Vamos começar o texto com uma frase simples e direta: todos estamos cansados das decisões estapafúrdias da FIA na Fórmula 1, e esta é mais uma que se encaixa perfeitamente nessa categoria.
Explicando a decisão recente, no final de janeiro, com os carros da temporada já 90% prontos e 100% projetados, a FIA decidiu alterar o coeficiente aceitável de flexibilidade das asas dianteiras, banindo as asas de alta flexibilidade, que vinham se tornando um padrão.
Mas onde está o erro da FIA? São vários, e vamos falar sobre eles agora.
O problema da FIA
Tudo começou na temporada de 2024, quando a McLaren passou a utilizar uma asa dianteira mais flexível. As demais equipes logo protestaram, alegando que a peça era ilegal, já que apresentava um nível de flexibilidade altíssimo e ajudou a transformar a McLaren, quase que instantaneamente, em um dos melhores carros do grid. No entanto, a FIA decidiu que a asa estava dentro do regulamento, obrigando as outras equipes a se adaptarem a esse novo padrão.
Até aí, tudo bem. Todas as equipes correram para desenvolver asas semelhantes. Algumas acertaram mais rápido, enquanto outras só conseguiram implementar a novidade no fim da temporada, mas, no geral, todo o grid trabalhou para otimizar esse conceito.
Então veio a “temporada de projeto” do ano seguinte. As equipes pegaram as soluções que mais funcionaram no ano anterior para aperfeiçoá-las e se manterem competitivas. Naturalmente, a asa dianteira flexível foi um dos principais focos de desenvolvimento.
O grande problema é que esse tipo de ajuste não é algo que se resolve sentando na frente de um computador por algumas horas. É um trabalho extremamente complexo, que leva MESES para ser projetado, testado e implementado. As equipes passaram todo esse tempo desenvolvendo suas novas asas, produzindo-as e realizando testes no início de 2025.
E então, após todo esse processo – que, como já dissemos, leva meses –, a FIA simplesmente mudou o regulamento de última hora.
O impacto da mudança
Menos mal que a mudança não será aplicada imediatamente. Na verdade, a nova regra só entrará em vigor a partir do GP da Espanha, a nona etapa do campeonato, no dia 1º de junho. Isso dá às equipes exatos cinco meses para refazer todo o trabalho que levou muito mais tempo para ser concluído.
Mas por que não simplesmente reverter para o modelo antigo de asa?
Aqui está um grande problema. Alguns jornalistas e criadores de conteúdo especializados na parte técnica indicam que os novos coeficientes de flexibilidade permitidos serão ainda menores do que os antigos. Isso significa que as asas precisarão ser mais rígidas do que em qualquer outro momento desde o início da era do efeito solo, o que pode causar a volta do temido porpoising.
Vale lembrar que um dos grandes trunfos da Red Bull nos últimos anos foi justamente a sincronia entre a flexibilidade da asa e o assoalho. No início desse ciclo de regulamentos, a equipe já utilizava asas que, pela sua flexibilidade, pareciam ilegais. O problema é que, caso as novas previsões estejam corretas, essas mesmas asas já estariam banidas sob as novas regras.
Com todas essas mudanças e também as limitações de orçamento e tempo restrito de simulação e uso do túnel de vento, as equipes terão um prazo extremamente curto para corrigir problemas em um carro que será o último desse regulamento.
E aí surge um novo questionamento que pode impactar toda a temporada de 2025:
Até que ponto as equipes estarão dispostas a sacrificar o desenvolvimento do carro de 2026, que será completamente diferente, para corrigir um problema que só afeta o modelo deste ano?
Essas são perguntas que só teremos resposta no meio da temporada. Mas, graças a mais uma decisão aleatória da FIA, as equipes agora se encontram com pouco tempo para buscar essas respostas e encontrar soluções antes que a mudança entre em vigor.
(Foto: Getty Images)



