Manchester United acaba vivendo um pouco de suas lembranças, pelo simples fato do seu passado ter sido brilhante. Wayne Rooney não pensou duas vezes quando Theo Walcott levantou a comparação entre o time campeão europeu de 2008 e o Arsenal atual. A resposta foi curta, direta e carregada da confiança de quem esteve no centro de uma era dominante: “Nós atropelaríamos eles.” Bastaram poucas palavras para reacender um dos debates favoritos do futebol, não é apenas no Brasil que essas comparações são feitas, e acabam sendo um motivo interessante para acalorar o momento.
A cena aconteceu durante a transmissão da Amazon Prime, após a vitória do Arsenal sobre a Inter de Milão pela Champions League. Walcott, ex-jogador dos Gunners, chegou a pontuar que os Diabos Vermelhos de 2008 foi “provavelmente o melhor time contra o qual já jogou”. Ainda assim, a simples provocação abriu espaço para uma discussão inevitável, e Rooney, como bom representante daquela geração, não perdeu a oportunidade de defender o legado do Manchester United.
Mas deixando a nostalgia um pouco de lado, a pergunta merece ser analisada com calma: o Manchester United de 2008 realmente “bateria” o Arsenal atual?
Um Arsenal dominante no presente
O Arsenal vive uma temporada impressionante. Lidera a Premier League com autoridade, mantém 100% de aproveitamento na fase de liga da Champions League, está vivo na FA Cup e tem vantagem na semifinal da Copa da Liga. O tão falado “quadruple”, algo raríssimo no futebol inglês, ainda é possível, e diante de um belo futebol apresentado, são grandes as chances de sairem com alguma coisa em suas mãos..
O time de Mikel Arteta é intenso, organizado e extremamente competitivo, sem contar no nível defensivo que é simplesmente absurdo ao comparar com seus adversários. Porém, quando entra na conversa o Manchester United de 2008, surge um critério que costuma ser decisivo em comparações históricas: o que foi efetivamente conquistado.
Goleiros: segurança histórica contra o perfil moderno
No gol, o Manchester United contava com Edwin van der Sar, já experiente, mas em nível altíssimo, facilmente um dos melhores goleiros da história deste esporte. Aos 37 anos, o holandês foi peça-chave na conquista da Champions League, oferecendo liderança e tranquilidade em momentos decisivos.
Do outro lado, David Raya simboliza o goleiro moderno: ágil, participativo com os pés e fundamental na construção de jogo do Arsenal. Ainda assim, quando o peso histórico entra em campo, o United leva vantagem. Van der Sar acumulava títulos continentais e nacionais; Raya, apesar do talento, ainda busca sua grande taça por clubes. Esse deve ser o principal ponto que vai separá-los, os Gunners contam com um projeto que ainda não contou com seus frutos.
Os Diabos Vermelhos no caso, já foram capazes de fazer sua história, então ficam sentados acompanhando os passos do Arsenal, para ver até onde conseguem chegar.
Defesa: lendas consolidadas contra elenco profundo
Rio Ferdinand e Nemanja Vidic formaram uma das duplas defensivas mais icônicas da Premier League. O Manchester United construiu sua solidez a partir deles, com imposição física, leitura de jogo e mentalidade vencedora, dois nomezaços da história do futebol inglês, que não precisam se apresentar, muito menos se explicar.
O Arsenal responde com Saliba e Gabriel, uma dupla moderna, confiável e em plena ascensão. A diferença aparece na profundidade do elenco: os Gunners possuem mais alternativas defensivas do que o United tinha em 2008. Ainda assim, quando o assunto é jogo grande, o peso dos titulares do Manchester United costuma falar mais alto.
Meio-campo: estilos diferentes, excelência parecida
Declan Rice é hoje um dos melhores meio-campistas do mundo, viveu o up perfeito na carreira ao deixar o West Ham para se juntar ao Arsenal. Os altos valores chamaram atenção na época, mas hoje, é difícil considerar que foi caro, tem valido cada centavo. Odegaard dita o ritmo com inteligência, enquanto Zubimendi acrescenta controle e equilíbrio. É um trio moldado para o futebol atual.
Já o Manchester United apresentava Carrick, Scholes e Hargreaves, jogadores que dominavam tempo, espaço e pressão. E ainda havia Ryan Giggs como opção decisiva, inclusive saindo do banco na final da Champions League. Aqui, o duelo é equilibrado, mas a bagagem em decisões novamente favorece o United, não tem para onde ocorrer, o fator da experiência falará mais alto, basicamente sendo esse o ponto de separação entre os dois lados.
Ataque: o grande argumento do Manchester United
É no setor ofensivo que a comparação praticamente se encerra. Cristiano Ronaldo viveu em 2008 o auge absoluto da carreira, venceu a Bola de Ouro e se consolidou como um dos maiores jogadores da história. Rooney era intensidade, técnica e liderança, sem esquecer do coração do Manchester United. Tevez completava um trio incansável e decisivo, mesmo com seus momentos no City, fez questão de brilhar nos Diabos Vermelhos.
O Arsenal tem Bukayo Saka, um craque já consolidado. Gyökeres ainda busca justificar o alto investimento, enquanto Martinelli, Trossard e Madueke cumprem funções importantes, mas sem o mesmo impacto histórico. Quando se compara ataques, o Manchester United vence com folga.
No fim, tudo se resume a troféus
Comparar estilos é interessante. Discutir números é válido. Mas o futebol, no fim das contas, se define por conquistas.
O Manchester United de 2008 venceu a Premier League, levantou a Champions League e construiu uma dinastia sob o comando de Alex Ferguson. Este Arsenal encanta, compete e ameaça, mas ainda não transformou desempenho em taças. Essa realidade deve começar a ser vista nesta temporada, porque o time londrino tem apresentado mais dominância.
Talvez Walcott tenha sentido isso ao levantar a comparação. E talvez Rooney apenas tenha verbalizado uma verdade incômoda: jogar muito é importante, mas ganhar é o que eterniza um time, por essas e outras que o Manchester United de 2008 é tido como um bicho-papão da Europa. Até que o Arsenal prove isso com títulos, os Diabos Vermelhos seguirão vencendo esse duelo, pelo menos na história.
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