O técnico Hernán Crespo parece estar mais próximo de retornar ao futebol brasileiro do que nunca. Depois de já ter sido cotado no Santos, Atlético-MG, Vasco, Botafogo e em outros clubes do país, o ex-atacante argentino tem enormes chances de aparecer no comando do São Paulo. Com a demissão de Luis Zubeldía, a diretoria tricolor quer seguir apostando nos estrangeiros, e um rosto conhecido ganha força nessa história.
A pressão da torcida do São Paulo caiu de um jeito diferente nas costas de Zubeldía, que nem quis aproveitar o “mês de folga” para tentar ajeitar a casa. Sem perder muito tempo, colocou o cargo à disposição e, simplesmente, se despediu do MorumBIS. A derrota para o Vasco, na última rodada, complicou ainda mais a situação do treinador.
Em comum acordo, Zubeldía e o clube paulista se separaram após 85 partidas juntos, iniciadas em abril de 2024. Nesse caminho, a equipe somou 38 vitórias, 27 empates e 20 derrotas. Mesmo com a classificação para as oitavas de final da Copa Libertadores, o argentino não conseguiu se manter no comando do São Paulo e acabou cedendo às críticas e à rejeição do público quanto à sua continuidade.
Agora, o Tricolor busca dar uma repaginada em suas ideias e aposta no trabalho de Hernán Crespo nesta pausa do Super Mundial. Vale lembrar que os primeiros trabalhos de Crespo aconteceram durante a pandemia, então, pode-se dizer que ele merece, sim, uma nova oportunidade nos dias atuais. Apesar do curto tempo que ficou, conquistou o Campeonato Paulista com um nível de desempenho interessantíssimo, depois de implementar seu estilo com três zagueiros.
Relembre como Crespo gostava de montar seus times, suas filosofias, suas ideias e tudo o que você precisa saber sobre ele.
Como joga Crespo?

Dá para dizer que o retorno de Hernán Crespo ao Brasil demorou, e muito, por conta da forma como gosta de montar suas equipes. Por ter uma grande bagagem no futebol italiano, quando ainda era jogador, Crespo procura colocar seus times para atuarem de forma parecida, mas sem perder as influências sul-americanas. E nesse pacote todo, a base de trabalho de Crespo sempre foi a linha com três zagueiros.
Não é algo comum no futebol brasileiro. De vez em quando, o Flamengo joga assim, o Palmeiras também, mas são apenas dois times entre os 20 do Brasileirão. Um dos focos principais de Crespo sempre foi o futebol propositivo e ofensivo. Se existe a dúvida sobre quem comanda o jogo, na visão de Crespo, tem que ser ele. Por isso, gosta bastante de ter a posse de bola.
Mas não pense que a posse para Crespo é só para fazer volume ou girar de lado sem objetivo. O ex-atacante da Inter de Milão preza pela verticalidade. Ele quer progredir no campo e chegar com força ao ataque, explorando a entrada dos jogadores na área adversária. Com essa busca incessante por dominar o jogo, o São Paulo tende a ser uma equipe mais agressiva e empolgada dentro de campo.
Um dos traços marcantes de Crespo é a famosa pressão pós-perda, o que exige um ótimo preparo físico do time. E aí mora um desafio: hoje, Oscar enfrenta dificuldades para se manter saudável, o mesmo acontece com Lucas Moura e outras peças importantíssimas do elenco atual.
Por outro lado, um ponto muito favorável à chegada de Hernán Crespo é a forma como ele valoriza a base. Crespo sempre foi de apostar nos jovens talentos, e o São Paulo vive uma safra excelente de garotos de qualidade, que só precisam de tempo para serem lapidados. Mesmo quando não recebem tanta atenção, esses jovens seguem sendo fundamentais para o Tricolor, principalmente em momentos decisivos.
O São Paulo de Crespo em 2021

Quando chegou pela primeira vez, Crespo trouxe algo novo para o futebol brasileiro. O esquema com três zagueiros fez bastante sucesso, pelo menos no começo. Crespo variava entre o 3-5-2 e o 3-4-3, esquemas que davam uma solidez defensiva interessante, sem transformar o time numa retranca.
Esse modelo permitia aos alas bastante liberdade para atacar, sem ter a obrigação de ficar presos na marcação. A famosa amplitude era fácil de enxergar dentro de campo, sustentada pelos volantes que protegiam bem, enquanto os meias criativos tinham espaço para fazer o jogo fluir com qualidade.
Com dois ou três atacantes, o São Paulo de Crespo era presença constante na área adversária. Havia vantagem numérica no meio-campo e na entrada da área, laterais com muita liberdade e uma pressão sufocante para recuperar a bola rapidamente. Na época, Crespo usava Reinaldo e Daniel Alves como alas, dois jogadores técnicos que sabiam como criar perigo e quebrar as linhas adversárias.
No meio de campo, Luan vivia uma grande fase e era o cão de guarda, o primeiro volante de Crespo. Mas ele não estava sozinho: quem fazia o time funcionar eram Gabriel Sara e Martín Benítez, os dois principais pensadores daquele São Paulo. Na frente, Luciano e Pablo eram as referências. A marca registrada era a pressão alta e a busca constante pela posse de bola.
Alguns jogadores daquela época ainda estão no elenco, enquanto outras peças chegaram para preencher as lacunas deixadas por quem saiu. Hoje, o Tricolor tem ótimas cartas na manga para que Hernán Crespo possa montar um time competitivo e, quem sabe, recolocar o São Paulo entre os protagonistas do futebol brasileiro.
Foto: Marcelo Endelli/Getty Images
