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Crise na Fifa? Entenda por que Gianni Infantino vive seu momento mais delicado e quem pode assumir a presidência

Gianni Infantino vive, provavelmente, o momento mais delicado desde que assumiu a presidência da Fifa em 2016. Depois de quase uma década à frente da principal entidade do futebol mundial, o dirigente suíço passou de protagonista da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo para alvo de críticas de diferentes confederações e dirigentes em um intervalo de poucas semanas.

A crise ganhou força após o fracasso de um projeto que previa a venda de participações nas principais competições organizadas pela Fifa para investidores privados. A proposta gerou forte resistência nos bastidores e acabou sendo abandonada, mas os impactos políticos permaneceram.

Mais do que a retirada do plano, o episódio provocou uma rara demonstração pública de insatisfação por parte de entidades importantes do futebol mundial. Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol fizeram críticas ao modelo de gestão da Fifa, aumentando a pressão sobre Infantino justamente em um período em que sua permanência parecia praticamente garantida.

Embora o presidente ainda conte com apoio de diversas federações nacionais, o cenário abriu espaço para uma discussão que parecia distante até pouco tempo atrás: afinal, quem poderia substituir Gianni Infantino caso sua gestão realmente chegue ao fim?

Críticas das principais confederações colocam liderança de Infantino em xeque

UEFA Presidente Copa do Mundo

Ao longo dos últimos anos, Gianni Infantino conseguiu consolidar uma posição de enorme influência dentro da Fifa.

Desde que venceu a eleição presidencial em 2016, substituindo Sepp Blatter após os escândalos que atingiram a entidade, o dirigente foi reeleito duas vezes sem enfrentar adversários e caminhava para disputar um novo mandato praticamente sem oposição.

No entanto, os acontecimentos recentes mudaram esse panorama.

O principal ponto de desgaste foi a proposta de abrir espaço para investidores privados nas competições da Fifa. A ideia acabou sendo rejeitada, mas revelou um problema ainda maior: a dificuldade de diálogo entre a presidência da entidade e as confederações continentais.

A Uefa foi a mais dura nas críticas.

A entidade europeia afirmou publicamente que perdeu a confiança na liderança de Infantino, um posicionamento raro entre organizações que normalmente preferem resolver divergências nos bastidores.

A situação também incomodou outras regiões do futebol.

A Confederação Asiática afirmou que o episódio revelou falhas importantes nos processos de consulta e tomada de decisões da Fifa. Já integrantes da Concacaf demonstraram insatisfação com a condução da entidade e, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, boa parte das federações filiadas passou a questionar a capacidade de Infantino para continuar liderando o futebol mundial.

Outro episódio que aumentou a pressão foi a saída de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores do presidente da Fifa e integrante da força-tarefa criada para organizar a Copa do Mundo de 2026.

Somados, esses acontecimentos criaram um ambiente político muito mais instável do que o vivido por Infantino nos últimos anos.

Apesar da pressão, presidente ainda possui força política dentro da Fifa

Gianni Infantino discursa na simpósio da IFAB. Foto: Reprodução/SpazioNapoli
Gianni Infantino discursa na simpósio da IFAB. Foto: Reprodução/SpazioNapoli

Mesmo diante das críticas, uma eventual saída de Gianni Infantino ainda está longe de ser considerada inevitável.

Especialistas em política esportiva lembram que a estrutura eleitoral da Fifa funciona de maneira diferente da maioria das grandes organizações esportivas.

Cada federação nacional possui direito a um voto, independentemente do tamanho de seu futebol ou de sua influência econômica. Isso faz com que o apoio de dezenas de países menores tenha enorme peso nas eleições presidenciais.

Esse modelo ajudou Infantino nas eleições anteriores e pode voltar a favorecê-lo.

Diversos dirigentes acreditam que o suíço ainda mantém apoio suficiente para buscar mais um mandato, mesmo após o desgaste recente.

Além disso, o próprio histórico da Fifa mostra que mudanças na presidência costumam acontecer com pouca frequência.

Sepp Blatter permaneceu anos no comando da entidade e foi reeleito diversas vezes sem oposição. Antes dele, João Havelange ficou mais de duas décadas na presidência após vencer a eleição de 1974.

Ou seja, embora a pressão seja maior do que em qualquer outro momento de sua gestão, Infantino ainda possui instrumentos políticos para permanecer no cargo.

Quem aparece como possível sucessor da presidência da Fifa?

Victor Montagliani
Foto: AFP

Caso o cenário político continue se deteriorando, alguns nomes já começam a ser apontados como possíveis candidatos.

O mais forte deles é Victor Montagliani.

Atual presidente da Concacaf, o dirigente canadense ganhou prestígio pela condução da preparação da Copa do Mundo de 2026 e é visto como um articulador habilidoso nos bastidores. Fluente em quatro idiomas e com boa relação entre diferentes confederações, aparece como um dos nomes mais preparados para assumir o comando da Fifa.

Outro possível candidato é Sheikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa.

Presidente da Confederação Asiática desde 2013, o dirigente do Bahrein liderou importantes mudanças no futebol asiático e recentemente esteve entre as principais vozes críticas à administração de Infantino. O apoio de uma confederação composta por 46 federações pode transformá-lo em um candidato bastante competitivo.

Também existe a possibilidade de uma candidatura de Nasser Al-Khelaifi.

Presidente do PSG e da European Football Clubs, ele possui enorme influência política no futebol europeu. Apesar disso, pessoas próximas ao dirigente afirmam que ele não demonstra interesse em disputar a presidência da Fifa neste momento.

Por fim, surge o nome de Mattias Grafstrom, atual secretário-geral da entidade. Seu conhecimento da estrutura administrativa da Fifa pode representar uma vantagem, mas sua forte ligação com Infantino também pode dificultar uma candidatura caso as federações realmente busquem uma mudança de direção.

A eleição para definir o próximo presidente da Fifa acontecerá durante o Congresso da entidade, marcado para março do próximo ano, no Marrocos. Até lá, Gianni Infantino ainda tentará reconstruir sua base de apoio, enquanto os bastidores do futebol mundial acompanham de perto uma disputa política que pode definir os rumos da principal organização do esporte nos próximos anos.

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Kaique