Nesta quinta-feira (17), o Cruzeiro venceu o Fluminense por 2 a 0, no Maracanã, em partida válida pela 14ª rodada do Brasileirão 2025. O duelo, que marcava o reencontro da torcida tricolor com o time em clima de celebração, acabou frustrando os planos da festa. Com a vitória fora de casa, a Raposa ainda assumiu a liderança da competição. Confira como foi a partida:
Depois de fazer uma campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes, o Fluminense chegou para a partida com moral elevada, mas em clima de despedida — afinal, Jhon Arias se despedia do clube. O colombiano foi vendido ao Wolverhampton, da Inglaterra, e faria seu último jogo com a camisa tricolor nesta noite.
Na escalação, Renato Portaluppi já dava indícios de que faria mudanças na equipe titular para o duelo contra o time mineiro. As dúvidas giravam em torno da possibilidade de o treinador voltar a utilizar o esquema com uma linha de quatro defensores, com Freytes e Thiago Silva formando a dupla de zaga, e Samuel Xavier (na direita) e Renê (na esquerda) nas laterais. E assim se confirmou: Renato cumpriu as expectativas e escalou os dois zagueiros. A principal novidade, no entanto, foi a presença de Yeferson Soteldo no time titular — sua primeira aparição entre os onze iniciais desde que foi contratado para o Super Mundial.
Do lado cruzeirense, a equipe vinha embalada por uma sequência de vitórias. Com a derrota do Flamengo para o Santos, e o empate do Bragantino com o São Paulo, surgiu a chance de assumir a liderança do Brasileirão — desde que vencesse o Fluminense no Maracanã.
O técnico do Cruzeiro, Leonardo Jardim, tinha como desfalque o lateral esquerdo Kaiki, suspenso por acúmulo de cartões amarelos após o jogo contra o Grêmio. Sem uma reposição imediata, o treinador analisava duas possibilidades: escalar o jovem Kauã Prates, de apenas 16 anos, que foi titular na Vitória Cup; ou improvisar alguém na posição — seja um dos laterais direitos ou um zagueiro. Caso optasse pela segunda alternativa, Lucas Villalba atuaria na lateral, e Jonathan Jesus entraria na zaga. No fim, o técnico português escolheu um jogador da posição de origem, evitando riscos e mantendo o equilíbrio tático da equipe.
Fabrício Bruno desencanta pelo Cruzeiro

Embora o jogo tenha sido no Maracanã, o Cruzeiro parecia extremamente à vontade e dominou o primeiro tempo. Os visitantes foram eficazes tanto com a bola quanto sem ela, aproveitando-se das falhas do Fluminense. Com a posse, o Cabuloso optava sempre por passes verticais e buscava sempre a objetividade. Além disso, pressionava a saída de bola do Tricolor das Laranjeiras, e conseguiu, ainda antes dos dez minutos, criar duas chances perigosas a partir de roubadas no campo de ataque.
O Fluminense tentava equilibrar as forças com Soteldo pelo lado esquerdo, mas o venezuelano ainda parecia fora de ritmo. Suas ações mais qualificadas, como o drible e a arrancada, não pareciam estar afiados, assim como sua noção de posicionamento. Renato Gaúcho, nesse sentido, tentava o corrigir e a orientação era para abrir o campo para receber o passe em melhores condições de explorar seu drible. Porém, o atacante seguia afunilando e acabava se escondendo do jogo.
Apesar dos equívocos, a contratação que valeu um pouco mais de 3,4 milhões de euros aos cofres do Flu teve a melhor chance da equipe na primeira etapa. Porém, cara a cara com Cássio, o venezuelano chutou por cima e poderia ter aberto o placar antes mesmo dos adversários.
Era notável que a marcação do Fluminense estava frouxa e precisava de ajustes. O Cruzeiro mandava na partida e deixava Matheus Pereira flutuar atrás de Kaio Jorge — função semelhante a que Gabigol já exerceu quando em ação. Este padrão de movimentação confundia a marcação tricolor que apresentava sérios problemas, dando espaço, inclusive, para finalizações de fora da área.
Nesta desarrumada marcação que o Cruzeiro abriu o placar em uma jogada de bola parada. Fabrício Bruno, sozinho, subiu e testou para o fundo das redes. Foi o primeiro gol do zagueiro com a camisa da Raposa desde que foi contratado no início do ano. Só que o estrago não pararia por aí.
Cinco minutos após abrirem o placar, os mineiros ampliaram a vantagem com Kaio Jorge. O artilheiro do Brasileirão desviou o chute de Matheus Pereira e fez o 12° tento dele na competição. Com a vantagem de dois gols a frente no marcador, o cenário parecia tranquilo e a liderança estava cada vez mais no colo do Cruzeiro.
Renato fez boas mudanças e Fluminense melhora

O treinador do ‘Flu’ fez a leitura perfeita do jogo e do que a equipe precisava para mudar a dinâmica. Ainda no intervalo, Renato Portaluppi sacou Nonato e colocou Kevin Serna em campo para dar mais ofensividade e ousadia no último terço. Méritos totais na troca: os cariocas aumentaram o volume de jogo e ganharam em amplitude, abrindo mais a defesa do Cruzeiro.
Com isso, Arias e Soteldo passaram a ter mais liberdade para circular. O colombiano conseguiu criar jogadas e servir os companheiros, enquanto o venezuelano aproveitou o espaço para partir pra cima da marcação. Eficientes nessas ações, os tricolores compensaram um primeiro tempo muito abaixo e passaram a dominar a etapa final.
O gol não saía, e Renato, mais uma vez, mexeu no time. Colocou Everaldo, Renê, Lima e Keno, mantendo a estratégia de alargar o campo e reforçando o lado esquerdo para conter possíveis escapadas de Kaio Jorge ou Christian. O Cruzeiro, mesmo com as linhas recuadas, estava encurralado e não conseguia articular sequer um contra-ataque.
Até os minutos finais, o Fluminense vivia uma verdadeira blitz e acertou duas vezes o travessão e uma a trave de Cássio. Só no segundo tempo, foram 21 finalizações — em seis delas, o goleiro celeste teve que intervir. Apesar da persistência e da boa atuação, o gol parecia não querer sair. O dia, definitivamente, não era de sorte para os mandantes.
Por outro lado, os cruzeirenses contaram com a sorte e conseguiram resistir a um sufoco que parecia não ter fim. Por boa parte da etapa final, o Fluminense mantinha todos os seus jogadores no campo ofensivo — até os zagueiros arriscaram finalizações, como a de Juan Freytes, que explodiu na trave nos acréscimos.
Certamente não foi a despedida que Jhon Arias sonhou, tampouco o reencontro que a torcida tricolor esperava após a Copa do Mundo de Clubes. O Brasileirão 2025 tem agora um novo líder — um Cruzeiro que venceu pelo que fez no primeiro tempo, e que contou com a sorte para manter a vantagem até o fim. Fim de jogo: Fluminense 0 x 2 Cruzeiro.
Próximos compromissos
Derrotado na partida de hoje, o Fluminense deixa escapar a chance de subir na tabela e ultrapassar o Botafogo. Com 20 pontos somados e na sétima colocação, na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, o ‘Flu’ fará o clássico contra o Flamengo no Maracanã, no domingo (20), às 19h30 (horário de Brasília).
Do outro lado, o Cabuloso é o mais novo líder do torneio e chega aos 30 pontos conquistados, três a mais que o vice-líder Flamengo. No prosseguimento da agenda, o Cruzeiro também terá um compromisso no domingo (20), porém às 16h. Na data programada, o Cabuloso enfrentará o Juventude, no Mineirão.
Ficha técnica da partida
FLUMINENSE 0 X 2 CRUZEIRO
Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data: Quinta-feira, 17 de julho de 2025
Hora: 19h30 (de Brasília)
Público: 45.681 presentes
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Auxiliares: Jorge Eduardo Bernardi (RS) e Mauricio Coelho Silva Penna (RS)
Quarto árbitro: Bruno Pereira Vasconcelos (BA)
VAR: Bráulio da Silva Machado (SC)
Gols:
- Cruzeiro: Fabrício Bruno, 29’/1°T, Kaio Jorge, 34’/1°T
Cartões amarelos:
- Fluminense: Matheus Martinelli, 13’/2°T.
- Cruzeiro: Cássio, 21’/2°T; Marquinhos, 40’/2°T.
Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Thiago Silva, Freytes e Fuentes (Renê, 30’/2°T); Martinelli (Lima, 30’/2°T), Hércules e Nonato (Serna, no intervalo); Arias, Soteldo (Keno, 20’/2°T) e Cano (Everaldo, 20’/2°T). Técnico: Renato Portaluppi.
Cruzeiro: Cássio; Fagner, Fabrício Bruno, Villalba e Kauã Prates (William, 17’/2°T); Lucas Romero e Lucas Silva; Christian (Jonathan Jesus, 44’/2°T) Matheus Pereira (Eduardo, 34’/2°T) e Wanderson (Marquinhos, 34’/2°T); Kaio Jorge (Gabigol, 43’/2°T) Técnico: Leonardo Jardim.
Créditos da foto de capa: Rodrigo Ferreira/Cruzeiro — Reprodução