bouaddi marrocos
Copa do Mundo

Ayyoub Bouaddi: a joia de 18 anos que brilha pelo Marrocos e atrai os gigantes da Europa

A campanha do Marrocos na Copa do Mundo ganhou um novo capítulo com a vitória por 3 a 0 sobre o Canadá. Depois de alcançar as semifinais em 2022, a seleção africana voltou a se colocar entre as oito melhores do planeta e agora aguarda o vencedor do confronto entre Paraguai e França para conhecer seu adversário nas quartas de final.

No centro dessa nova caminhada marroquina está um jogador que sequer havia estreado pela seleção principal no início de 2026. Aos 18 anos, Ayyoub Bouaddi chegou ao Mundial como uma das maiores promessas do futebol francês e rapidamente passou a ser tratado como uma das grandes revelações do torneio.

O meio-campista do Lille ganhou enorme repercussão desde sua atuação contra o Brasil. Diante de um setor que contava com jogadores experientes, Bouaddi impressionou pela tranquilidade com a bola, pela personalidade e pela capacidade de participar da construção do jogo sem demonstrar o peso de disputar sua primeira Copa do Mundo.

Contra os brasileiros, o jovem registrou 87 ações com a bola, mais do que qualquer outro jogador do Marrocos. Também completou 60 passes certos, novamente liderando sua equipe. Não se tratava apenas de tocar na bola muitas vezes. Bouaddi assumiu responsabilidade em uma partida contra a seleção cinco vezes campeã mundial e conseguiu jogar com naturalidade diante de um dos meios de campo mais experientes da competição, Bruno Guimarães e Casemiro.

O desempenho colocou seu nome definitivamente no radar dos maiores clubes europeus. Manchester City e Arsenal acompanham sua evolução, enquanto Real Madrid, Barcelona e PSG também aparecem entre os interessados. O Lille, consciente do valor de uma das maiores promessas de sua geração, estaria disposto a negociar apenas por uma quantia entre 69 milhões e 86 milhões de libras.

Números mostram uma maturidade incomum para um jogador de 18 anos

Ayyoub Bouaddi, Lille, Arsenal, Manchester United

O impacto de Bouaddi na Copa não surgiu de forma repentina. Apesar da pouca idade, o meio-campista já acumula uma experiência que poucos jogadores de sua geração possuem.

Nascido em Senlis, ao norte de Paris, ele estreou profissionalmente pelo Lille com apenas 16 anos e três dias. Desde então, já chegou à marca de 96 partidas pelo clube francês, um número impressionante para alguém que ainda tem 18 anos.

A temporada passada ajudou a mostrar a dimensão de seu desenvolvimento.

Entre todos os jogadores de 18 anos ou menos nas cinco principais ligas europeias, Bouaddi foi quem mais atuou. Foram 2.329 minutos distribuídos por 30 partidas. Nesse recorte, superou jovens de enorme destaque, como Lamine Yamal, do Barcelona, Karim Coulibaly, do Werder Bremen, e Mateus Mané, do Wolverhampton.

Se o volume de minutos já demonstra a confiança recebida no Lille, os números sem a bola revelam uma característica ainda mais importante.

Bouaddi recuperou a posse 151 vezes, realizou 59 desarmes e acumulou 27 interceptações. Em todos esses indicadores, apareceu na liderança entre os jogadores de sua faixa etária nas cinco maiores ligas da Europa.

Esses dados ajudam a entender por que sua adaptação ao futebol de seleções foi tão rápida. O jovem estreou pelo Marrocos apenas em maio, poucos meses antes de se transformar em uma das figuras mais observadas da Copa do Mundo.

A comparação com Sergio Busquets surgiu justamente pela forma como Bouaddi interpreta o jogo.

Com 1,85 metro, o marroquino possui uma estrutura física alta, mas não depende da força para dominar o meio de campo. Sua principal qualidade está na capacidade de manter a tranquilidade quando recebe a bola sob pressão. Em vez de acelerar todas as jogadas, ele utiliza fintas, movimentos de corpo e mudanças de direção para escapar dos adversários.

Essa calma também aparece no momento de pressionar. Apesar de participar intensamente da recuperação da posse, Bouaddi não é um jogador que precisa cometer muitas faltas para interromper o adversário. Suas pernas longas permitem alcançar a bola em situações que poderiam parecer desfavoráveis.

Existe, naturalmente, espaço para evolução. Sua agressividade na pressão pode fazer com que abandone a posição e deixe espaços às costas. A disciplina tática é um dos pontos que ainda podem ser aperfeiçoados, algo completamente normal para um jogador de apenas 18 anos.

A versatilidade que explica o interesse do Manchester City

Ayyoub Bouaddi, Marrocos, Brasil, Copa do Mundo
Foto: Caean Couto/Reuters

O interesse do Manchester City vai além do talento individual de Bouaddi.

O jovem atua principalmente como volante, mas também possui experiência como lateral direito. Essa capacidade de ocupar duas posições pode ser especialmente valiosa para uma equipe que busca jogadores capazes de mudar de função durante a mesma partida.

Um sistema em que Maresca utiliza a estrutura 3-2-2-3 com a bola, Bouaddi poderia começar defensivamente como lateral direito e avançar para o meio quando a equipe recuperasse a posse.

Na prática, sua função mudaria de acordo com o momento da partida.

Sem a bola, poderia ocupar o lado direito da defesa. Durante a construção, entraria por dentro para formar uma dupla de meio-campo, posição em que sua tranquilidade sob pressão e sua qualidade para escapar da marcação poderiam ser melhor aproveitadas.

É justamente essa capacidade de adaptação que aumenta seu valor no mercado.

O Manchester City já acertou a contratação de Elliot Anderson por 116 milhões de libras, valor recorde do clube, mas ainda observa novas opções para seu meio-campo. O futuro de Rodri também gera dúvidas, já que o espanhol entrou no último ano de contrato.

Bouaddi, portanto, representa uma possibilidade tanto para o presente quanto para o futuro.

O preço estabelecido pelo Lille, entre 69 milhões e 86 milhões de libras, mostra que o clube francês sabe que possui um jogador especial. Uma grande Copa do Mundo pode aumentar ainda mais essa valorização.

Bouaddi cresce enquanto o Marrocos volta às quartas de final

United Bouaddi
Foto: Getty Images

Marrocos superou o Canadá por 3 a 0 e garantiu sua presença nas quartas de final. A seleção agora aguarda o vencedor de Paraguai e França.

A classificação mantém vivo o sonho de superar a campanha histórica de 2022.

Naquela edição, o Marrocos se tornou a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo. A equipe eliminou Espanha e Portugal antes de perder para a França.

Quatro anos depois, os marroquinos voltam a avançar entre as grandes potências, mas agora possuem uma novidade no coração da equipe.

Bouaddi não participou da campanha no Catar. Naquela época, tinha apenas 15 anos.

Agora, aos 18, é um dos jogadores mais comentados do torneio e ajuda o Marrocos a sonhar novamente com uma campanha histórica.

Sua trajetória também chama atenção fora dos gramados. O meio-campista concluiu seus estudos com formação em matemática e física, algo que reforçou no Marrocos a imagem de um jovem inteligente e disciplinado.

Dentro de campo, os números já justificam a atenção. São 96 jogos pelo Lille antes dos 19 anos, liderança entre os jovens das grandes ligas europeias em minutos, partidas, recuperações de posse, desarmes e interceptações, além de uma atuação contra o Brasil marcada por 87 ações com a bola e 60 passes certos.

Ainda é cedo para saber qual será seu próximo clube. Também é impossível afirmar até onde seu potencial poderá levá-lo.

Mas uma coisa já mudou durante esta Copa do Mundo: Ayyoub Bouaddi deixou de ser apenas uma promessa conhecida por quem acompanha o Lille. Aos 18 anos, tornou-se uma das principais revelações do torneio, ajudou o Marrocos a chegar às quartas de final e passou a ser observado por alguns dos clubes mais poderosos do planeta.

Enquanto os gigantes europeus acompanham seus passos, Bouaddi ainda tem uma missão imediata. O Marrocos espera por Paraguai ou França, e sua jovem sensação terá outra oportunidade de mostrar por que tantos clubes estão dispostos a disputar sua contratação.

(Foto de capa: Ulrik Pedersen/NurPhoto)

author
Kaique