A vitória de Islam Makhachev sobre Ian Machado Garry no UFC 330 aumentou ainda mais uma discussão que já vinha ganhando força nos últimos anos: afinal, o russo já pode ser colocado entre os maiores lutadores da história do MMA?
A resposta ainda gera debate, principalmente porque Makhachev precisa ser comparado com nomes que construíram legados gigantescos no esporte, como Georges St-Pierre, Anderson Silva, Jon Jones e Demetrious Johnson. Porém, para o analista Michael Chiesa, o atual momento do russo já é suficiente para colocá-lo no seleto grupo dos maiores de todos os tempos.
O argumento ganhou ainda mais força depois do UFC 330. Com o triunfo sobre Ian Machado Garry, Makhachev chegou a 17 vitórias consecutivas no UFC, estabelecendo um novo recorde na organização. Além disso, o russo conseguiu aumentar seu legado ao subir de categoria e conquistar resultados importantes no peso meio-médio.
Esse conjunto de feitos fez Chiesa ir além de simplesmente colocar Makhachev entre os melhores de sua geração. Para o analista, o russo já teria condições de superar Georges St-Pierre em uma comparação direta de legado.
Makhachev construiu um domínio que ultrapassa categorias

Uma das principais razões utilizadas por Chiesa para defender Makhachev é justamente sua capacidade de continuar vencendo mesmo depois de subir de categoria.
Durante grande parte de sua carreira, Makhachev construiu seu legado no peso leve, onde se tornou campeão e estabeleceu uma sequência impressionante de vitórias. Seu estilo baseado em quedas, controle no chão, pressão e domínio posicional fez com que ele se transformasse em um dos lutadores mais difíceis de enfrentar no UFC.
Porém, a mudança para o peso meio-médio trouxe um novo desafio.
Subir de categoria significa enfrentar atletas naturalmente maiores, mais fortes e acostumados a competir naquele limite de peso. Mesmo assim, Makhachev conseguiu manter sua eficiência.
Para Chiesa, esse ponto é fundamental porque Georges St-Pierre também possui uma história parecida de domínio entre categorias.
O canadense foi campeão do peso meio-médio e, posteriormente, subiu para o peso-médio. GSP enfrentou Michael Bisping e conquistou o cinturão da categoria superior, tornando-se campeão em duas divisões.
A diferença destacada por Chiesa é que Makhachev já conseguiu competir duas vezes no peso meio-médio, enquanto GSP fez apenas uma luta na categoria dos médios.
Esse detalhe, na visão do analista, aumenta o peso do feito de Makhachev.
O russo também não parece interessado em simplesmente subir de categoria para realizar uma única luta histórica. Segundo Chiesa, Makhachev não pretende voltar ao peso leve, o que significa que seu futuro pode continuar sendo construído entre os meio-médios.
Essa decisão pode aumentar ainda mais seu legado caso ele continue acumulando vitórias contra adversários maiores.
A sequência de 17 vitórias coloca Makhachev em outro patamar

Outro fator fundamental para entender a discussão é a sequência de vitórias de Makhachev.
Depois do UFC 330, o russo chegou a 17 triunfos consecutivos dentro do UFC, marca que passou a ser a maior sequência da história da organização.
Esse tipo de domínio é extremamente raro no MMA porque uma única derrota pode interromper anos de trabalho.
Além disso, Makhachev não construiu essa sequência enfrentando apenas adversários desconhecidos. Durante sua trajetória, ele enfrentou alguns dos melhores nomes disponíveis em sua categoria e precisou adaptar seu jogo para diferentes estilos.
A grande força do russo está na capacidade de controlar o ritmo das lutas. Seu wrestling e seu grappling permitem que ele leve os adversários para regiões em que possui enorme vantagem técnica.
Quando consegue colocar o rival no chão, Makhachev costuma controlar posição, limitar os espaços e trabalhar ataques até encontrar uma finalização ou garantir uma vitória por decisão.
Essa consistência é justamente o que torna sua sequência tão impressionante.
No MMA, não basta ter uma grande noite. Os maiores lutadores precisam repetir performances de alto nível durante anos.
É nesse ponto que Makhachev começa a se aproximar dos nomes históricos.
O debate sobre o GOAT ainda está longe de terminar

Apesar da opinião de Chiesa, afirmar que Makhachev é definitivamente o maior lutador da história ainda seria precipitado.
O russo possui números impressionantes, mas o debate sobre o maior de todos os tempos envolve diferentes critérios.
Alguns analisam número de vitórias. Outros consideram quantidade de defesas de cinturão, qualidade dos adversários, domínio dentro da categoria, longevidade, conquistas em diferentes divisões e impacto histórico.
Makhachev já possui argumentos muito fortes em várias dessas categorias.
A sequência de 17 vitórias no UFC é um dos maiores exemplos. A capacidade de conquistar resultados depois de subir de divisão também pesa a favor. Além disso, ele conseguiu permanecer entre os principais nomes do esporte durante um período prolongado.
O que ainda falta é observar como será a segunda metade de sua carreira.
Caso Makhachev continue vencendo no peso meio-médio e consiga manter o cinturão da categoria, seu argumento ficará ainda mais forte. Se também conseguir defender esse título contra alguns dos melhores nomes da divisão, a discussão sobre seu lugar entre os maiores ficará cada vez mais difícil de ignorar.
Por enquanto, a declaração de Michael Chiesa representa uma importante mudança na percepção sobre o russo.
Makhachev já não é apenas um campeão dominante do UFC. Com 17 vitórias consecutivas e uma nova fase da carreira no peso meio-médio, ele começa a ser comparado diretamente com os maiores nomes que já passaram pelo esporte.
E, se continuar vencendo, o debate sobre se ele merece posto de GOAT do UFC pode deixar de ser uma opinião controversa e se transformar em uma discussão cada vez mais difícil de contestar.



