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Brasil de Ancelotti e seu caminho complicado rumo ao Hexa; confira!

A palavra “Hexa” voltou a fazer parte do vocabulário do torcedor brasileiro. Com a chegada de Carlo Ancelotti, a proximidade da Copa do Mundo de 2026 e uma geração recheada de talento, a esperança de ver o Brasil novamente no topo do futebol mundial ganhou força. Mas se a projeção mais recente da Opta estiver correta, a caminhada da Seleção até o troféu promete ser tudo, menos tranquila.

O supercomputador da empresa especializada em estatísticas simulou 25 mil vezes a Copa do Mundo de 2026 e desenhou um possível roteiro para o Brasil. A boa notícia é que a Seleção aparece com grandes chances de avançar de fase. A má notícia é que, a partir do mata-mata, o nível de dificuldade sobe rapidamente e coloca alguns dos maiores favoritos ao título no caminho da equipe de Ancelotti.

Se o objetivo é conquistar o Hexa, o Brasil provavelmente terá que fazer aquilo que todo campeão faz: vencer os melhores.

Brasil é favorito no grupo, mas Marrocos merece respeito

O sorteio colocou o Brasil no Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Segundo as projeções da Opta, a Seleção possui 60,8% de chances de terminar na liderança da chave e impressionantes 96,9% de probabilidade de avançar ao mata-mata.

Os números refletem uma tradição que atravessa gerações. O Brasil não apenas costuma se classificar com tranquilidade nas Copas do Mundo, como também lidera seus grupos com frequência impressionante. Desde 1982, a Seleção terminou a primeira fase na primeira colocação em todas as edições do torneio.

Ainda assim, existe um adversário que merece atenção especial.

Marrocos já deixou de ser uma surpresa há muito tempo. A seleção africana vem acumulando campanhas competitivas nos últimos anos e construiu uma reputação de equipe extremamente organizada taticamente. Se houver algum tropeço brasileiro na fase de grupos, a tendência é que ele aconteça justamente diante dos marroquinos.

Contra Escócia e Haiti, o favoritismo brasileiro é considerável. Mas em Copa do Mundo, todo mundo conhece aquela velha máxima: o jogo começa 0 a 0.

Japão e Haaland aparecem no horizonte

Caso confirme o primeiro lugar do grupo, o Brasil teria pela frente o Japão nos 32 avos de final.

À primeira vista, parece um confronto confortável. Historicamente, a Seleção leva ampla vantagem sobre os japoneses. No entanto, existe um detalhe que serve de alerta.

O encontro mais recente entre as duas equipes terminou com vitória japonesa por 3 a 2. E não foi uma derrota qualquer. O Brasil chegou a abrir dois gols de vantagem antes de sofrer uma virada que chamou atenção do mundo do futebol.

Os números daquela partida também ajudam a explicar o resultado. O Japão produziu mais chances claras e terminou o jogo com 2,37 de gols esperados (xG), contra apenas 1,28 da equipe brasileira.

Superado esse obstáculo, a projeção aponta a Noruega nas oitavas de final. E quando se fala em Noruega atualmente, é impossível não pensar em Erling Haaland.

O atacante é um dos jogadores mais temidos do planeta e chegaria ao torneio vivendo o auge de sua carreira. A simples presença do camisa 9 já seria suficiente para transformar qualquer partida em um enorme desafio.

Por outro lado, o Brasil possui um retrospecto extremamente positivo nas oitavas de final da Copa do Mundo. A Seleção avançou em nove das dez vezes que disputou essa fase e costuma crescer quando a competição entra em seu estágio decisivo.

Inglaterra e França seriam os verdadeiros testes de campeão

Até aqui, o caminho parece administrável. O problema é que a situação muda completamente nas quartas de final.

Segundo a projeção da Opta, a Inglaterra seria a adversária brasileira nessa fase. E apesar de todas as brincadeiras envolvendo os ingleses e sua longa espera por títulos, ninguém pode ignorar a qualidade da geração atual.

Os ingleses chegaram às fases decisivas das últimas grandes competições internacionais e possuem um elenco recheado de estrelas atuando nos maiores clubes do mundo.

Mesmo assim, o histórico favorece amplamente o Brasil.

A Seleção perdeu apenas uma das últimas 12 partidas contra a Inglaterra e nunca foi derrotada pelos ingleses em uma Copa do Mundo. O confronto mais emblemático continua sendo o duelo de 2002, marcado pelo gol antológico de Ronaldinho sobre David Seaman. Mas se eliminar a Inglaterra já seria complicado, a semifinal promete ser ainda mais pesada.

A França aparece como adversária mais provável nessa fase e, convenhamos, poucos países causaram tanta dor ao torcedor brasileiro em Copas do Mundo quanto os franceses.

Foi a França que eliminou o Brasil em 1986. Foi a França que venceu a final de 1998. Foi a França que tirou a Seleção do Mundial de 2006.

Ao mesmo tempo, existe um componente emocional que pode transformar esse confronto em algo especial. Vencer os franceses em uma semifinal representaria uma espécie de acerto de contas histórico para o futebol brasileiro.

Espanha surge como favorita para a final

Se o Brasil conseguir sobreviver à sequência de desafios, a final mais provável seria contra a Espanha.

A atual campeã europeia aparece como principal favorita ao título segundo as simulações da Opta. O elenco espanhol mistura juventude, talento e uma identidade de jogo muito bem definida.

Curiosamente, o histórico também favorece os brasileiros. Em dez confrontos contra os espanhóis, o Brasil venceu cinco, empatou três e perdeu apenas duas vezes. Mas finais de Copa do Mundo não costumam respeitar retrospectos.

Uma decisão entre Brasil e Espanha colocaria frente a frente duas das escolas mais tradicionais do futebol mundial e provavelmente seria um dos maiores jogos da década.

No entanto, antes de pensar em uma possível final, a Seleção precisará percorrer um caminho extremamente exigente.

As projeções da Opta indicam que o Brasil conquista o título em apenas 6,7% das 25 mil simulações realizadas. O número pode parecer pequeno, mas mostra que a Seleção continua entre as candidatas reais ao troféu.

Com Carlo Ancelotti no comando, uma geração talentosa à disposição e uma camisa que pesa como poucas no futebol mundial, o sonho do Hexa segue vivo. O caminho projetado é uma verdadeira montanha-russa de desafios, mas talvez seja exatamente isso que torne uma eventual conquista ainda mais histórica.

Foto: Getty Images