O Liverpool até começou a temporada 2025/26 com um bom embalo, mas basta sair de Anfield para o time perder o ritmo. As derrotas recentes para Crystal Palace e Galatasaray deixaram escancarado o que os números já vinham mostrando: o rendimento fora de casa caiu bastante, e pode custar caro se nada mudar.
Nas últimas oito partidas como visitante, o time de Arne Slot perdeu cinco. Isso já é mais da metade dos jogos fora, e com desempenho abaixo do esperado em praticamente todos os aspectos. A posse de bola continua alta (geralmente acima dos 60%), mas isso não tem se traduzido em gols ou vitórias. Pior: os adversários têm aproveitado muito melhor as chances que criam.
A posse é nossa, mas os gols não são
Um dos principais problemas fora de casa é a queda de produção ofensiva. O Liverpool tem finalizado menos e criado chances de menor qualidade, o que fica evidente nos números de xG (expected goals). Quando joga fora, o time tem um xG significativamente menor do que em Anfield ou seja, está criando chances menos perigosas. Ao mesmo tempo, a defesa está permitindo mais finalizações qualificadas, elevando o xG concedido aos adversários.
Contra o Galatasaray, por exemplo, o Liverpool teve domínio da posse e pressionou bastante no segundo tempo, mas as chances reais de empatar ou virar o jogo foram poucas. O time parecia ter o controle, mas acabou levando dois gols em momentos chave, e ficou sem reação.
Sem controle emocional, o Liverpool desmonta
O que tem chamado atenção também é a parte mental. Sempre que sofre o primeiro gol fora de casa, o time parece entrar em modo desespero. Começa a forçar jogadas, perde organização e vira presa fácil para contra-ataques. Em casa, a postura é outra: o Liverpool sabe como controlar o jogo, pressiona com inteligência e responde rápido. Fora, é como se perdesse a identidade.
Slot tem insistido na mesma ideia de jogo em todos os cenários, e isso pode estar cobrando seu preço. A defesa joga com linha alta, o time tenta recuperar a bola logo após perder, e a intensidade precisa ser altíssima. Quando isso funciona, é bonito de ver. Quando não, o adversário encontra espaço de sobra.
E tem mais: o Liverpool não está sendo eficiente na frente. Mesmo quando consegue boas chances, falta capricho. A taxa de conversão caiu, e as poucas oportunidades que aparecem acabam desperdiçadas. Resultado: jogos equilibrados se transformam em derrotas frustrantes.
Falta adaptação, e isso precisa acontecer rápido
É claro que o time ainda está em processo de adaptação ao estilo de Slot. Só que a temporada não espera. A Premier League está embolada, a Champions é traiçoeira, e se o Liverpool continuar tropeçando fora de casa, vai se complicar cedo demais nas duas competições.
A ideia de jogo é boa, e o elenco tem qualidade, mas talvez esteja na hora de fazer alguns ajustes táticos fora de casa. Slot pode testar um meio-campo mais físico, abrir mão de tanta posse em certos jogos ou até mesmo recuar a linha defensiva quando a pressão não encaixa. Futebol bonito é legal, mas três pontos fora de casa ainda valem mais.
Dá pra virar o jogo, mas precisa agir já
O Liverpool precisa entender que jogar fora exige outro tipo de leitura. E que nem sempre vai ser possível impor o jogo como faz em Anfield. Se quiser seguir firme na briga por títulos, precisa ser mais malandro fora de casa: segurar a bola quando necessário, matar o jogo quando der, e não se perder quando sair atrás.
Ficar bonito nas estatísticas de posse e passes certos não basta. O que vale mesmo é pontuar, especialmente longe de casa. E esse Liverpool ainda está devendo.
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