Gabriel Bortoleto Audi
Automobilismo Fórmula 1

Gabriel Bortoleto aponta realidade da Audi após anos de preparação para a F1

Gabriel Bortoleto acredita que a Audi conseguiu entregar um chassi competitivo em sua temporada de estreia na Fórmula 1, mas reconhece que o principal desafio da equipe atualmente está no motor. O brasileiro avaliou o desempenho do projeto após as primeiras corridas de 2026 e foi direto ao explicar onde a fabricante alemã precisa evoluir para dar o próximo passo.

Embora os resultados ainda sejam modestos, a equipe de Hinwil mostrou sinais de potencial em diversas etapas. Para Bortoleto, a base construída pela Audi é sólida, especialmente no que diz respeito ao carro, mas a diferença de desempenho da unidade de potência ainda representa um obstáculo importante na luta por posições mais altas no grid.

Audi mostra potencial, mas pontos seguem escapando

A Audi iniciou oficialmente sua trajetória na Fórmula 1 em 2026 após anunciar sua entrada na categoria durante o Grande Prêmio da Bélgica de 2022. Desde então, a equipe passou por um longo processo de preparação para construir sua própria estrutura, incluindo chassi e motor desenvolvidos internamente.

Até o momento, os únicos pontos conquistados pela equipe vieram logo na corrida de estreia da temporada, na Austrália. Na ocasião, Gabriel Bortoleto terminou em nono lugar e garantiu os dois pontos que permanecem como a única pontuação da equipe no campeonato.

Apesar disso, a Audi esteve perto de ampliar sua conta em várias oportunidades. Bortoleto terminou em 11º lugar tanto em Mônaco quanto em Barcelona. Já Nico Hülkenberg cruzou a linha de chegada nessa mesma posição na China e no Japão.

O alemão também viveu situações frustrantes. Em Mônaco, chegou a finalizar a prova em nono lugar na pista, mas recebeu uma penalização de 10 segundos que o retirou da zona de pontuação. Em Barcelona, ocupava posição que renderia pontos quando um incidente incomum comprometeu sua corrida. Uma pedra lançada pelo carro de Liam Lawson atingiu o interruptor de desligamento do sistema ERS da Audi, forçando o abandono de uma prova que poderia terminar entre os dez primeiros.

Bortoleto elogia o chassi desenvolvido pela equipe

Ao analisar o desempenho geral do projeto, Bortoleto destacou que o carro produzido pela Audi tem mostrado qualidades importantes ao longo das primeiras etapas da temporada. Segundo o brasileiro, o chassi está longe de ser o principal problema da equipe. “Acho que está claro que temos um chassi muito forte”, afirmou.

O piloto, no entanto, fez questão de reconhecer que o conjunto ainda não está no nível necessário para disputar vitórias. “Ainda não é um chassi vencedor de campeonato. Ainda não temos aquele carro que, se tivéssemos um grande motor, seria capaz de vencer corridas.”

Mesmo assim, sua avaliação sobre a plataforma construída pela Audi foi bastante positiva. “Mas temos um chassi que é muito competitivo atualmente.”

A declaração reforça a percepção interna de que a equipe conseguiu desenvolver uma boa base aerodinâmica e estrutural em seu primeiro ano na categoria, algo considerado fundamental para o crescimento do projeto nos próximos anos.

Déficit do motor segue sendo principal preocupação

Se o chassi recebe elogios, a mesma avaliação não se aplica à unidade de potência. Bortoleto admitiu que a Audi ainda sofre com uma diferença significativa em relação aos concorrentes mais fortes do grid. “Também está claro, através do ADUO, que temos um déficit no motor.”

Segundo ele, a perda de desempenho por volta é considerável. “Está claro que estamos perdendo bastante tempo por volta.”

O brasileiro relembrou declarações feitas anteriormente por Mattia Binotto sobre a situação do motor e afirmou que os números apresentados refletem a realidade. “Acho que Mattia já mencionou anteriormente mais de um segundo por volta, dependendo do circuito, e isso não é exagero.”

Para Bortoleto, essa diferença ajuda a explicar por que a equipe ainda não conseguiu transformar o potencial demonstrado em resultados mais consistentes. “Essa é a verdade sobre onde estamos atualmente.”

Evolução do motor é vista como prioridade para o futuro

Apesar das dificuldades, Bortoleto ressaltou que a situação é compreensível considerando que esta é a primeira temporada da Audi como fabricante de motores na Fórmula 1. “Isso é normal, porque é o primeiro ano do nosso motor.”

O piloto lembrou que todo o desenvolvimento foi realizado internamente, utilizando profissionais que já trabalham há muitos anos dentro da estrutura da marca. “Desenvolvemos tudo internamente com pessoas que estão na Audi há muitos anos.”

Por isso, ele acredita que existe uma margem significativa para evolução nas próximas temporadas. “Então, sim, acredito que o lugar onde temos a maior margem para melhorar é definitivamente o motor.”

A avaliação de Bortoleto mostra que a Audi encara 2026 como uma etapa de aprendizado dentro de um projeto de longo prazo. Embora os resultados ainda não tenham aparecido de forma consistente, o brasileiro vê sinais positivos na competitividade do chassi e considera que a evolução da unidade de potência será determinante para que a equipe transforme o potencial demonstrado em resultados concretos no futuro.

Foto: (Hamad I Mohammed/Reuters)