Copa do Mundo e empates costumam caminhar juntos em alguns momentos, mas o que está acontecendo na edição de 2026 já entrou para a história. Após os primeiros 16 jogos do torneio, nada menos que oito partidas terminaram sem vencedor, estabelecendo um novo recorde para este estágio da competição.
O número chama atenção não apenas pela frequência dos empates, mas porque ele levanta uma discussão que já rondava o futebol desde o anúncio da expansão para 48 seleções: o novo formato está diminuindo o senso de urgência da fase de grupos?
A resposta definitiva ainda está longe de existir, mas os primeiros dias da Copa certamente deram combustível para esse debate.
Copa do Mundo registra início mais equilibrado da história
A segunda-feira foi praticamente um festival de igualdades. Espanha e Cabo Verde ficaram no 0 a 0, Bélgica e Egito empataram por 1 a 1, Arábia Saudita e Uruguai repetiram o placar, enquanto Irã e Nova Zelândia protagonizaram um movimentado 2 a 2.
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Foi a primeira vez desde 1958 que quatro partidas de uma mesma data terminaram empatadas em uma Copa do Mundo.
O dado mais impressionante, porém, aparece quando observamos o panorama geral. Das 16 partidas disputadas até agora, metade terminou sem vencedor.
A imagem divulgada pela BBC ajuda a contextualizar a situação. Desde a Copa de 1998, primeira edição com 32 seleções, nenhuma competição havia registrado tantos empates após os primeiros 16 jogos. O recorde anterior era de seis, registrado em 2010.
Além disso, o torneio já soma 46 gols neste mesmo recorte, número semelhante ao de algumas das edições mais ofensivas da história recente. Ou seja, o problema não é necessariamente a falta de gols. O que está acontecendo é um equilíbrio muito maior entre as seleções.
O formato com 48 seleções pode estar influenciando
Quando a FIFA anunciou a ampliação para 48 equipes, uma das principais preocupações era justamente entender como isso afetaria a competitividade.
Agora, apenas 16 das 48 seleções serão eliminadas após a fase de grupos. Em outras palavras, dois terços dos participantes avançam para o mata-mata.
Na prática, isso significa que um empate na estreia não tem o mesmo peso que possuía em edições anteriores.
Antigamente, deixar dois pontos pelo caminho logo na primeira rodada podia transformar os jogos seguintes em verdadeiras finais. Agora, a margem para recuperação é muito maior.
Segundo dados do Football Meets Data, uma seleção que terminar a fase de grupos com apenas três pontos ainda possui boas chances de classificação dependendo do saldo de gols. Em alguns cenários, três empates podem ser suficientes para garantir uma vaga na fase eliminatória.
Isso naturalmente reduz a pressão inicial e pode incentivar equipes a adotarem abordagens mais cautelosas, principalmente contra adversários considerados fortes.
Europeus ainda não convenceram
Outro aspecto curioso desta primeira rodada envolve o desempenho das seleções europeias.
Até o momento, apenas Alemanha, Escócia e Suécia venceram seus compromissos de estreia. As demais equipes do continente encontraram dificuldades inesperadas.
Bélgica empatou com o Egito. Suíça ficou no 1 a 1 com o Catar. E outras seleções consideradas favoritas também deixaram dúvidas sobre o que podem produzir ao longo da competição.
O cenário é especialmente curioso porque, em boa parte desses confrontos, os europeus entraram em campo ocupando posições superiores no ranking da FIFA.
Isso não significa necessariamente uma crise do futebol europeu. Afinal, muitas das principais potências do continente ainda sequer estrearam, casos de Inglaterra, França, Portugal, Croácia, Noruega e Áustria.
Ainda assim, o início lento chamou atenção.
O calor virou personagem da Copa
Se existe algo que técnicos e jogadores já esperavam encontrar nesta Copa do Mundo, era o calor.
A competição acontece simultaneamente em Estados Unidos, Canadá e México, e algumas cidades têm enfrentado temperaturas elevadas para padrões normalmente vistos em torneios internacionais.
O empate entre Bélgica e Egito, por exemplo, foi disputado em Seattle durante um dos dias mais quentes do ano na cidade, com termômetros superando os 30 graus.
O técnico belga Rudi Garcia evitou usar o clima como desculpa para o resultado, mas destacou um detalhe importante: a condição do gramado.
Segundo ele, o campo estava bastante seco, dificultando a circulação rápida da bola e interferindo diretamente na dinâmica da partida.
É uma reclamação que pode se tornar frequente nas próximas semanas, principalmente em partidas disputadas durante o período da tarde.
Sul-americanos ainda não venceram
Se os europeus estão devendo, os sul-americanos também não têm muitos motivos para comemorar.
Até agora, nenhuma seleção da América do Sul venceu na Copa.
O Brasil empatou com Marrocos após uma atuação abaixo das expectativas. O Uruguai ficou apenas no empate contra a Arábia Saudita. Já o Paraguai sofreu uma dura derrota por 4 a 1 diante dos Estados Unidos.
Argentina e Colômbia ainda não entraram em campo, mas a pressão para apresentar resultados positivos já começou a aumentar.
Enquanto isso, seleções africanas e asiáticas seguem mostrando que a diferença para os tradicionais favoritos parece cada vez menor.
O equilíbrio pode ser a grande marca da Copa de 2026
Embora os empates estejam dominando as manchetes, talvez o verdadeiro significado desses resultados seja outro.
A Copa do Mundo de 2026 parece estar apresentando um cenário de equilíbrio raramente visto em edições anteriores.
Marrocos segurou o Brasil. Cabo Verde arrancou um empate contra a Espanha. Egito neutralizou a Bélgica. Nova Zelândia e Irã protagonizaram um confronto extremamente competitivo.
Durante décadas, a narrativa dos Mundiais girou em torno das grandes potências. Agora, a sensação é que existe um número maior de seleções capazes de competir em alto nível.
Isso não significa que os favoritos deixaram de ser favoritos. Mas significa que vencer está cada vez mais difícil.
Por enquanto, o torneio segue aberto, imprevisível e repleto de sinais de que a ampliação para 48 equipes pode ter tornado a Copa do Mundo mais equilibrada do que nunca. Se isso é algo positivo ou negativo, provavelmente só saberemos quando a bola parar de rolar e o campeão finalmente erguer a taça.
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