LDU, Cevallos, Libertadores de 2008
Futebol Libertadores

Lendas da Libertadores: A LDU de Urrutia, Guerrón e Cevallos, e a improvável Glória Eterna conquistada no Maracanã!

Dona de inúmeras conquistas no futebol sul-americano, a LDU debutou no cenário continental em 2008, ao vencer uma Libertadores de forma inédita, e colocar o Equador pela primeira vez no topo da Glória Eterna. Sob o comando do argentino Edgardo Bauza, nomes como Joffre Guerrón, Claudio Bieler, Damián Manso e Patricio Urrutia, se consagraram para sempre ao derrotar o Fluminense de Washington, Thiago Neves e Darío Conca, calando um Maracanã com quase 80 mil espectadores.

O surgimento da LDU “copeira”

Após conquistar seu nono título equatoriano em 2007, a LDU garantiu uma vaga na Libertadores de 2008 onde conquistaria seu primeiro e único título no torneio, mas que seria determinante para o nascimento de uma das principais equipes da América do Sul quando o assunto se trata de competições continentais. Eliminada na fase de grupos da Liberta de 2009, ano em que conquistou sua primeira Recopa, a Liga de Quito foi remanejada para a Copa Sul-Americana e reencontrou na decisão o Fluminense, sendo mais uma vez campeã, e garantindo sua classificação para a Recopa de 2010, na qual derrotou o Estudiantes de La Plata, campeão da Libertadores de 2009.

Já consolidada no continente pelas conquistas entre o final dos anos 2000 e o início dos anos 2010, a equipe equatoriana ressurgiu no cenário futebolístico após conquistar o bicampeonato da Sul-Americana em 2023, derrotando um embalado Fortaleza de Juan Pablo Vojvoda, e que até hoje vive marcas profundas pelo revés sofrido em Maldonado, no Uruguai. Comandada na época pelo hoje treinador do São Paulo, Luis Zubeldía, a LDU prevaleceu em seu país nos últimos anos de forma soberana, mas atualmente vive uma grande rivalidade com o Independiente del Valle, campeão da Copa Sul-Americana, e tem na sombra outras grandes equipes como Barcelona de Guayaquil e Emelec.

Algoz do Fortaleza, LDU de Quito venceu principais títulos contra brasileiros
LDU de Quito é bicampeão da Sul-Americana ao despachar Fortaleza nos pênaltis – Raúl Martínez/EFE

A campanha da LDU na Libertadores de 2008

No Grupo 8, enfrentando o Fluminense, que viria a ser seu rival na final, o Arsenal-ARG, e o Libertad-PAR, a LDU encarou a chave com sufoco, e avançou às oitavas na segunda colocação, com o Tricolor na frente por 3 pontos de diferença, e o argentinos na terceira posição com um ponto a menos.

Estreando contra os brasileiros em Quito numa partida sem gols e depois sendo derrotado por 1 a 0 no Maracanã, os equatorianos derrotaram os paraguaios em casa por 2 a 0 e perderam na volta por 3 a 1. Contra os argentinos, o time de Patón Bauza conquistou duas vitórias, a primeira por 1 a 0 em Sarandi, e a segunda, já no Equador, por 6 a 1.

Chegando ao mata-mata da Liberta como segundo colocado de seu grupo, a LDU encontrou nas oitavas de final o Estudiantes-ARG, líder do Grupo 2 e até então sexta melhor campanha da competição. Vencendo os dois jogos com certa tranquilidade, com um 2 a 1 em Quito e um 2 a 0 em La Plata, os equatorianos teriam em seguida San Lorenzo-ARG e América-MEX, que dificultaram a vida do futuro campeão, e entregaram a vaga na fase seguinte somente nos pênaltis, após dois empates na ida e na volta das quartas e semifinais.

Finalista pela primeira vez em 12 participações que somava até aquele 2008, a LDU enfrentaria na grande decisão da Libertadores outro estreante em finais sul-americanas, que coincidentemente era o Fluminense, rival na fase de grupos, e dono da melhor campanha naquela edição, que lhe dava o direito de mandar o segundo jogo no Brasil. E novamente, com sufoco e muita luta, La U precisou das penalidades máximas para ser coroada de forma inédita com a Glória Eterna, e calar quase 80 mil torcedores presentes no estádio do Maracanã.

Fluminense x LDU, final da Libertadores de 2008
Flu foi derrotado pela LDU na decisão de 2008. Foto: Divulgação / LDU

A batalha do Maracanã e a consagração de La U com Cevallos

Depois de aplicar um 4 a 2 no primeiro jogo e chegar ao duelo decisivo no Rio de Janeiro numa situação confortável, com gols de Bieler, Guerrón, Jayro Campos e Urrutia, a LDU “carregava o regulamento embaixo do braço” e não contava com um poder de reação do Fluzão no tempo normal, chegando a abrir o placar com Bolaños, mas se surpreendendo com um hat-trick de Thiago Neves, que levou os brasileiros para a prorrogação, e em seguida aos pênaltis, em que um novo algoz surgiu. José Francisco Cevallos, o arqueiro de La U durante a toda a campanha do título, chamou a responsabilidade para si, e impediu a festa do Flu.

Cevallos, LDU, Libertadores 2008
Cevallos defendeu três cobranças de pênaltis daquela decisão da Libertadores – Foto: Reprodução

Com o empate estabelecido no agregado, os equatorianos carregavam uma pressão gigantesca, enfrentando um Maracanã lotado de tricolores empurrando os donos da casa para a virada, que acabou impedida pelo goleiro Cevallos, e consagrou La U, defendendo as cobranças de Conca, Thiago Neves e Washington. A cobrança do ‘Coração Valente’ foi a última da série após Urrutia, Salas e Guerrón manterem a LDU em vantagem, e adiarem o sonho tricolor de conquistar a América em mais 15 anos.

Foto: Reprodução