Escócia na Copa: Equipe europeia deve brigar apenas pelo 3º lugar
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Escócia na Copa: Equipe europeia deve brigar apenas pelo 3º lugar

A Escócia conseguiu o que não fazia desde 1998: se classificar para uma Copa do Mundo. Liderar o grupo nas eliminatórias europeias foi um feito importante e devolveu confiança à torcida. 

No entanto, ao analisar o elenco convocado por Steve Clarke, fica evidente que a seleção está bem abaixo do nível esperado de uma equipe europeia. Com Brasil e Marrocos no grupo, a Escócia deve disputar a terceira vaga com o Haiti, time tecnicamente inferior, mas que pode explorar as limitações escocesas.

O time tem um meio-campo sólido, mas sofre com grave falta de opções ofensivas. Scott McTominay é o grande nome e termômetro da equipe, mas como volante, ficará sobrecarregado ao ter que criar, marcar e chegar à frente. Sem um atacante de referência consistente, a Escócia depende demais de bolas paradas e contra-ataques.

Meio-campo forte, mas ataque limitado

O motor do time está no centro. Billy Gilmour e Scott McTominay formam um double pivot confiável, oferecendo proteção à zaga e dinamismo. John McGinn mantém a intensidade característica da seleção. Esse trio dá equilíbrio e permite variações entre 4-2-3-1 e 3-5-2. No entanto, o ataque é o grande problema.

Che Adams, Lyndon Dykes, George Hirst, Lawrence Shankland e Ross Stewart não inspiram confiança. Nenhum deles tem o nível para decidir jogos contra seleções de elite. McTominay acaba virando o principal finalizador, o que sobrecarrega o meio-campo e expõe a falta de profundidade. A Escócia domina o jogo aéreo e as segundas bolas, mas contra times tecnicamente superiores, isso nem sempre basta.

Grupo difícil: Brasil e Marrocos em outro patamar

O sorteio não foi generoso. Brasil e Marrocos estão em patamar bem superior. A Escócia pode até sonhar com pontos contra eles, especialmente se explorar bolas paradas, mas a diferença técnica e física deve prevalecer. O Haiti, embora inferior, tem jogadores velozes e pode complicar em transições rápidas.

A campanha europeia foi boa, mas os amistosos de 2026 contra Costa do Marfim e Japão (derrotas por 1 a 0) acenderam o alerta. Os jogos preparatórios contra Curaçao (30/5) e Bolívia (6/6) serão decisivos para ajustar a pontaria e testar opções no ataque.

Defesa sólida, mas limitações gerais

A zaga conta com experiência: Andy Robertson (capitão e referência pela esquerda), Kieran Tierney (versátil no 3-5-2), Grant Hanley, Jack Hendry, Scott McKenna e Aaron Hickey. O sistema defensivo é consistente e fisicamente imponente. No entanto, a falta de criatividade no último terço torna o time previsível.

Clarke aposta em equilíbrio defensivo e dinamismo pelos lados, mas sem um ataque mais afiado, a Escócia corre risco de ficar limitada a resultados modestos. A meta realista é brigar pelo terceiro lugar e sonhar com uma surpresa.

O que esperar da Escócia no Mundial

A classificação seria uma vitória histórica. A Escócia volta à Copa após 28 anos e tem chance de quebrar o tabu de nunca ter passado da fase de grupos. No entanto, o elenco atual mostra que a seleção ainda está longe das grandes potências europeias.

McTominay é o coração do time e pode decidir jogos com sua chegada à área. Robertson e Tierney dão opções pelos flancos. Mas a falta de um atacante de elite e a dependência excessiva do meio-campo são preocupações reais. Contra Brasil e Marrocos, a Escócia precisará ser extremamente organizada e aproveitar erros. Contra o Haiti, deve buscar os três pontos para manter viva a chance de avançar.

Steve Clarke tem um grupo unido e disciplinado, mas o talento individual ainda é limitado. A Escócia chega como underdog no grupo, mas com orgulho de representar uma nação que esperou quase três décadas por esse momento.

O Mundial de 2026 será uma oportunidade de crescimento. Se a Escócia conseguir pontos contra os favoritos ou uma vitória convincente sobre o Haiti, a campanha já será considerada positiva. O importante é voltar para casa com a cabeça erguida e bases para um ciclo mais ambicioso nas próximas eliminatórias.

Foto: Seleção da Escócia.