O Atlético-MG saiu do Mineirão com um empate por 1 a 1 diante do Cruzeiro, na noite de terça-feira (25), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. O resultado deixa a decisão aberta, mas coloca o Galo em uma situação que combina com o time de Eduardo Domínguez: decidir em casa e precisar de uma vitória simples para avançar.
Mais do que isso, o clássico reforçou uma característica que o Atlético vem apresentando há meses. A equipe não precisa controlar a partida para competir. Pode ter menos posse, sofrer em determinados momentos e, ainda assim, encontrar uma maneira de permanecer no confronto.
É justamente isso que ajuda a explicar a força do Galo nos mata-matas.
Domínguez encontrou uma identidade para o Atlético
O clássico teve um roteiro bastante próximo do que o treinador argentino costuma propor. O Cruzeiro terminou com 60% de posse de bola, mas não conseguiu transformar esse domínio em tantas oportunidades claras. Foram 13 finalizações, apenas uma no alvo.
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O Atlético priorizou a ocupação dos espaços e a proteção da própria área. Alan Franco, escalado na lateral direita, foi um exemplo disso. Sem a bola, cumpria a função do setor. Quando o Galo atacava, fechava por dentro e ajudava a congestionar o meio-campo.
É o “barbabol” de Domínguez aparecendo no campo.
A ideia não é simplesmente entregar a bola ao adversário. É permitir uma posse que, na visão do treinador, não necessariamente representa perigo. Depois do jogo, Domínguez voltou a defender essa escolha ao afirmar que “se ganha com gols, e não com a posse”.
O número de finalizações do Cruzeiro ajuda a entender o raciocínio.
O Atlético sabe conviver com momentos ruins
O Galo foi melhor no primeiro tempo, mas o Cruzeiro cresceu depois do intervalo. O gol de Arroyo mudou o jogo e colocou o Atlético em uma situação que poderia provocar uma mudança mais agressiva de comportamento.
Não aconteceu. Domínguez manteve a estrutura, e a equipe encontrou o empate em uma jogada rápida. Cuello avançou pela esquerda, encontrou Lodi, e o lateral apareceu na área para finalizar.
Esse é um dos pontos mais interessantes do Atlético atual. Quando o adversário cresce, o time não necessariamente abandona o plano para tentar recuperar o controle imediatamente. Contra o Cruzeiro, isso foi importante.
O Atlético conseguiu sobreviver ao melhor momento do rival e levou a decisão para a Arena MRV. Em uma série de 180 minutos, não sair derrotado de um jogo no qual o adversário teve mais posse e cresceu no segundo tempo tem bastante valor.
O mata-mata combina com o estilo do Galo
A proposta de Domínguez parece especialmente adequada para partidas eliminatórias. Em um campeonato de pontos corridos, jogar muitas vezes sem controlar o ritmo pode cobrar seu preço. Em uma Copa, a lógica é diferente. Nem sempre será necessário ser o melhor time durante os 90 minutos. Em determinadas noites, basta cometer menos erros, aproveitar a oportunidade que aparecer e chegar vivo ao jogo seguinte.
O Atlético tem feito isso. A equipe já soma 12 partidas de invencibilidade e construiu uma maneira de jogar que não depende de números de posse ou de uma grande quantidade de finalizações para funcionar.
Isso não significa que o time não tenha problemas. Tem, e o ataque é provavelmente o principal deles.
Centroavantes ainda são uma preocupação
Cassierra teve uma atuação discreta no clássico. Recebeu poucas bolas e não conseguiu participar como o Atlético esperava. Thiago Borbas entrou na etapa final, mas também não mudou significativamente o cenário. Esta é uma questão que merece atenção de Domínguez.
O Atlético tem encontrado gols com jogadores de outras posições, como aconteceu com Lodi diante do Cruzeiro, mas não pode depender sempre de uma solução pontual. Conforme os adversários ficam mais fortes e os espaços diminuem, a participação dos centroavantes tende a ser cada vez mais importante.
Por outro lado, a consistência defensiva e a organização coletiva dão ao treinador uma margem para trabalhar essa deficiência sem precisar alterar toda a estrutura. E talvez essa seja a principal diferença deste Atlético para equipes que simplesmente se fecham.
O Galo não joga apenas para se defender. Ele usa a organização sem a bola como ponto de partida para atacar quando encontra espaço.
A Arena MRV pode completar o trabalho
O empate no Mineirão deixa o Cruzeiro com uma obrigação clara para a volta: vencer fora de casa para avançar diretamente. Um novo empate leva a decisão para os pênaltis. O Atlético, por sua vez, não precisa inventar uma nova fórmula.
A força da equipe está justamente na identidade construída por Domínguez. O time sabe que pode passar longos períodos sem a bola sem necessariamente perder o controle emocional da partida. Também não costuma se desorganizar quando o cenário muda. Foi assim no Mineirão.
O Cruzeiro teve mais posse, cresceu no segundo tempo e saiu na frente. O Atlético encontrou uma resposta sem abandonar sua maneira de jogar e voltou para casa com a série completamente aberta. É por isso que o Galo se tornou tão competitivo em mata-matas.
Domínguez conseguiu fazer a equipe entender que controlar o jogo não significa necessariamente ter a bola. Às vezes, significa controlar os espaços, escolher onde sofrer e esperar o momento certo para atacar. Em uma competição na qual um erro pode encerrar a temporada, essa característica pesa.
Agora, diante da sua apaixonada torcida, o Atlético terá a oportunidade de transformar essa competitividade em classificação. Se mantiver o mesmo comportamento, não precisará mudar sua essência para chegar à semifinal.
O empate no Mineirão deixou tudo em aberto. Mas, para o Atlético de Domínguez, isso está longe de ser um problema.
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