O chefe da Racing Bulls, Alan Permane, afirmou que as “soluções rápidas” que a Fórmula 1 deve implementar a partir do GP de Miami não serão suficientes para resolver o problema das baterias. O formato sprint do fim de semana foi citado por ele como o principal empecilho, dado o pouco tempo disponível destinado a testes.
O dirigente espera ver outras alterações no decorrer da temporada, com maiores impactos sentidos apenas a partir de Barcelona. Após a batida de Oliver Bearman no Japão, somada a outros incidentes ao longo das três etapas iniciais, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) iniciou discussões com as equipes a fim de melhorar o regulamento e solucionar falhas de segurança.
Menos energia: a solução de Permane para a Fórmula 1

Permane deu seu ponto de vista à imprensa sobre as mudanças discutidas para implementação imediata na Fórmula 1 em 2026. Para ele, embora mudanças estejam planejadas para Miami, o espetáculo das corridas pode não mudar tanto no curto prazo, já que tanto a etapa estadunidense quanto o GP seguinte, no Canadá, terão apenas um treino livre, graças à corrida sprint.
No comando da equipe satélite da Red Bull desde a temporada anterior, o britânico defendeu que uma maneira de diminuir a necessidade de ‘lift and coast’ (desacelerar para recuperar energia na bateria) é diminuir a quantidade de energia disponível. Todavia, isso traria uma consequência direta no espetáculo.
“Isso tornará os carros mais lentos, mas não acho que queremos tornar as curvas menos desafiadoras, então precisamos ter cuidado, e sei que a FIA está sendo cuidadosa”, explicou Permane.
A situação não tem afetado somente as disputas nos Grandes Prêmios, mas também as classificações da Fórmula 1. A sessão em que, historicamente, os carros alcançam os maiores picos de performance, enquanto os pilotos andam no limite para buscar cada milésimo de segundo, está perdendo esse fator de adrenalina por conta da gestão de bateria.
Dentre as vozes mais ativas no grid contra a situação do regulamento estão Max Verstappen, Carlos Sainz Jr. – que também atua como diretor da GPDA (Grand Prix Drivers’ Association) – e o atual campeão Lando Norris.
Independentemente de qual solução será adotada, a FIA e a Fórmula 1 estão sob pressão por parte de pilotos, equipes e fãs para alterar o livro de regras e trazer de volta parte do espírito competitivo que teria sido perdido em 2026.
Mudanças grandes apenas a partir de Barcelona
Ainda segundo Permane, as alterações de regulamento não deverão ser implementadas de uma vez. Em Miami e Montreal, apenas mudanças pontuais serão vistas, enquanto a etapa seguinte a essas, em Mônaco, também representa um palco não ideal para testes.
“Barcelona pode ser a primeira vez em que tentaremos algumas das [mudanças] mais complexas. Eu não diria que isso necessariamente são atualizações, devemos manter a mente aberta”, disse.
Ele finalizou defendendo um processo cauteloso liderado pelas entidades oficiais. “Talvez isso seja um processo contínuo, mas deve ser conduzido pela FIA e pela Fórmula 1. Não acho que devemos nos limitar, certamente podemos continuar trabalhando nisso.”
Na prática, isso significa que a categoria terá, no mínimo, mais três etapas com situações de risco, como as grandes diferenças de velocidade entre pilotos em estratégias distintas de energia, além de um espetáculo prejudicado pela artificialidade das disputas.
Uma das soluções mais radicais citadas pelo público e por alguns dirigentes, a redistribuição da relação entre potência elétrica e à combustão só deve ser implementada (caso aprovada) a partir de 2027.
Até lá, o paddock da Fórmula 1 terá que lidar com um campeonato muito diferente daquele visto nas últimas décadas, que muito se assemelha a 2014 em relação a problemas e discussões relacionados à unidade de potência. Para parte da comunidade, isso é parte de um progresso natural da categoria diante de questões ambientais, enquanto outros defendem os moldes antigos, em que a busca pela alta performance não deve ser limitada pela sustentabilidade.
(Foto principal: Reprodução/Fórmula 1)