Espanha x Cabo Verde
Copa do Mundo Futebol

Espanha mostra limitações em tropeço contra Cabo Verde; confira as impressões da estreia da Fúria

Espanha e Cabo Verde empataram em 0 a 0, em Atlanta, no jogo que inaugurou o Grupo H da Copa do Mundo. A partida foi marcada pela atuação épica da defesa da seleção africana, que esteve próxima da perfeição ao conceder poucos espaços para a equipe espanhola. Por outro lado, a Espanha, que iniciou o confronto sem Lamine Yamal, mostrou muitas dificuldades para furar uma defesa bem postada, algo que já havia acontecido em outras Copas do Mundo.

Após tropeçar diante da seleção considerada, em tese, a mais fraca do grupo, a Espanha, que chegou à Copa do Mundo da América do Norte como uma das favoritas — talvez até a principal candidata ao título —, deixou mais dúvidas do que respostas para o técnico Luis de la Fuente ao somar apenas um ponto diante da valente seleção de Cabo Verde. Confira nossas impressões.

Espanha mostra mais uma vez dificuldades contra equipes muito fechadas

A seleção espanhola encontrou enormes dificuldades para furar o bloqueio defensivo de Cabo Verde. Sem Lamine Yamal e Nico Williams entre os titulares — jogadores que foram os grandes diferenciais da Espanha na Eurocopa de 2024 —, a Fúria teve problemas para criar oportunidades claras diante da organizada defesa africana.

O jogo espanhol se concentrou na troca de passes, girando a bola de um lado para o outro, mas sem grande agressividade. Quando a bola passava pelos pés de Pedri e Rodri, surgiam as melhores oportunidades, principalmente com Cucurella atuando quase como um ponta pela esquerda durante as fases ofensivas. Ainda assim, os campeões europeus esbarraram na atuação histórica do goleiro Vozinha, que foi o grande nome da partida.

Para os próximos compromissos, Luis de la Fuente precisa iniciar com Lamine Yamal pelo lado direito. O craque do Barcelona é a principal peça de desequilíbrio da equipe e será fundamental contra adversários que jogam mais fechados, cenário que pode se repetir diante de Arábia Saudita e Uruguai.

Cucurella, Pedri e Rodri foram os poucos destaques da Espanha

Apesar da atuação abaixo do esperado, três jogadores conseguiram se destacar em uma exibição burocrática da seleção espanhola: Cucurella, Pedri e Rodri.

Pedri e Rodri foram os principais responsáveis pela criação ofensiva. As melhores chances da Espanha nasceram de jogadas iniciadas por um dos dois meio-campistas. Pedri, inclusive, desempenhou uma função diferente da que exerce no Barcelona. Na seleção de Luis de la Fuente, atua praticamente como um camisa 10, jogando mais próximo dos atacantes.

Já Rodri, que chegou à Copa do Mundo cercado de dúvidas por causa das lesões recentes, mostrou bons momentos e foi importante durante o período em que a Espanha mais pressionou, lembrando sua melhor versão dos tempos de Manchester City.

Cucurella, por sua vez, foi o melhor jogador espanhol em campo. Seguro defensivamente e muito participativo no ataque, atuou praticamente como um ponta pela esquerda. Sem Nico Williams e Lamine Yamal para acelerar o jogo pelos lados, as melhores oportunidades da Espanha surgiram justamente das suas infiltrações e chegadas à área.

O lateral mostrou que pode ser uma alternativa importante quando a Espanha enfrentar adversários muito fechados, funcionando como um elemento surpresa no ataque.

Atuação histórica de Cabo Verde faz os Tubarões sonharem com a classificação

A atuação histórica de Cabo Verde coloca a seleção africana como uma possível candidata a uma vaga na fase de mata-mata, seja pela segunda colocação do grupo ou como uma das melhores terceiras colocadas.

Contra a Espanha, os Tubarões Azuis demonstraram enorme organização defensiva, concedendo poucos espaços aos espanhóis. E, quando a defesa foi superada, apareceu Vozinha para protagonizar uma das melhores atuações individuais da Copa do Mundo até aqui.

Destaque também para a dupla de zaga formada por Pico Lopes e Diney Borges, que realizou uma partida impecável. Ambos venceram a maioria dos duelos contra os atacantes espanhóis e foram fundamentais para manter o empate. O lateral-direito Sidney Cabral também teve excelente desempenho, neutralizando Ferran Torres durante boa parte do confronto.

Porém, para avançar de fase, Cabo Verde precisará mostrar mais ambição ofensiva. Contra a Espanha, era compreensível que a prioridade fosse defender. Já diante de Uruguai e Arábia Saudita, a seleção africana precisará explorar melhor os contra-ataques, acionando jogadores como Dailon Livramento, Jovane Cabral e Ryan Mendes.

De qualquer forma, se repetir o nível defensivo apresentado contra a Espanha e conseguir evoluir ofensivamente, Cabo Verde pode surpreender e sonhar com uma classificação histórica.

Lamine Yamal precisa ser titular para tornar a Espanha menos previsível

O empate contra Cabo Verde deixou claro que Luis de la Fuente não pode abrir mão de Lamine Yamal quando o atacante estiver em condições físicas de atuar.

Nos poucos minutos em que esteve em campo, o jogador do Barcelona foi o principal fator de desequilíbrio da seleção espanhola. Suas arrancadas, dribles e mudanças de direção criaram problemas que a Espanha não havia conseguido provocar durante boa parte da partida.

Yamal teve pouco tempo para mudar o jogo, mas sua entrada mostrou o quanto a equipe se torna mais perigosa quando ele está em campo. Se estiver apto para atuar, deve começar como titular já na próxima rodada.

A estreia contra Cabo Verde evidenciou que, sem Lamine Yamal, a Espanha pode se tornar uma equipe excessivamente previsível, dependente da posse de bola e com dificuldades para romper sistemas defensivos bem organizados.

(Foto: Roberto Schmidt/AFP)