O Chelsea encerrou sua preparação para a temporada 2026/27 com uma vitória que deixou mais motivos para sorrir do que para reclamar. Diante da Real Sociedad, no primeiro jogo de Xabi Alonso em Stamford Bridge, os Blues venceram por 3 a 1 e chegaram ao fim da pré-temporada com boas sensações antes do início da Premier League.
O resultado teve alguns personagens bem definidos. Morgan Rogers marcou em sua estreia, João Pedro balançou as redes duas vezes e Reece James voltou a atuar. Ao mesmo tempo, Enzo Fernández recebeu uma recepção dividida dos torcedores ao entrar no segundo tempo.
Mais do que o resultado de um amistoso, porém, a partida serviu para apresentar alguns sinais do que pode ser o Chelsea de Xabi Alonso. E, neste momento, as notícias parecem ser majoritariamente positivas.
1. João Pedro começa a temporada voando
Se existe um jogador que terminou a pré-temporada pedindo passagem, esse jogador é João Pedro. O brasileiro marcou dois gols contra a Real Sociedad e encerrou a preparação em grande fase. Depois de também balançar as redes diante do Milan, ele chegou a sete gols na pré-temporada.
E o desempenho não surgiu do nada. Na temporada 2025/26, João Pedro já havia sido o artilheiro do Chelsea, com 20 gols, sendo 15 na Premier League, três na Champions League e dois na Copa da Inglaterra.
Contra a Real Sociedad, o atacante voltou a mostrar uma característica que pode ser importante para Xabi Alonso: a capacidade de aparecer na área e finalizar rapidamente.
O primeiro gol saiu logo no início do segundo tempo, quando Reece James cruzou para o brasileiro marcar de cabeça. Depois, João Pedro recebeu de Malo Gusto e bateu cruzado para fazer o terceiro.
Foram, portanto, dois gols de características diferentes. Um pelo jogo aéreo, outro atacando o espaço e finalizando com os pés.
Para um treinador que pretende construir um Chelsea agressivo e com diferentes alternativas no ataque, começar a temporada com um centroavante nessa fase é uma excelente notícia.
2. Morgan Rogers estreia e já deixa sua marca
Outra grande notícia foi a estreia de Morgan Rogers. O atacante precisou de apenas sete minutos para marcar seu primeiro gol pelo Chelsea. Ele aproveitou o rebote do goleiro Álex Remiro após uma finalização de João Pedro e apareceu no lugar certo para completar. Foi praticamente uma estreia perfeita.
Rogers chegou ao Chelsea cercado por expectativas, inclusive pela pressão envolvendo o valor de sua contratação, mas precisou de pouquíssimo tempo para mostrar por que o clube decidiu apostar nele.
E existe um detalhe interessante no gol: não foi preciso uma grande jogada individual. Rogers estava atento ao lance, atacou o espaço e apareceu no lugar certo.
Esse tipo de movimentação pode ser bastante útil para Xabi Alonso. O inglês oferece mobilidade ao setor ofensivo e pode ajudar a formar um ataque menos previsível, principalmente em uma equipe que deve explorar bastante a movimentação entre os jogadores mais avançados. Começar sua trajetória no clube participando diretamente do placar, portanto, é um bônus importante.
3. Reece James está de volta
Talvez a notícia mais importante para o Chelsea tenha sido justamente aquela que não apareceu no placar: Reece James voltou a jogar.
O capitão começou a partida como titular e disputou seus primeiros minutos da pré-temporada. Mais do que isso, participou diretamente do segundo gol de João Pedro ao cruzar para o brasileiro marcar de cabeça. Para Xabi Alonso, isso pode ser enorme.
James é capaz de atuar como lateral, ala e também assumir funções mais interiores durante a construção das jogadas. Sua qualidade técnica, capacidade de cruzamento e entendimento do jogo oferecem ao treinador mais uma ferramenta para criar superioridade pelo lado direito.
Mas existe uma questão ainda mais importante: a disponibilidade física. O talento de James nunca foi muito questionado. O problema tem sido conseguir mantê-lo em campo durante longos períodos.
Por isso, o fato de ter participado da reta final da preparação e chegado ao último amistoso como titular é um sinal bastante positivo. Se conseguir permanecer saudável, James pode funcionar praticamente como um reforço de peso para o Chelsea.
4. O Chelsea de Xabi Alonso começa a ganhar uma cara
Ainda é cedo para tirar grandes conclusões, principalmente antes de uma temporada inteira de trabalho. Mas alguns elementos começam a aparecer.
O Chelsea utilizou uma estrutura com três defensores, alas e jogadores mais avançados ocupando diferentes zonas do ataque. A formação registrada foi um 3-4-3, com Reece James e Moisés Caicedo no meio e João Pedro, Morgan Rogers e Cole Palmer formando a linha ofensiva.
O mais interessante, porém, não é necessariamente o número da formação. É a maneira como os jogadores se movimentam dentro dela.
James pode avançar. Os atacantes podem trocar de posição. Caicedo oferece equilíbrio. João Pedro pode deixar a referência. E Palmer ganha liberdade para aparecer entre as linhas.
É uma estrutura que pode dar ao Chelsea mais alternativas para atacar e diminuir a dependência de jogadas individuais.
A vitória sobre a Real Sociedad também teve uma segunda etapa em que os Blues retomaram rapidamente o controle da partida. João Pedro marcou logo aos dois minutos e voltou a balançar as redes aos 77, enquanto os espanhóis tiveram dificuldades para reagir.
Isso não significa que tudo esteja pronto. Mas, para o último teste antes do início oficial da temporada, era justamente esse tipo de evolução que Xabi Alonso queria enxergar.
5. Enzo Fernández mostra que nem tudo está resolvido
Se dentro de campo as notícias foram majoritariamente positivas, fora dele existe uma situação que ainda merece atenção. Enzo Fernández foi vaiado por parte dos torcedores do Chelsea.
O argentino entrou no segundo tempo, substituindo Reece James, e recebeu uma mistura de vaias e aplausos. O episódio acontece em meio às especulações sobre seu futuro e às declarações recentes do jogador sobre o desejo de atuar pelo Real Madrid.
É uma situação delicada. Enzo continua sendo um jogador importante tecnicamente, mas a relação com parte da torcida parece desgastada. E isso ganha ainda mais peso porque Xabi Alonso terá de definir qual será exatamente o espaço do argentino em seu modelo de jogo.
A mudança de treinador também pode representar uma mudança de hierarquia.
O espanhol vem trabalhando com uma estrutura que valoriza determinados perfis no meio-campo, e a situação de Enzo será um dos assuntos para acompanhar nas primeiras rodadas da temporada.
Por enquanto, o Chelsea precisa decidir se é possível recuperar completamente a relação entre jogador e torcida ou se o ciclo do argentino em Stamford Bridge pode estar chegando ao fim.
Uma vitória que deixa mais perguntas boas do que ruins
O 3 a 1 sobre a Real Sociedad não transforma automaticamente o Chelsea em candidato a tudo. Ainda estamos falando de um amistoso. Mas o momento é interessante.
Xabi Alonso teve seu primeiro contato com Stamford Bridge, o time encerrou a pré-temporada vencendo, João Pedro manteve a excelente fase, Morgan Rogers marcou em sua estreia e Reece James voltou a jogar.
Além disso, o Chelsea já havia vencido o Milan por 3 a 0 poucos dias antes, novamente com uma grande atuação de João Pedro. Existe, portanto, uma sequência positiva justamente na reta final da preparação.
Agora começa o que realmente importa: a Premier League. E será nela que o Chelsea terá de provar se aquilo que funcionou nos amistosos também pode aparecer quando os três pontos estiverem em jogo. Por enquanto, porém, Xabi Alonso pode terminar a pré-temporada com uma sensação importante: há material suficiente para construir um time competitivo.
Principalmente porque algumas das peças que podem ser fundamentais para essa equipe já começaram a responder: João Pedro está pronto, Rogers chegou marcando, James está de volta e Palmer continua sendo uma referência.
Agora cabe a Xabi Alonso transformar essas boas notícias em um Chelsea capaz de competir de verdade quando a partida começar a valer pontos.
Créditos da foto de capa: Chelsea Football Club/Getty Images.



