A conquista da Copa do Mundo de 2026 transformou definitivamente a Espanha na principal referência do futebol internacional. Depois de vencer a Eurocopa de 2024 e agora levantar novamente o troféu mais importante do esporte, a equipe comandada por Luis de la Fuente passou a ocupar o posto de seleção a ser batida por todos os seus adversários.
O cenário lembra outros períodos marcantes da história do futebol, quando uma equipe dominante obrigava seus rivais a promover profundas mudanças para tentar reduzir a diferença técnica e competitiva. Desta vez, a resposta das principais seleções não parece estar apenas na renovação dos elencos, mas principalmente na escolha dos treinadores.
Brasil, França, Alemanha e Itália apostam em quatro dos técnicos mais influentes do século XXI. Carlo Ancelotti já iniciou seu projeto com a seleção brasileira. Zinedine Zidane está prestes a assumir a França. Jurgen Klopp volta aos bancos de reservas para liderar a reconstrução da Alemanha. Enquanto isso, a Itália tenta convencer Pep Guardiola a aceitar aquele que seria o único grande desafio ainda inédito em sua carreira.
Mais do que simples mudanças de comando, esses movimentos demonstram o tamanho do respeito conquistado pela atual campeã mundial.
Espanha obriga rivais a iniciarem novos ciclos

Poucas vezes na história recente uma seleção conseguiu reunir tantos fatores positivos ao mesmo tempo.
Além da conquista da Copa do Mundo, a Espanha chega aos próximos anos mantendo praticamente toda a base do elenco, um treinador consolidado, jogadores jovens em plena evolução e um modelo de jogo amplamente elogiado no cenário internacional.
O próximo objetivo já está definido.
A Eurocopa de 2028 representa a oportunidade de ampliar ainda mais um ciclo vencedor, enquanto a Copa do Mundo de 2030 terá um ingrediente especial: será disputada também em solo espanhol, aumentando a expectativa por uma campanha histórica diante de sua torcida.
Naturalmente, esse domínio provoca reações.
As principais seleções entenderam que apenas revelar novos jogadores pode não ser suficiente para diminuir a vantagem construída pela Espanha. Por isso, a aposta passou a ser feita também nos bancos de reservas.
A França inicia um dos projetos mais aguardados do futebol internacional.
Após mais de uma década sob o comando de Didier Deschamps, responsável por conquistar a Copa do Mundo de 2018 e chegar à final em 2022, a seleção francesa inicia uma nova etapa com Zinedine Zidane.
Poucos nomes possuem tamanho peso no futebol.
Como jogador, Zidane conquistou praticamente tudo. Como treinador, comandou o Real Madrid na histórica sequência de três títulos consecutivos da Liga dos Campeões.
Agora, terá pela frente talvez o maior desafio de sua carreira.
Além de manter a França constantemente entre as favoritas nas grandes competições, precisará recolocar a seleção acima da Espanha no futebol europeu.
Brasil e Alemanha apostam na experiência para voltar ao topo

Outra seleção que iniciou um profundo processo de reconstrução foi o Brasil.
Após campanhas abaixo das expectativas em competições recentes, a CBF decidiu entregar o projeto ao treinador mais vencedor da história da Liga dos Campeões.
Carlo Ancelotti chega com um currículo praticamente inigualável.
Ao longo da carreira, conquistou 31 títulos, incluindo quatro troféus da principal competição de clubes da Europa, sempre demonstrando enorme capacidade para administrar elencos recheados de estrelas.
Agora, o italiano terá um objetivo diferente.
Mais do que conquistar resultados imediatos, precisará reconstruir uma identidade competitiva para que o Brasil volte a chegar à Copa do Mundo de 2030 em condições de disputar novamente o título.
A missão não envolve apenas a seleção principal.
O projeto também prevê mudanças estruturais capazes de fortalecer o desenvolvimento do futebol brasileiro desde as categorias inferiores até a equipe principal.
Na Alemanha, o cenário apresenta algumas semelhanças.
Depois de mais uma participação decepcionante em Copas do Mundo, a federação alemã decidiu apostar no retorno de Jurgen Klopp.
O treinador encerrou recentemente seu ciclo no Liverpool e passou um período trabalhando dentro da estrutura esportiva do grupo Red Bull.
Sua volta aos bancos representa muito mais do que uma simples mudança técnica.
Klopp simboliza características historicamente associadas ao futebol alemão: intensidade, liderança emocional, organização coletiva e enorme capacidade para construir equipes competitivas.
A expectativa é que essas qualidades acelerem o processo de reconstrução de uma seleção que busca recuperar o protagonismo perdido nos últimos anos.
Guardiola pode representar a maior revolução da Itália

Entre todos os projetos, talvez o mais ambicioso ainda seja apenas uma possibilidade.
A Federação Italiana trabalha para convencer Pep Guardiola a assumir a seleção nacional.
Caso a negociação seja concretizada, será a primeira experiência do treinador espanhol à frente de uma seleção principal.
Também representará uma mudança profunda na identidade da Itália.
Historicamente reconhecida pela organização defensiva e pela força tática sem a bola, a Azzurra passaria a desenvolver um futebol baseado no controle da posse, na construção ofensiva e na pressão alta, características que marcaram toda a carreira de Guardiola.
Depois de ficar fora de três Copas do Mundo consecutivas e enfrentar dificuldades para recuperar sua relevância internacional, a Itália acredita que somente uma mudança estrutural poderá recolocá-la entre as grandes potências.
O currículo de Guardiola justifica esse otimismo.
Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City foram profundamente transformados sob seu comando, tornando-se equipes dominantes tanto nacional quanto internacionalmente.
A aposta italiana seria reproduzir esse mesmo impacto no futebol de seleções.
Uma disputa histórica começa rumo a 2028 e 2030

O que torna esse cenário ainda mais interessante é o fato de que dificilmente tantas seleções importantes reuniram simultaneamente treinadores com tamanho prestígio.
Zidane, Ancelotti, Klopp e Guardiola acumulam dezenas de títulos nacionais e internacionais e ajudaram a definir diferentes tendências táticas do futebol moderno.
Embora cada um possua uma filosofia própria, todos compartilham uma missão em comum: encontrar a fórmula capaz de interromper a atual hegemonia da Espanha.
Do outro lado, Luis de la Fuente permanece liderando uma geração que combina juventude, experiência e enorme qualidade técnica.
A seleção espanhola chega aos próximos anos com estabilidade rara no futebol internacional, mantendo uma base vencedora e um modelo de jogo consolidado.
Por isso, a Eurocopa de 2028 promete marcar o início de uma nova rivalidade entre projetos extremamente ambiciosos. Em seguida, a Copa do Mundo de 2030 ampliará ainda mais essa disputa, principalmente porque a Espanha também atuará como anfitriã do torneio.
Se os maiores treinadores da atualidade realmente estiverem reunidos à frente das principais seleções do planeta, o futebol internacional poderá viver um dos ciclos mais competitivos de sua história. E isso acontece justamente porque existe hoje uma referência clara a ser superada: a Espanha, atual campeã mundial e principal potência do futebol internacional.



