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Botafogo acende o sinal de alerta após empate com o Coritiba e segue sem margem para testes; confira as impressões do jogo

O empate por 1 a 1 com o Coritiba pela 30ª rodada do Brasileirão, deixou uma impressão preocupante sobre o momento do Botafogo. A equipe carioca chegou aos 36 pontos, permaneceu na 13ª colocação e continua apenas quatro pontos à frente da zona de rebaixamento. Mais do que o resultado, porém, foi a maneira como o time se comportou em campo que chamou a atenção: desorganizado no primeiro tempo, incapaz de sustentar uma reação e com dificuldades para encontrar respostas no banco de reservas.

Sem Tite, suspenso, o Botafogo foi comandado pelo auxiliar Matheus Bachi, que promoveu mudanças na escalação e realizou substituições pouco convencionais durante a etapa final. Algumas escolhas podem ser compreendidas como tentativas de encontrar alternativas para um time que ainda busca seu melhor funcionamento. O problema é o momento em que esses testes estão sendo feitos. Com a temporada entrando em sua reta decisiva e o risco de aproximação do Z-4 ainda presente, o Botafogo não parece ter a tranquilidade necessária para tratar cada partida como uma oportunidade de experimentação.

O empate em Curitiba não significa que o rebaixamento seja uma ameaça imediata, mas reforça a necessidade de uma resposta mais consistente. O Botafogo ainda depende de si para se afastar da parte inferior da tabela, porém precisa demonstrar que sabe competir em jogos nos quais não consegue impor sua qualidade técnica. Contra o Coritiba, a equipe demorou a entrar na partida, sofreu com erros individuais e terminou sem conseguir transformar as mudanças promovidas pela comissão técnica em uma melhora coletiva.

Um Botafogo desorganizado demorou a entender o jogo

A escalação inicial já indicava algumas escolhas inesperadas. Gabriel Batista começou no gol, com Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles formando a linha defensiva. Allan, Danilo e Medina compuseram o meio-campo, enquanto Ziyech, Matheus Martins e Arthur Cabral ficaram responsáveis pelo setor ofensivo. As presenças de Marçal e Allan chamaram a atenção, principalmente porque Justino e Huguinho apareciam como alternativas consideradas para as respectivas posições.

As mudanças, por si só, não explicam os problemas apresentados pelo Botafogo. O que pesou foi a dificuldade para organizar a equipe tanto com a bola quanto sem ela. No início da partida, o time parecia jogar com a urgência de quem precisava resolver tudo rapidamente, mas sem a estrutura necessária para transformar essa ansiedade em ações ofensivas efetivas.

A construção ficou excessivamente concentrada no lado esquerdo, com Alex Telles assumindo a responsabilidade de lançar e cruzar para a área. A insistência nesse caminho tornou o ataque previsível e facilitou o trabalho defensivo do Coritiba, que conseguia proteger a região central e esperar pelas bolas que chegavam sem grande elaboração. Faltaram alternativas para progredir pelo meio, variar os corredores e criar combinações que tirassem a defesa adversária de sua zona de conforto.

Sem a bola, a situação era ainda mais preocupante. O Botafogo não conseguia manter as distâncias entre os setores e, em diversos momentos, seus jogadores se concentravam perto da própria área sem impedir que o Coritiba avançasse. O time da casa encontrava espaço para trabalhar as jogadas e chegar ao último terço, enquanto os cariocas pareciam reagir individualmente em vez de defender de maneira coordenada.

Os erros técnicos também contribuíram para que o cenário piorasse. Medina desperdiçou um passe curto na tentativa de encontrar Arthur Cabral e permitiu que o Coritiba aumentasse a pressão. Depois, Matheus Martins errou em outra saída, e a sequência terminou em escanteio. Na cobrança, Tiago Coser subiu sem encontrar resistência suficiente e abriu o placar, com a bola ainda desviando em Marçal antes de entrar.

O gol expôs um problema que não se limitava à marcação da bola parada. O Botafogo já vinha concedendo espaço e oferecendo oportunidades ao adversário. O escanteio foi apenas o desfecho de uma sequência na qual a equipe carioca não conseguiu controlar a partida nem sair da própria pressão.

Foi somente depois de ficar em desvantagem que o time começou a mostrar alguma reação. Medina passou a avançar com mais frequência e a aparecer perto da área, enquanto Danilo recebeu maior liberdade para participar das ações ofensivas. A mudança melhorou momentaneamente a presença do Botafogo no campo de ataque, mas também evidenciou uma questão tática: Danilo não é um volante de marcação posicional que possa ser deixado constantemente responsável por proteger grandes espaços. Quando precisou interromper uma chegada do Coritiba, ofereceu espaço para Pedro Rocha avançar com perigo.

A reação ainda teve um gol anulado de Danilo, após falta de Arthur Cabral sobre Jacy. O centroavante empurrou o defensor sem disputar a bola, e a arbitragem invalidou o lance. Mesmo assim, o Botafogo encontrou naquele período uma forma mais funcional de atacar. Em uma boa jogada de Medina, Cabral fez o pivô e devolveu para o argentino, que deixou Danilo em condições de finalizar e balançar as redes.

A sequência mostrou que havia caminhos para construir jogadas mais perigosas, mas o time precisou sofrer o gol para começar a encontrá-los. Esse é um dos sinais mais incômodos da atuação: o Botafogo não conseguiu apresentar desde o início uma estrutura que lhe permitisse controlar o jogo, e a melhora momentânea veio mais como resposta à desvantagem do que como consequência de um plano bem executado.

A reação durou pouco, e as substituições não resolveram o problema

O início do segundo tempo trouxe uma mudança interessante no posicionamento de Ziyech. Na primeira etapa, o marroquino havia recuado em diversos momentos para abrir espaço às subidas de Vitinho pelo lado direito. Depois do intervalo, passou a participar mais diretamente das ações ofensivas, buscando finalizações e cruzamentos logo nos primeiros minutos.

A alteração posicional deu ao Botafogo uma breve sensação de crescimento. Ziyech tentou acelerar as jogadas e assumir a responsabilidade de criar, mas não conseguiu transformar essas iniciativas em oportunidades claras. Com o desgaste, pediu para sair, e a equipe voltou a perder uma referência para organizar o ataque.

O Coritiba aproveitou a queda de rendimento e retomou o controle. Assim como havia acontecido no começo da partida, passou a encontrar espaço para avançar, acumulou chances e obrigou Gabriel Batista a trabalhar. Na metade do segundo tempo, o Botafogo transmitia a impressão de estar sem energia para reagir, limitando-se a acompanhar as investidas do adversário.

A velocidade de Matheus Martins, que poderia oferecer uma saída para os contra-ataques, não foi suficiente para superar Tinga, que entrou descansado no lugar de Bustos. O Botafogo precisava de alternativas para recuperar o campo e aliviar a pressão, mas não conseguia sustentar a posse nem encontrar passes que permitissem atacar com mais jogadores.

Foi nesse contexto que começaram as substituições de Matheus Bachi. Domingos Andrade entrou no lugar de Allan, enquanto Huguinho permaneceu no banco. Ziyech e Medina, que também demonstravam desgaste, deram lugar a Júnior Santos e Montoro. Mais tarde, Arthur Cabral saiu para a entrada de Tiquinho Soares, e Matheus Martins foi substituído pelo lateral Paulinho, que fazia apenas seu terceiro jogo pelo clube.

Não é necessário que toda alteração produza um efeito imediato para ser considerada correta. Em determinados momentos, o treinador precisa preservar jogadores cansados, mudar a estrutura defensiva ou tentar explorar uma característica específica do banco. A dificuldade, neste caso, foi que as mudanças não pareciam conduzir a uma solução coletiva claramente identificável. O Botafogo trocou peças, mas continuou sem conseguir organizar a saída de bola, sustentar a posse ou pressionar o Coritiba com regularidade.

Tiquinho ainda ofereceu algum perigo em uma cabeçada, mas não aproveitou as demais oportunidades. Júnior Santos teve pouca participação pela direita, enquanto a entrada de Paulinho não resolveu a inoperância do lado esquerdo. Domingos Andrade também não conseguiu modificar de maneira significativa o funcionamento do meio-campo.

O conjunto das alterações deixou uma impressão de improvisação. A substituição de Matheus Martins por um lateral, em particular, chamou a atenção porque retirou velocidade de um setor que já encontrava dificuldades para construir contra-ataques. Talvez houvesse uma intenção específica de reorganizar o corredor ou reforçar a proteção defensiva, mas o efeito prático não foi suficiente para melhorar o desempenho da equipe.

A permanência de Huguinho no banco também levanta uma questão sobre os critérios utilizados para escolher as alternativas. Se a intenção era buscar uma resposta no meio-campo, seria razoável esperar que a comissão técnica recorresse a opções capazes de modificar a circulação da bola ou oferecer mais energia ao setor. A entrada de Domingos, por sua vez, não produziu uma mudança evidente, e o Botafogo continuou dependendo de iniciativas isoladas.

O problema, portanto, não está em uma substituição específica, mas na incapacidade de as alterações corrigirem aquilo que a partida já havia exposto. O time precisava recuperar organização e intensidade, mas terminou o jogo com praticamente as mesmas dificuldades que apresentara antes das trocas.

A distância para o Z-4 torna o momento ainda mais delicado

O Botafogo encerrou a rodada com 36 pontos, na 13ª posição, quatro pontos acima da zona de rebaixamento. A distância oferece alguma margem, mas não é suficiente para permitir que a equipe trate a reta final do campeonato com tranquilidade. Em uma competição na qual a sequência de resultados pode alterar rapidamente a situação de diversos clubes, desperdiçar pontos em partidas nas quais o desempenho é irregular aumenta a pressão sobre os compromissos seguintes.

O empate com o Coritiba tem de ser analisado justamente nesse contexto. Não foi apenas a perda de dois pontos que poderiam ajudar a consolidar uma posição mais segura. Foi também uma oportunidade desperdiçada de mostrar evolução em um momento no qual o Botafogo precisa encontrar um padrão de jogo confiável.

A equipe continua apresentando dificuldades para equilibrar a construção ofensiva e a proteção defensiva. Quando tenta atacar com mais jogadores, deixa espaços que podem ser explorados pelo adversário; quando se retrai, permite que o rival avance e passe a controlar o território. A dependência de cruzamentos e lançamentos também limita a capacidade de variar o ataque, enquanto os erros de passe aumentam a exposição a contra-ataques e bolas paradas.

Esses problemas não serão resolvidos apenas com a troca de alguns nomes na escalação. O Botafogo precisa definir quais jogadores oferecem o melhor equilíbrio entre criação, pressão e proteção defensiva, além de estabelecer mecanismos coletivos que funcionem mesmo quando o time sofre um gol ou perde o controle da partida. A resposta exige mais do que testes individuais: exige uma estrutura reconhecível, capaz de dar segurança aos jogadores e reduzir a dependência de reações improvisadas.

O fato de Tite estar suspenso também não pode servir como explicação suficiente para o desempenho. Matheus Bachi teve de comandar a equipe em uma circunstância particular, mas a responsabilidade de encontrar alternativas e manter um funcionamento minimamente consistente faz parte do trabalho da comissão técnica. A atuação em Curitiba mostrou que o Botafogo ainda não encontrou respostas claras para algumas de suas dificuldades.

É compreensível que um treinador queira avaliar opções e dar minutos a jogadores que podem ganhar importância na sequência da temporada. O problema é fazer isso sem considerar o risco imediato da tabela. Com apenas quatro pontos de vantagem sobre o Z-4, cada partida precisa contribuir para consolidar a equipe, e não ampliar a sensação de que o time ainda está procurando uma identidade básica.

O Botafogo não precisa abandonar toda tentativa de mudança, mas precisa estabelecer prioridades. Primeiro, deve recuperar a organização defensiva, reduzir os erros na saída de bola e encontrar uma maneira mais equilibrada de avançar. Depois, poderá explorar com maior segurança as alternativas do elenco e testar variações que acrescentem recursos ao time. Inverter essa ordem significa correr o risco de chegar às últimas rodadas sem a estabilidade necessária para competir.

O empate não representa uma sentença para a temporada, mas funciona como um aviso. O Botafogo ainda tem tempo para se afastar da parte inferior da tabela, desde que transforme a preocupação em ajustes concretos. A equipe precisa parar de jogar como se estivesse em uma pré-temporada e começar a demonstrar a urgência, a organização e a consistência exigidas por um campeonato que já entrou em sua fase decisiva.

No fim, a questão não é simplesmente se o sinal de alerta está ligado. Com quatro pontos de distância para a zona de rebaixamento, ele já deveria estar piscando há algum tempo. O que falta ao Botafogo é transformar esse alerta em uma resposta dentro de campo, antes que a margem de segurança diminua ainda mais.

(Foto: Gabriel Machado/AGIF)