A Fórmula 1 (F1) está na mira do Congresso americano. Representantes do Congresso dos Estados Unidos enviaram uma carta ao presidente da Liberty Media, Greg Maffei, expressando suas preocupações sobre a recusa da Fórmula 1 em permitir a entrada da equipe Andretti na competição.
Em janeiro, a F1 rejeitou a proposta da equipe norte-americana de ingressar no grid da elite global do automobilismo na temporada seguinte, apesar da aprovação de suas capacidades técnicas pela Federação Internacional do Automobilismo em outubro.
Segundo a Fórmula 1, “nosso processo de avaliação estabeleceu que a presença de uma 11ª equipe não traria, por si só, valor ao campeonato. A maneira mais significativa pela qual um novo participante agregaria valor seria sendo competitivo. Não acreditamos que o candidato seria um participante competitivo”.
Mario Andretti, lendário campeão mundial de F1 em 1978 e patriarca da equipe Andretti, recentemente visitou o Capitólio, onde se encontrou com o congressista republicano John James, um dos doze signatários da carta enviada à Liberty Media, para discutir o impasse.
Os membros do Congresso dos Estados Unidos têm o papel de representar seus distritos e legislar em nome do povo. Na carta direcionada ao CEO da Liberty Media, eles expressam preocupações sobre as ações que poderiam obstruir as atividades de duas empresas americanas, a Andretti e a General Motors (GM, parceira da equipe no projeto), na produção e competição na F1.
O que diz a carta à F1
O documento argumenta que a recusa da F1 em aceitar a entrada da Andretti parece estar relacionada à atual composição das equipes europeias da F1, muitas das quais têm vínculos com fabricantes estrangeiros que concorrem diretamente com empresas automotivas americanas, como a GM. Tal conduta é considerada injusta e questionável, pois poderia violar as leis antitruste dos Estados Unidos. Vale ressaltar que a Liberty Media é uma empresa dos EUA.
No documento afirma ainda que “a participação de todas as equipes de F1, incluindo as norte-americanas, deve ser baseada no mérito e não apenas limitada à proteção da atual linha de equipes. Isso é especialmente verdadeiro considerando a crescente presença da F1 nos Estados Unidos, incluindo três eventos em Miami, Austin e Las Vegas.”
“Agradecemos aos membros bipartidários do Congresso pelo seu apoio em desafiar esse comportamento anticompetitivo”, escreveu a Andretti Global nas redes sociais.
“Permanecemos comprometidos em trazer a primeira equipe e unidade motriz dos EUA para a F1 e em dar aos fãs americanos uma equipe da casa para torcer.
“Esperamos que isso possa ser resolvido rapidamente para que a Andretti Cadillac possa ocupar seu lugar devidamente aprovado no grid em 2026. Nosso trabalho continua em ritmo acelerado.”

Perguntas e Respostas
Os congressistas solicitaram que a Liberty forneça respostas às seguintes perguntas até o dia 3 de maio:
- “Com que autoridade a F1 rejeitou a admissão da Andretti? Qual é a justificativa para a rejeição, especialmente no que diz respeito à Andretti e a GM, potencialmente sendo a primeira equipe norte-americana construída nos Estados Unidos?”.
- “A Lei Sherman Antitruste de 1890 proíbe restrições irracionais à concorrência no mercado para produzir o melhor resultado para o consumidor norte-americano. Como a recusa da F1 à Andretti e à GM, empresas de propriedade norte-americana, se enquadra nos requisitos da Lei Sherman, uma vez que a decisão beneficiará as equipes europeias já estabelecidas e suas ‘afiliadas’ estrangeiras de fabricação de automóveis?”.
- “Entendemos que a GM pretende reintroduzir sua marca Cadillac no mercado europeu, o que daria suporte a milhares de empregos automotivos norte-americanos bem remunerados, especialmente com a audiência mundial da F1 e seu efeito sobre equipes e patrocinadores. Em que medida a entrada da GM e da Andretti na competição e a entrada da GM no mercado europeu contribuíram para a decisão de negar a admissão da Andretti, considerando o clamor das equipes contra um concorrente americano?”.
Eles assinam a carta declarando: “Continuamos a supervisionar esse assunto, e com os órgãos reguladores federais apropriados, para garantir que quaisquer possíveis violações da lei dos EUA sejam investigadas e perseguidas rapidamente”.
(Foto: ANNA MONEYMAKER/GETTY IMAGES)



