Renato Fluminense
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Fluminense de Renato Gaúcho: como jogará o Tricolor sob novo comando?

O Fluminense colocou um ponto final na busca por um novo treinador, decidindo seguir sua trajetória em 2025 com Renato Gaúcho no comando. Após uma temporada fraca no Grêmio em 2024, o treinador optou por tirar férias, apesar da alta procura para continuar na elite do futebol brasileiro. Para retornar à ativa, aceitou a proposta de R$ 1,5 milhão do time tricolor e o desafio de voltar a brilhar no cenário sul-americano.

A fase do campeão da Libertadores de 2023 já não era das melhores sob o comando de Mano Menezes desde o término da última temporada, quando o time flertou com o rebaixamento para a Série B. Apesar disso, o presidente Mário Bittencourt manteve o treinador à frente do elenco até a derrota por 2 a 0 diante do Fortaleza na estreia do Brasileirão, o que precipitou a mudança.

Faz tempo que a equipe carioca não consegue se apresentar dentro de campo com a mesma qualidade de dois anos atrás. Por conta disso, a diretoria buscou um profissional com forte capacidade de gestão de vestiário, e Renato Gaúcho foi a resposta encontrada. Antes, chegaram a oferecer R$ 1,5 milhão a Gabriel Milito, mas o argentino recusou. Se ele não quis, houve quem aceitasse.

Outro fator que motivou a escolha por Renato foi seu estilo de jogo. Após conviver com esquemas mais reativos sob o comando de Fernando Diniz e Mano Menezes, o Fluminense se abriu para um técnico de mentalidade ofensiva. Renato não tem na defesa seu ponto forte, mas já conseguiu se destacar no Brasileirão pelo poderio do seu ataque. Será que essa realidade se repetirá?

O Fluminense de Renato Gaúcho

Renato Gaúcho Seleção Fluminense
Foto: Lucas Uebel/Grêmio

 

É difícil definir um estilo fixo para os trabalhos de Renato Gaúcho, além da sua predileção por um jogo ofensivo e dominante. Afinal, qual treinador não gostaria de ter essas características em seu time? Por isso, espera-se um Fluminense mais solto dentro de campo, permitindo que suas principais peças brilhem individualmente, já que o técnico valoriza esse tipo de movimentação.

Na última temporada, Renato alternou diversas vezes a forma de jogar do Grêmio, variando entre um 4-2-3-1 sem pontas, um esquema com três zagueiros e até um 4-3-1-2 em losango, que dava mais liberdade ao meia-armador sem tanta preocupação defensiva.

Imaginar essa estrutura com Ganso livre atrás de Germán Cano e Jhon Arias é bastante interessante. No entanto, o Fluminense se reforçou nesta última janela de transferências. Canobbio chegou como um dos principais nomes após boas atuações pelo Athletico-PR. No entanto, encaixá-lo nesse esquema exigiria a retirada de um dos três pilares da equipe, algo que parece improvável.

Isso não significa que essa será a única alternativa tática do time tricolor. Renato Gaúcho pode oferecer ao Fluminense diferentes abordagens, algo que dificilmente aconteceria com Hernán Crespo, outro treinador procurado pela diretoria. Crespo é um grande adepto do esquema com três zagueiros, o que não parece ser o caminho trilhado pelo clube carioca no momento.

Mesmo com a lesão de Otávio, Renato terá ótimas opções para compor o meio-campo, como Martinelli, Hércules, Facundo Bernal e Nonato. No setor ofensivo, conta ainda com Ganso, Arias, Lezcano e outros nomes. O treinador gosta de meio-campos recheados, então é provável que essa característica seja mantida no Fluminense.

Fluminense com pitadas de jogo aposicional?

Renato Fluminense
Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Gazeta Press

 

O Fluminense viveu momentos de glória recentemente com Fernando Diniz, cujo estilo privilegiava a fluidez e a movimentação dos jogadores, sem posições fixas dentro das quatro linhas. As constantes trocas de posição confundiam os marcadores e criavam espaços para os jogadores explorarem.

No mesmo período em que Diniz fazia sucesso no Flu, Renato Gaúcho também se destacava com o Grêmio, mas com uma abordagem diferente. Seu time valorizava a ocupação de espaços por meio do jogo de aproximação e passes rápidos, buscando dar opções ao jogador com a bola e criar superioridade numérica em diferentes setores do campo.

A realidade de Renato no Fluminense pode ser diferente, especialmente porque ele não terá à disposição uma peça fundamental do Grêmio de 2023: Luis Suárez. O uruguaio saía frequentemente da área para atrair marcadores e abrir espaços para os companheiros. Germán Cano dificilmente desempenharia essa função, mas Everaldo pode ser uma alternativa para se aproximar desse papel, embora com características bem distintas das de Suárez.

A movimentação de Suárez para fora da área era uma estratégia para puxar a marcação e permitir a infiltração dos pontas. No Fluminense, Canobbio pode aproveitar esse tipo de jogada, assim como Arias, Kevin Serna, Lezcano e Lavena. Suárez recebia a bola longe da área e já pensava no passe seguinte, antecipando os movimentos dos seus companheiros. Será possível reproduzir algo semelhante no Fluminense?

E quanto a Ganso? O camisa 10 tricolor é um talento que Renato Gaúcho dificilmente poderá ignorar. No Grêmio de 2023, Bitello desempenhava um papel semelhante ao que Ganso pode assumir no Flu: iniciando como ponta, mas com liberdade para atuar como um meia-armador e explorar seus passes em profundidade.

Ganso é um jogador que enxerga o jogo de forma única, e seu talento pode ser decisivo para encontrar companheiros bem posicionados entre as linhas adversárias ou iniciar contra-ataques letais. Resta saber como Renato Gaúcho encaixará todas essas peças e quais caminhos o Fluminense seguirá sob seu comando.

Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Gazeta Press