A Fórmula 1 pode promover ajustes imediatos em seu regulamento após o forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão, que reacendeu críticas sobre a segurança e o impacto do superclipping nas disputas em pista.
A FIA convocou uma reunião com equipes e fabricantes para o dia 9 de abril, com a expectativa de definir alterações que já possam entrar em vigor na etapa seguinte, em Miami, segundo informações do The Race.
Segurança lidera discussão por mudanças

Seis mudanças estão sendo analisadas no momento, incluindo o aumento da recuperação de energia durante a fase de aceleração para evitar que a bateria descarregue em trechos de reta e cause o superclipping, fenômeno que provocou uma diferença de 50 km/h entre Bearman e Colapinto no momento da batida.
Outras possibilidades incluem reduzir a potência elétrica disponível, visando prolongar o uso da bateria nas retas, limitar a quantidade de energia recuperada a cada volta para forçar uma pilotagem mais agressiva e até flexibilizar ainda mais o uso dos modos reta e curva, que afetam o arrasto aerodinâmico.
Embora também tenham sido consideradas mudanças na distribuição entre energia elétrica e combustão no motor, elas não devem ser implementadas nesta temporada da Fórmula 1 por questões de confiabilidade e limitações técnicas dos carros.
Burocracia do regulamento e formato de classificação em pauta
Outra questão que será debatida é tornar o regulamento da Fórmula 1 menos burocrático, já que os próprios pilotos têm tido dificuldades para gerir os sistemas eletrônicos. Embora isso já fosse um fator nos regulamentos anteriores, em 2026 tornou-se ainda mais complexo.
Por fim, a qualidade dos treinos de classificação também está em debate. O modelo atual tem causado certo anticlimax no final do Q3, quando geralmente se sabe antecipadamente quem será o pole position graças à gestão exaustiva das baterias, algo criticado publicamente por Charles Leclerc (Ferrari).
A FIA chegou a mexer no formato da classificação no GP do Japão para permitir que os pilotos adotassem um ritmo mais agressivo e dependessem menos do gerenciamento, mas o impacto foi mínimo e isso deve ir novamente à mesa de discussão.
Fato é que há um consenso no paddock de que partes importantes do regulamento precisam sofrer mudanças, e algumas delas poderão ser implementadas já na próxima corrida, em Miami, no dia 3 de maio.
A pausa superior a um mês entre o GP do Japão e a etapa nos Estados Unidos, causada pelo cancelamento das provas da Arábia Saudita e do Bahrein, dá tempo hábil para as equipes trabalharem nos erros que marcaram as etapas iniciais e para a organização da Fórmula 1 rever quais aspectos do novo regulamento precisam de ajustes.


