O Beira-Rio voltou a representar uma esperança para o Internacional na luta contra o rebaixamento. Depois de uma temporada marcada por dificuldades dentro de casa, o Colorado encontrou nas primeiras partidas sob o comando de Eduardo Baptista um motivo para acreditar em uma recuperação justamente no momento mais delicado do Campeonato Brasileiro. Com duas vitórias em dois jogos como mandante, cinco gols marcados e apenas um sofrido, o treinador começa a reconstruir uma relação com o estádio que pode ser decisiva para garantir a permanência na Série A.
O próximo compromisso, contra o Coritiba, ganha importância justamente por representar a possibilidade de transformar esse início positivo em uma tendência. Uma terceira vitória consecutiva no Beira-Rio não apenas ampliaria a distância do Inter em relação à zona de rebaixamento, como também faria Eduardo Baptista igualar o número de triunfos conquistados por Paulo Pezzolano em toda a campanha como mandante. A comparação evidencia a dimensão do problema enfrentado pelo clube ao longo da temporada e mostra como a mudança no comando técnico pode ter alterado rapidamente o ambiente competitivo da equipe.
A recuperação em casa, entretanto, precisa ser analisada com cuidado. Dois resultados positivos ainda não são suficientes para apagar os problemas que acompanharam o Internacional durante o Brasileirão, mas representam um sinal importante de que o time pode voltar a aproveitar o fator local. Em uma disputa na qual cada ponto tem peso significativo, recuperar a capacidade de vencer diante da própria torcida pode ser tão importante quanto qualquer reforço ou mudança tática.
Eduardo Baptista recupera em dois jogos uma força que faltou durante a temporada
Os números do Internacional no Beira-Rio sob o comando de Paulo Pezzolano ajudam a dimensionar a dificuldade que Eduardo Baptista encontrou ao assumir a equipe. Em 14 partidas como mandante pelo Brasileirão, o Colorado conquistou apenas três vitórias, empatou cinco vezes e sofreu seis derrotas. Foram 16 gols marcados e outros 16 sofridos, com aproveitamento de 33,3%, um desempenho muito abaixo do esperado para uma equipe que precisava utilizar seus jogos em casa como principal fonte de pontuação.
A diferença para o início de trabalho de Baptista é expressiva. Em apenas duas partidas, o treinador venceu Corinthians e Botafogo, marcou cinco gols e sofreu somente um. O aproveitamento de 100% contrasta diretamente com o período anterior e mostra que o Inter conseguiu apresentar uma resposta imediata diante de sua torcida.
A comparação também revela que o problema colorado não estava necessariamente relacionado à falta de capacidade para competir no Beira-Rio, mas à dificuldade de transformar o estádio em um ambiente favorável durante a temporada. O time perdeu pontos importantes, acumulou resultados negativos e passou a conviver com uma situação na qual jogar em casa deixou de representar uma vantagem evidente.
Baptista, por enquanto, conseguiu inverter essa percepção. As vitórias sobre Corinthians e Botafogo devolveram confiança ao elenco e permitiram que a equipe encontrasse uma sequência positiva em um momento no qual a pressão pelos resultados poderia comprometer ainda mais o desempenho. O treinador também passou a ter uma referência concreta para trabalhar: o Inter voltou a vencer diante de sua torcida e mostrou que pode produzir ofensivamente sem perder completamente a organização defensiva.
Isso não significa que a mudança de comando tenha solucionado todos os problemas. A amostra ainda é pequena, e os próximos adversários apresentarão dificuldades diferentes. Entretanto, o início de Baptista oferece algo que o Colorado precisava recuperar com urgência: a confiança de que o Beira-Rio pode voltar a ser um lugar no qual o adversário encontra dificuldades e o Inter consegue construir resultados.
A queda de rendimento em casa ajuda a explicar a luta contra o rebaixamento
A campanha irregular como mandante foi um dos fatores que empurraram o Internacional para a parte inferior da tabela. Tradicionalmente, conquistar pontos no próprio estádio é uma das condições fundamentais para qualquer equipe que pretende permanecer na primeira divisão. Quando essa vantagem desaparece, o clube passa a depender de resultados fora de casa, onde normalmente enfrenta adversários com maior liberdade para impor seu ritmo e explorar o apoio de suas próprias torcidas.
O desempenho colorado em 2026 chegou a um patamar historicamente preocupante. Em outubro, o aproveitamento geral no Beira-Rio era de 53,6%, o pior desde a reinauguração do estádio. O número ajuda a compreender por que a equipe não conseguiu construir uma campanha mais tranquila e precisou transformar a reta final do campeonato em uma corrida contra o rebaixamento.
A perda de força dentro de campo também foi acompanhada por uma diminuição da presença nas arquibancadas. No primeiro semestre, o Internacional registrou média de apenas 18.654 pagantes em 16 partidas como mandante. Embora a presença do público dependa de diferentes fatores, os números indicam uma relação desgastada entre a equipe e sua torcida, que passou a conviver com resultados frustrantes justamente no estádio onde esperava encontrar segurança.
Esse aspecto não deve ser subestimado. O apoio das arquibancadas pode contribuir para aumentar a confiança dos jogadores, especialmente em momentos de dificuldade, mas a relação precisa ser alimentada por respostas dentro de campo. Quando os resultados não aparecem, a atmosfera muda, e o estádio pode deixar de funcionar como um elemento de pressão sobre os adversários.
As vitórias recentes oferecem uma oportunidade para interromper esse ciclo. Ao vencer Corinthians e Botafogo, o Inter devolveu à torcida motivos para acreditar na equipe e mostrou que ainda pode construir uma reta final competitiva. Uma nova vitória contra o Coritiba teria importância não apenas pela pontuação, mas também por consolidar essa aproximação entre time e arquibancada.
Os três jogos restantes em casa podem definir a permanência do Inter
O planejamento colorado para escapar do rebaixamento passa por uma meta clara: vencer os três compromissos restantes no Beira-Rio. Depois do Coritiba, o Internacional ainda receberá Vitória e Bragantino, adversários diante dos quais precisará aproveitar a condição de mandante para alcançar a pontuação considerada necessária para permanecer na Série A.
A projeção é chegar aos 44 pontos com nove pontos conquistados nessas partidas. Trata-se de uma meta que coloca sobre o estádio uma responsabilidade enorme, especialmente porque o clube não conseguiu aproveitar essa condição durante boa parte do campeonato. O desafio de Baptista será transformar a boa sequência inicial em um padrão de desempenho que permita ao Inter cumprir o planejamento.
O confronto com o Coritiba aparece como o primeiro passo dessa tentativa. Uma vitória deixaria o treinador próximo de igualar, em apenas três partidas, o número de triunfos conquistados por Pezzolano em 14 jogos como mandante. Mais importante do que a marca individual, porém, seria confirmar que a equipe consegue manter a concentração e a eficiência mesmo quando a expectativa por um resultado positivo aumenta.
Também será necessário evitar que a necessidade de vencer os três jogos transforme a equipe em um time excessivamente ansioso. A pressão pela permanência pode levar a decisões precipitadas, principalmente quando o placar não corresponde ao esperado. Baptista precisará equilibrar a busca pelos resultados com a organização demonstrada nas primeiras partidas, sem permitir que a urgência comprometa a execução do plano de jogo.
A meta dos 44 pontos oferece uma referência para o planejamento, mas não deve ser tratada como garantia matemática de permanência. A pontuação necessária depende dos resultados dos concorrentes e do comportamento da tabela até o encerramento do campeonato. Por isso, o Inter precisa concentrar seus esforços em conquistar o máximo de pontos possível, sem depender exclusivamente de projeções.
O Beira-Rio precisa voltar a ser uma vantagem, não uma obrigação
A chegada de Eduardo Baptista trouxe uma mudança importante para o Internacional, mas o verdadeiro valor desse início será determinado pela capacidade de sustentá-lo. Vencer Corinthians e Botafogo representa um avanço, embora a equipe ainda precise demonstrar que consegue repetir o desempenho diante de adversários que também disputarão pontos fundamentais na reta final do Brasileirão.
O Colorado não pode depender apenas da empolgação provocada pelas primeiras vitórias. A permanência na Série A exige regularidade, concentração e capacidade de administrar diferentes situações durante os jogos. O treinador terá de aproveitar a confiança recuperada sem ignorar as limitações que fizeram o time chegar à reta final em uma posição tão delicada.
Ainda assim, recuperar o Beira-Rio pode representar a mudança mais importante para o Inter neste momento. A equipe passou meses sem conseguir transformar o mando de campo em uma vantagem consistente e viu seu desempenho cair para um dos piores patamares desde a reinauguração do estádio. Agora, duas vitórias consecutivas oferecem a possibilidade de reconstruir essa relação justamente quando o clube mais precisa dela.
O confronto com o Coritiba será um teste importante porque pode confirmar que a recuperação não foi apenas circunstancial. Se vencer novamente, Eduardo Baptista igualará em três partidas o número de triunfos de Pezzolano em 14 jogos como mandante e deixará o Inter mais próximo de cumprir a meta estabelecida para escapar do rebaixamento.
O caminho ainda exige cautela, mas o Colorado finalmente encontrou um ponto de apoio para enfrentar a reta final. O Beira-Rio precisa voltar a ser um trunfo, com a torcida participando da recuperação e a equipe correspondendo dentro de campo. Se conseguir transformar os três compromissos restantes em vitórias, o Internacional poderá não apenas garantir sua permanência, mas também encerrar uma temporada difícil recuperando uma das características que historicamente fizeram do estádio uma força importante do clube.
(Foto: Ricardo Duarte/Internacional)



