O Deadline Day sempre reserva reviravoltas, mas a história de Marc Guehi entrou direto para o hall das transferências frustradas da Premier League. O zagueiro do Crystal Palace esteve a um passo de fechar com o Liverpool por 35 milhões de libras, chegou até a fazer exames médicos em Londres, mas no fim o negócio desmoronou.
A negociação parecia bem encaminhada. Palace e Liverpool tinham trocado documentos, o famoso “deal sheet” foi enviado à Premier League para estender o prazo da inscrição, e tudo apontava para que Guehi virasse o novo reforço da defesa de Jürgen Klopp. Mas o que parecia certo virou frustração em questão de minutos.
O problema foi que Steve Parish, presidente do Palace, mudou de ideia em cima da hora. O clube corria o risco de perder seu capitão de graça no próximo verão, já que ele não pretende renovar contrato, mas também não conseguiu encontrar um substituto à altura. E aí bateu o medo de desmontar a defesa no apagar das luzes do mercado.
A pressão sobre Parish e Glasner
A decisão final passou por uma queda de braço entre Parish e o técnico Oliver Glasner. O treinador austríaco deixou claro desde o começo que não queria perder seu capitão, especialmente após a saída de Eberechi Eze e com lesões importantes no elenco. Para ele, vender Guehi seria entregar a temporada.
Parish, por sua vez, olhava para o lado financeiro. Era a chance de faturar 35 milhões de libras e evitar ver o zagueiro sair de graça em 2025. Mas sem um nome de peso para reposição, a balança pesou mais para o lado esportivo. No fim, Glasner venceu a queda de braço e segurou Guehi.
Enquanto isso, o jogador vivia momentos de frustração. Ele não vinha forçando uma saída, mas quando o Liverpool bateu à porta, enxergou a oportunidade de dar o salto na carreira. Para muitos, vestir a camisa dos Reds seria a chance de brigar por títulos grandes e se consolidar como um dos melhores zagueiros da Europa.
Substitutos que não vieram
O Palace tentou correr atrás de alternativas. Manuel Akanji chegou a ser sondado, mas acabou indo para a Inter de Milão. Igor Julio, do Brighton, esteve muito perto: chegou a passar por exames médicos em Londres, mas desistiu quando percebeu que Guehi poderia não sair. Temendo ficar no banco de novo, fechou com o West Ham no último minuto.
A única contratação concretizada foi a de Jaydee Canvot, promessa de 19 anos do Toulouse por 23 milhões de libras. Ele é considerado um zagueiro com enorme potencial, mas ainda está longe de assumir a liderança defensiva de um time de Premier League. Em resumo: não havia um plano B confiável para substituir o capitão.
Do lado do Liverpool, a paciência também tinha limite. O clube não quis aumentar a proposta, mesmo sabendo que outros times poderiam aparecer com ofertas mais altas em janeiro. Para eles, Guehi valia 35 milhões e ponto. Jogar contra si mesmo não fazia sentido.
Guehi decepcionado, Palace dividido
Relatos da imprensa inglesa dizem que Guehi estava no meio dos exames médicos quando recebeu a notícia de que o negócio tinha sido cancelado. A decepção foi enorme, já que ele via o Liverpool como destino ideal. Tottenham e Newcastle também já haviam tentado sua contratação, mas o zagueiro não se empolgava com esses projetos. Com os Reds, a história era diferente.
A torcida do Palace também ficou dividida. De um lado, a sensação de alívio por manter o capitão e um dos melhores zagueiros da liga. Do outro, a frustração por saber que o clube pode perder uma fortuna no futuro. Afinal, o defensor de 24 anos é avaliado no mercado por cifras bem maiores que as oferecidas pelos Reds.
O caso ainda deixou sequelas internas. Segundo informações, a relação entre Guehi e Glasner ficou abalada. O jogador acredita que o treinador teve peso na decisão de travar sua saída. Apesar disso, quem conhece o zagueiro garante que ele não deve fazer corpo mole: continuará sendo profissional e defendendo o Palace até o fim do contrato.
O que vem pela frente
Agora a expectativa é para o que vai acontecer em janeiro. A partir do meio da temporada, Guehi já pode assinar um pré-contrato com qualquer clube de fora da Inglaterra e sair de graça em junho. Para o Palace, isso seria um desastre financeiro.
A lista de interessados deve crescer. Além do Liverpool, gigantes de outras ligas já acompanham de perto a situação do defensor, que fez uma ótima Eurocopa 2024 com a Inglaterra. É bem possível que surjam propostas mais robustas, na casa dos 60 ou 70 milhões de libras, mas tudo depende da postura do Palace.
Enquanto isso, Glasner respira aliviado por ter mantido seu capitão pelo menos até janeiro. O objetivo agora é disputar a Conference League com força e brigar na parte de cima da tabela da Premier League. Com Guehi no elenco, a missão fica menos complicada. Já para o jogador, a sensação é de frustração — ele viu a chance de ouro escapar por detalhes, mas sabe que novas portas vão se abrir em breve.