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Em entrevista a Podcast, CEO do Botafogo prevê redução de R$ 500 milhões em dívidas até o final do ano

Em entrevista ao “Botafogo Podcast” na última segunda-feira (10), o CEO da SAF do Botafogo, Thairo Arruda, informou que com dois anos e meio do formato no clube, os problemas com dívidas e a asfixia financeira, recorrentes no Botafogo, ficaram menores. Segundo Thairo, o passivo (somatório das dívidas trabalhistas, cíveis e tributárias) era de R$ 1,1 bilhão no começo da Era-SAF.

“Quando começamos na SAF, o Botafogo tinha R$ 1,1 bilhão em passivo e R$ 120 milhões em receitas. Era uma relação de 1 para 10. Qualquer empresa de qualquer setor com esses valores é falência. Nosso primeiro trabalho foi entender o passivo e as oportunidades que tínhamos de destravar receitas. Fechamos o ano passado com R$ 530 milhões de receita. Em dois anos, é incrível o nível que crescemos” – completou.

Desde a chegada de John Textor, tratar as dívidas era prioridade no Botafogo, recentemente, o clube quitou R$ 130 milhões em vencimentos cíveis. Na esfera trabalhista, a estrela solitária contou com o Regime Centralizado de Execuções (RCE) ainda nos primeiros anos de SAF:

  • Dívidas trabalhistas: maior parte negociada via-RCE
  • Dívidas cíveis: negociadas pelo Regime Extrajudicial
  • Dívidas tributárias: ainda a serem negociadas

“Há três níveis de passivo: trabalhista, cível e tributário. Primeiro que focamos foi o trabalhista, porque é nele que sofremos mais. Há penhoras, decisões judiciais… Sofremos penhoras no começo da SAF, na maioria das vezes da Justiça do Trabalho. Assumimos o clube com R$ 220 milhões de dívida trabalhista, reestruturamos o RCE de forma que hoje temos R$ 150 milhões. Está bem equalizado, pagamos direitinho e os credores estão felizes” – afirmou Thairo.

“O próximo passo foi a dívida cível. Eram R$ 440 milhões, estávamos em negociação há um ano que resultou na Recuperação Extrajudicial. Tínhamos duas propostas que fizemos: os que queriam receber rápido, à vista, tinham que dar 90% de desconto. Os que queriam receber no longo prazo, davam 40% de desconto”.

“Fizemos benchmarks, entendemos como outras empresas faziam. É muito fácil fazer um acordo, o difícil é cumprir. Nesse sentido, conseguimos 65% de adesão, foi muito maior do que a gente esperava. Desses R$ 440 milhões, R$ 130 milhões preferiram receber no curto prazo, foi o que liquidamos no mês passado. Sobram R$ 310 milhões, que vão ser no longo prazo, mas esses já têm 40% de desconto. Hoje, nossa dívida cível está em R$ 180 milhões” – completou.

“A terceira etapa é trabalhar o tributário. Estamos em andamento e a expectativa é finalizar até o final do ano. E aí vamos concluir o trabalho de reestruturação do passivo do Botafogo. Se somar de tudo, esperamos fechar o ano com o passivo de R$ 600 milhões. Ou seja, de R$ 1,1 bilhão para R$ 600 milhões em dois anos. E nossa receita saiu de R$ 120 milhões para R$ 530 milhões. A relação de 10 para 1 está quase de 1 para 1” – finalizou.

 

MESMO COM ENXUGAMENTO, EMPRESÁRIOS COBRAM DÍVIDAS AO BOTAFOGO

Mesmo sendo SAF e com todo o processo de enxugamento, o Botafogo já foi acionado na Justiça por causa de dívidas novas. Em maio, o clube foi denunciado por um escritório de advocacia por 13 processos alegando comissão para intermediários, participação em direitos econômicos, verbas rescisórias e trabalhistas, mecanismo de solidariedade não pago, direitos de imagem e luvas. O total do montante é de cerca de R$ 20 milhões.

Sobre isso, Thairo deu a versão do clube do caso e explicou que alguns valores são desconhecidos pela diretoria da SAF:

“Nosso trajeto não é só rosas e flores. É muito difícil gerir um clube e o meio do futebol em si. A mídia tem um papel predominante no meio dos clubes. O papel da comunicação influencia muito no dia a dia. Esse caso, tivemos umas matérias ruins dizendo que o Botafogo não paga os empresários. Aí veio o presidente da associação de empresários falando “não façam negócio com o Botafogo”, “eles não pagam”. É exatamente o contrário disso. Fiz um levantamento sobre disso semana passada. Até hoje, no começo da SAF, tivemos R$ 38 milhões de luvas para empresários e nós fizemos R$ 26 milhões”.

“”Por que não pagaram tudo?” Temos alguns desentendimentos de valores com alguns empresários. A gente não reconhece 100% daquele passivo, temos problemas com um ou outro empresário que atuou contra a nossa instituição. Esses são os casos que levamos para o nível de discussão, tentando levar para um debate e conseguir um valor que seja bom para o clube. São justamente esses empresários que levam à tona o problema e generalizam. Eles trabalham contra o clube e prejudicam as negociações. Eles cobram valores que nós não reconhecemos que existem. Pagamos bem e em dia, a grande maioria”.

(Foto: Vítor Silva/Botafogo)