existiu e, quando a redonda finalmente chegava no ataque, Richarlison não conseguia segurar para construir as jogadas.

Ou seja, ofensivamente, tudo deu errado. Mas, defensivamente, foi uma aula. E, querendo ou não, ficou a lição para o próximo compromisso.

Brasil começa a soltar o jogo com Ancelotti

Ancelotti Brasil
Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF

 

No jogo seguinte, em casa, contra o Paraguai, Carlo Ancelotti resolveu ser mais “soltinho”, no melhor estilo brasileiro. Afinal, ninguém quer ver a Amarelinha jogando pra trás, e pelo jeito, Ancelotti também não. O italiano colocou o time no ataque e os paraguaios, no fim das contas, até saíram no lucro com a derrota mínima de 1 a 0.

As mudanças de Ancelotti foram pra lá de animadas: Estêvão, Gerson e Richarlison deram lugar para Raphinha, Martinelli e Matheus Cunha. A ideia de ter um centroavante fixo foi para o espaço. O plano de Ancelotti era criar algo muito parecido com o que fazia no seu Real Madrid: ataque móvel, onde ninguém tem posição fixa. É cada um por si, e quem parar, dança.

Essa movimentação foi um respiro para a Seleção Brasileira. E não dá para deixar de lado a liberdade dada aos laterais. O time jogava praticamente num 3‑2‑5 quando atacava, com Vanderson aproveitando os espaços pelo lado direito. Enquanto isso, Raphinha se preocupava mais em criar jogadas, puxando para a perna esquerda para buscar finalizações.

Com uma pressão alta e recuperações rápidas, o time de Ancelotti jogava para resolver logo o jogo contra o Paraguai. E conseguiu. O Brasil não sofreu e, no fim, garantiu a primeira vitória do italiano no comando da Seleção Brasileira. E olha, tem tudo para ser apenas a primeira de muitas!