O Athletico encontrou uma maneira de vencer quando tudo parecia escapar
O Athletico viveu contra o Bahia uma daquelas noites que explicam muito mais sobre uma equipe do que uma vitória tranquila.
O 2 a 1 na Arena da Baixada teve praticamente todos os elementos possíveis: bom início, gol, erro individual, pressão, vantagem recuperada, pênalti nos acréscimos e uma defesa que transformou um possível empate em uma vitória para ficar na memória.
O resultado colocou o Furacão novamente na terceira posição do Brasileirão, com 49 pontos, quatro a mais que o Cruzeiro, sexto colocado. Mais do que isso, mostrou uma característica que costuma aparecer em equipes preparadas para momentos decisivos: capacidade de continuar competindo mesmo quando a partida sai completamente do controle.
O Athletico não jogou bem durante os 90 minutos. Mas encontrou respostas quando precisou.
E isso também é parte do trabalho que Odair Hellmann vem desenvolvendo.
O jogo mostrou um Athletico capaz de começar impondo seu ritmo
Mesmo sem jogadores importantes, como Benavídez, João Cruz e Viveros, o Athletico começou a partida com intensidade.
A equipe pressionou o Bahia, ocupou o campo ofensivo e criou dificuldades para o adversário sair jogando. A postura foi recompensada aos 15 minutos, quando Esquivel apareceu dentro da área e finalizou com precisão para abrir o placar.
Era o cenário que o Furacão queria. Só que a vantagem não durou muito. Apenas 10 minutos depois, um cruzamento para a área terminou em falha de Mycael. A bola sobrou limpa para Erick Pulgar, que apenas completou para o gol vazio.
O empate mudou o comportamento do Athletico.
O time perdeu intensidade, passou a errar mais e terminou o primeiro tempo claramente incomodado. O Bahia cresceu justamente porque conseguiu tirar do Furacão a capacidade de jogar no ritmo apresentado nos minutos iniciais.
Foi aí que Odair precisou interferir.
Odair mexeu e encontrou respostas no banco
A mudança no intervalo foi importante porque o Athletico precisava recuperar agressividade sem perder organização. Dudu e Rivaldo entraram e ajudaram a mudar o cenário. Rivaldo, inclusive, foi o responsável pelo segundo gol, aos 23 minutos da etapa final, aproveitando mais uma assistência de Vargas.
A vantagem novamente estava nas mãos do Furacão. E, naquele momento, a missão parecia simples: controlar os minutos finais e confirmar uma vitória importante em um confronto direto na parte de cima da tabela.
Só que o futebol raramente respeita roteiros.
Aos 46 minutos, Anderson Daronco foi ao VAR e marcou pênalti por toque no braço de Jadson. O empate voltou a ficar a um chute de distância.
Era o tipo de situação capaz de desmontar emocionalmente uma equipe. O Athletico, porém, tinha uma última resposta.
Mycael saiu de vilão para herói
O mesmo goleiro que havia cometido o erro no gol do Bahia agora tinha a responsabilidade de impedir que a vantagem desaparecesse.
E Mycael conseguiu.
Everaldo bateu no canto esquerdo, e o goleiro athleticano voou para defender a cobrança já nos acréscimos. O lance encerrou uma noite em que o Athletico precisou conviver com seus próprios erros e, ainda assim, encontrou uma maneira de sair vencedor.
Esse talvez seja o principal retrato da partida. Mycael falhou, mas não se escondeu. O time perdeu o controle em determinado momento, mas conseguiu recuperá-lo. O adversário pressionou e teve a oportunidade de empatar, mas o Furacão resistiu.
É isso que torna a vitória mais significativa do que simplesmente os três pontos.
O Athletico mostrou caráter competitivo.
O trabalho de Odair aparece justamente nesses momentos
A evolução do Athletico não pode ser explicada apenas por uma sequência de resultados. Existe um padrão de comportamento aparecendo na equipe.
Odair Hellmann conseguiu construir um time com identidade coletiva, capaz de competir mesmo quando precisa alterar peças e enfrentar adversidades durante a partida. Contra o Bahia, isso ficou evidente mais uma vez.
O treinador não contou com todos os seus principais jogadores, precisou mexer no intervalo e viu sua equipe atravessar diferentes momentos dentro da mesma partida.
Ainda assim, o funcionamento não desmoronou. Essa é uma diferença importante.
Um time em desenvolvimento não é aquele que nunca enfrenta problemas. É aquele que consegue encontrar respostas para eles.
E o Athletico tem feito isso com cada vez mais frequência.
A continuidade também ajuda. Odair tem um trabalho que ultrapassa a preparação de uma sequência específica de jogos e busca consolidar uma identidade para a equipe. O próprio treinador destacou, após a vitória, a regularidade de desempenho e a existência de um conceito coletivo bem definido.
O Athletico está aprendendo a competir no topo
A vitória sobre o Bahia também ganha importância pelo contexto da temporada.
O Athletico retornou à Série A em 2026 e rapidamente se colocou entre os primeiros colocados. Agora, com 49 pontos após 28 rodadas, aparece em terceiro lugar e abre quatro pontos para o Cruzeiro, primeiro time fora da faixa que disputa as vagas para a Libertadores na tabela atual.
Ainda existe muito campeonato pela frente. Mas a equipe já não pode ser tratada apenas como uma surpresa momentânea.
O Athletico vem construindo uma campanha sustentada por organização, competitividade e capacidade de encontrar soluções mesmo quando as partidas ficam difíceis.
Contra o Bahia, isso apareceu da maneira mais dramática possível. O time teve a vitória nas mãos, quase deixou escapar e precisou de uma defesa de pênalti no último grande lance para confirmar o resultado.
É justamente esse tipo de jogo que pode fortalecer uma equipe.
Não porque o sofrimento seja necessário, mas porque atravessar situações adversas aumenta a confiança no próprio trabalho.
O caráter virou parte da identidade do Furacão
O Athletico ainda tem pontos para melhorar. A equipe não pode depender sempre de uma defesa milagrosa nos acréscimos para confirmar uma vitória que poderia ser construída com mais controle.
Mas também seria injusto ignorar o outro lado da história. O Furacão errou, sofreu, perdeu o controle e voltou a encontrar o caminho. Isso não acontece apenas por acaso. Há trabalho por trás.
Odair conseguiu montar uma equipe que entende como competir, e agora começa a colher os efeitos de um processo mais longo. Os jogadores que entram conseguem contribuir, o sistema oferece segurança e, principalmente, o grupo demonstra capacidade de permanecer concentrado quando a partida exige mais do que qualidade técnica.
O Athletico está no G-4 por causa dos pontos que conquistou. Mas começa a mostrar que pode permanecer entre os primeiros justamente porque aprendeu a enfrentar os momentos em que esses pontos parecem escapar.
E talvez essa seja a maior evolução do trabalho de Odair Hellmann. O Furacão não precisa vencer todas as partidas com tranquilidade.
Precisa continuar mostrando que, quando o jogo virar um caos, ainda será capaz de encontrar uma maneira de sair dele. Contra o Bahia, encontrou.
Foto: Divulgação/Athletico-PR



