A McLaren encerrou o GP de Barcelona com motivos para comemorar, mas também com algumas dúvidas sobre as decisões estratégicas tomadas durante a corrida. Lando Norris largou da quarta posição no grid e conseguiu aproveitar o abandono de Andrea Kimi Antonelli nas voltas finais para garantir o terceiro lugar, conquistando seu primeiro pódio desde o GP de Miami.
O resultado teve importância especial para a equipe de Woking, já que colocou fim a uma sequência de duas corridas consecutivas sem pontuar devido a abandonos. Além dos pontos conquistados, outro aspecto positivo observado pela McLaren foi o ritmo apresentado por Norris ao longo da prova.
Durante grande parte da corrida, o atual campeão mundial conseguiu permanecer próximo dos carros da Mercedes pilotados por George Russell e Antonelli. Essa proximidade permitiu à equipe avaliar diferentes alternativas estratégicas na tentativa de ganhar posições e disputar um resultado ainda melhor.
Apesar disso, a corrida também levantou questionamentos internos sobre qual teria sido a melhor abordagem estratégica para enfrentar seus principais adversários. As análises realizadas após a prova mostraram que a equipe conseguiu acompanhar o ritmo da Mercedes em vários momentos, mas encontrou dificuldades para responder ao desempenho demonstrado pela Ferrari de Lewis Hamilton.
O britânico adotou uma estratégia diferente da utilizada por Norris e acabou transformando essa escolha em um fator decisivo para conquistar a vitória na Espanha.
McLaren tentou pressionar a Mercedes com estratégia de duas paradas
Ao longo da corrida, Norris seguiu a mesma estratégia de duas paradas utilizada pela Mercedes. A McLaren procurou explorar a possibilidade de realizar um undercut, antecipando suas paradas para tentar ganhar posição sobre os carros da equipe alemã durante as trocas de pneus.
No entanto, a tentativa não produziu o resultado esperado. Mesmo permanecendo próxima dos adversários, a equipe concluiu que não possuía velocidade suficiente para transformar a estratégia em uma vantagem efetiva na pista. Após a corrida, o chefe da McLaren, Andrea Stella, explicou como a equipe conduziu suas decisões estratégicas. “Em termos de jogar com a estratégia do ponto de vista do undercut, nós realmente tentamos permanecer o mais próximos possível da Mercedes para podermos tentar um undercut.”
Segundo Stella, a equipe chegou a executar a tentativa, mas ela não trouxe os benefícios esperados. “De certa forma, nós fizemos isso, mas não foi bem-sucedido.”
O mesmo ainda destacou que, dentro das condições apresentadas durante a prova, a McLaren procurou utilizar todos os recursos disponíveis para buscar um resultado melhor. “Desse ponto de vista, acredito que tentamos tudo o que estava ao nosso alcance.” Apesar disso, a análise posterior da corrida levantou uma questão importante sobre a possibilidade de uma estratégia diferente ter sido mais eficaz.
Equipe passou a questionar se três paradas teriam sido a melhor escolha
Após avaliar o desenrolar da corrida, Andrea Stella reconheceu que existe uma dúvida legítima sobre a estratégia escolhida pela McLaren. “Se existe alguma questão olhando para trás, é se deveríamos ter adotado uma estratégia de três paradas. Qual era a estratégia correta?”
Durante parte da prova, a equipe acreditou que a utilização dos pneus duros poderia favorecer uma estratégia com apenas duas visitas aos boxes. O desempenho desse composto no segundo stint levou a McLaren a considerar que essa abordagem poderia, ao menos, limitar o avanço de Lewis Hamilton. “Em determinado momento, quando vimos que os pneus duros estavam funcionando bem no segundo stint, pensamos que a estratégia de duas paradas seria uma forma, pelo menos, de tentar limitar Hamilton.”
A equipe avaliava que a preservação dos pneus poderia compensar a diferença de ritmo e permitir que Norris permanecesse na disputa pelas posições de destaque. Entretanto, conforme a corrida avançou, ficou claro que a Ferrari possuía um desempenho superior ao esperado. A estratégia de três paradas adotada por Hamilton permitiu ao piloto utilizar pneus mais frescos durante períodos importantes da prova, aumentando sua capacidade de atacar e manter um ritmo elevado.
Esse cenário levou a McLaren a reconsiderar se uma abordagem semelhante poderia ter proporcionado melhores oportunidades para Norris.
Andrea Stella acredita que Hamilton venceria mesmo sem o Safety Car Virtual
A vitória de Lewis Hamilton foi favorecida pela entrada de um Safety Car Virtual em um momento considerado oportuno para a Ferrari. Mesmo assim, Andrea Stella acredita que esse fator não foi determinante para o resultado final da corrida.
Na avaliação do chefe da McLaren, o desempenho apresentado pela Ferrari e pelo piloto britânico era suficientemente forte para garantir a vitória independentemente das circunstâncias. “Mas, na realidade, Hamilton estava rápido — provavelmente era o carro mais rápido da pista.”
Stella destacou que a velocidade demonstrada pelo conjunto da Ferrari foi superior à dos concorrentes ao longo da prova. Por esse motivo, o dirigente acredita que o resultado dificilmente seria diferente mesmo sem a ajuda proporcionada pelo período de Safety Car Virtual. “E acredito que ele teria vencido de qualquer forma.”
A conclusão da McLaren é que a Ferrari possuía o melhor ritmo em Barcelona e que a estratégia de três paradas foi adequadamente executada para explorar essa vantagem. “Ele certamente teria vencido com a estratégia de três paradas.”
Dessa forma, embora a equipe continue avaliando se poderia ter adotado uma abordagem diferente com Norris, Andrea Stella considera que a velocidade apresentada por Hamilton e pela Ferrari foi o fator mais importante para definir o resultado do Grande Prêmio de Barcelona.
Foto: (Fórmula 1)