Didier Deschamps, França, Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/FFF.fr
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Após Deschamps, Zidane tem a difícil missão de achar o equilíbrio em uma geração de ouro

Didier Deschamps deixa a seleção francesa após construir um dos ciclos mais vitoriosos de sua história. Em 14 anos no comando, conquistou a Copa do Mundo de 2018, a Nations League de 2021 e ainda levou os Bleus às finais da Eurocopa de 2016 e do Mundial de 2022. Mesmo sem levantar a taça da Copa do Mundo de 2026, manteve a França como presença constante entre as principais potências do futebol internacional.

Agora, o bastão passa para Zinedine Zidane. O maior ídolo da história recente do futebol francês assume uma seleção acostumada a disputar títulos, mas com um desafio que vai muito além da prancheta: encontrar o equilíbrio em uma geração repleta de estrelas.

Um problema que qualquer seleção gostaria de ter

França, Copa do Mundo. Foto: Reuters/Lee Smith
França, Copa do Mundo. Foto: Reuters/Lee Smith

 

Poucas equipes do mundo possuem tantas opções de alto nível quanto a França. Se por um lado isso amplia as alternativas para o treinador, por outro torna cada escolha ainda mais delicada.

O setor ofensivo simboliza esse cenário. Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise, Bradley Barcola, Désiré Doué, Rayan Cherki e Randal Kolo Muani disputam vagas em um ataque que, naturalmente, não comporta todos ao mesmo tempo.

Didier Deschamps, França. Foto: Hector Vivas/FIFA via Getty Images.
Didier Deschamps, França. Foto: Hector Vivas/FIFA via Getty Images.

 

Segundo análise do jornal espanhol AS, foi justamente essa concentração de talento que levou Deschamps a remodelar sua equipe nos últimos anos.

Com o declínio ou a saída de jogadores fundamentais para o equilíbrio do meio-campo, como Paul Pogba, Blaise Matuidi e N’Golo Kanté em seu auge, a França passou a apostar em um modelo mais agressivo e ofensivo, potencializando a qualidade individual de seus atacantes.

A grande dúvida agora é se Zidane manterá essa filosofia ou imprimirá uma identidade própria aos Bleus.

Administrar tantos talentos será um desafio árduo e tanto

Zinedine Zidane, França. Foto: Reprodução/AFP.
Zinedine Zidane, França. Foto: Reprodução/AFP.

 

O desafio do novo treinador não se resume à formação tática. A França reúne protagonistas em praticamente todos os setores do campo. No meio, Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga, Warren Zaïre-Emery e Manu Koné disputam espaço.

Na defesa, William Saliba, Ibrahima Konaté, Dayot Upamecano, Jules Koundé e Theo Hernández oferecem diferentes características para o sistema defensivo.

Diante de tantas opções, Zidane precisará definir funções, estabelecer uma hierarquia e, principalmente, administrar egos e expectativas. Afinal, nem todos poderão ser titulares em uma seleção acostumada a reunir jogadores de elite.

Se existe alguém preparado para lidar com um elenco estrelado, esse alguém é Zidane. Durante sua passagem pelo Real Madrid, o francês comandou um dos grupos mais talentosos da história recente do futebol, com nomes como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema, Luka Modrić, Toni Kroos e Sergio Ramos.

Sob seu comando, o clube conquistou três títulos consecutivos da Champions League entre 2016 e 2018, feito inédito na era moderna da competição. Zidane ficou marcado pela capacidade de administrar um vestiário repleto de personalidades fortes, característica que será novamente colocada à prova na seleção francesa.

Nesse novo ciclo, Kylian Mbappé tende a assumir um protagonismo ainda maior. Capitão da seleção e principal referência técnica da equipe, o atacante será a ponte entre o legado construído por Deschamps e o projeto liderado por Zidane.

Ao seu redor, jovens como Désiré Doué, Rayan Cherki, Bradley Barcola, Michael Olise e Warren Zaïre-Emery representam a continuidade de uma geração que ainda tem potencial para dominar o futebol internacional por muitos anos.

O desafio é transformar talento em títulos

França - Mbappé, Olise e Dembelé
Foto: Simon Stacpoole/Offside/Offside via Getty Images

 

A França inicia um novo capítulo carregando uma das maiores riquezas do futebol mundial: profundidade de elenco. Mas, ao mesmo tempo, essa abundância transforma cada decisão em um exercício de gestão.

Deschamps deixa como legado uma seleção vencedora e competitiva. Agora, caberá a Zidane provar que é possível manter esse patamar sem desperdiçar uma geração que reúne alguns dos melhores jogadores do planeta.

Mais do que encontrar um time ideal, o novo treinador — pós Era Deschamps — terá a missão de fazer inúmeras estrelas brilharem na mesma constelação. É esse equilíbrio que pode definir se a França continuará no topo do futebol mundial nos próximos anos.

Créditos da foto de capa: Reprodução/FFF.fr