“Falta a eles mentalidade de campeão.” Essa foi a frase usada por Max Verstappen ao ser questionado sobre seu estilo de pilotagem em relação aos seus últimos oponentes. Convenhamos, isso é algo que ele tem de sobra.
Na Fórmula 1, isso já não é novidade. Nas batalhas mais acirradas, levar o oponente ao limite extremo é crucial, e, às vezes, fazer isso dentro das regras exige certa ousadia. Todos os multicampeões da categoria fizeram isso inúmeras vezes. Mas como Max Verstappen se encaixa nesse cenário?
O contexto de Verstappen
Max compete desde 2005 e entrou no circuito de kart da FIA em 2010, aos 13 anos — uma idade comum. No entanto, o “problema” está no que aconteceu depois. Entre 2010 e 2012, dos seus 13 aos 15 anos, Max seguiu o circuito tradicional de um kartista, iniciando no programa da FIA. Seus resultados eram bons, com flashes de brilhantismo. Porém, em 2013, aos 16 anos, tudo mudou.
Em seu último ano no kart, competindo simultaneamente nas categorias KZ e KF, Max fez história. Foi campeão europeu de ambas as categorias, campeão mundial na KZ e terceiro colocado mundial na KF. Ele só não venceu na KF devido a uma desqualificação na última prova, resultado de uma atitude, no mínimo, questionável na pista.
Com esse desempenho, a Red Bull, que havia acabado de contratá-lo, traçou um plano ousado: colocá-lo direto na Fórmula 3. Não me entenda mal, era um movimento audacioso. Um garoto de 16 para 17 anos indo para a F3, sem nenhuma experiência em monopostos, parecia precipitado.
Mas os críticos estavam errados. Max teve uma temporada incrível, mesmo cometendo erros evitáveis. Como estreante em monopostos, terminou em terceiro lugar no campeonato. O campeão daquele ano, Esteban Ocon, também era estreante, mas já tinha dois anos de experiência em monopostos, ao contrário de Max.
Com essa estreia e marcando 71% dos pontos da sua equipe, qual foi o próximo passo? Testes na Fórmula 1. Detalhe: três dias antes do primeiro teste, Max tinha acabado de completar 17 anos. Ele não tinha idade legal para dirigir nas ruas, mas já estava ao volante de um carro de F1.
Então, em 2015, o inesperado aconteceu. Aos 17 anos, Max Verstappen foi anunciado como piloto da Scuderia Toro Rosso na Fórmula 1.
Um fenômeno precoce
Com apenas cinco anos de carreira no automobilismo, Max Verstappen atingiu o ápice da escalada. É claro que sua inexperiência e os vícios do kart eram evidentes. Sem praticamente nenhuma experiência em corridas de fórmula, ele foi duramente criticado em seu primeiro ano. Ao mesmo tempo em que era brilhante, era considerado imprudente. E, sejamos sinceros, 10 anos depois, essa percepção pouco mudou.
Hoje, Max ocupa talvez a terceira melhor prateleira de conquistas da história do esporte:
- 63 vitórias;
- 112 pódios;
- 4 títulos mundiais;
- e inúmeros recordes que parecem absurdos.
Mesmo com esse currículo, sua agressividade na pista permanece intacta.
Max não recua, não tira o carro para passar na próxima curva e, principalmente, não freia antes de ninguém — a menos que seja para inverter a tomada e executar o famoso “X”. Ele nunca foi esse tipo de piloto em seus 14 anos de carreira.
O primeiro título não mudou isso, o segundo também não. Nem o terceiro, que ele conquistou de forma tão dominante que poderia ter vencido sozinho o campeonato de construtores. E claramente o quarto título também não tirará esse traço de sua pilotagem. Pergunte a Lewis Hamilton, Charles Leclerc ou à sua última “vítima”, Lando Norris.
Max extrai o máximo do carro que tem em mãos, e os resultados comprovam isso. Basta observar a diferença entre ele e seus companheiros de equipe ao longo dos anos: foram verdadeiras “surras” em todos os sentidos.
Ame-o ou odeie-o, esse estilo está aí e vai continuar enquanto Max for piloto de Fórmula 1. E, se ele migrar para outras categorias, sua tocada pode se tornar ainda mais agressiva, impetuosa e fatal. Assistir Max Verstappen pilotando é como assistir a um filme com imagens impecáveis, mas dirigido por Quentin Tarantino.

