Antonio Conte, Napoli
Futebol Serie A

Napoli perto do título não é surpresa, graças à Conte!

Napoli perto do título não é surpresa, graças à Conte!

Se você está surpreso com o Napoli tão perto do Scudetto, talvez tenha perdido alguns capítulos importantes dessa história. Porque, sinceramente, essa reta final com o time de Antonio Conte liderando não deveria espantar ninguém que acompanha futebol de perto. Especialmente se você já entendeu como funcionam os times comandados por ele. A Napoli de 2025 é exatamente aquilo que se esperava de uma equipe construída por Conte: um time sólido, competitivo, que sabe sofrer e que joga para vencer, mesmo sem encantar.

Os adversários restantes são Lecce, Genoa, Parma e Cagliari. Desses, dois jogos fora de casa e dois no Estádio Diego Armando Maradona. Faltando quatro rodadas, com três pontos de vantagem na liderança, o cenário é muito promissor. E não, não é milagre. É trabalho.

Desde o começo da temporada, havia quem alertava: “fiquem de olho no Napoli de Conte”. Mesmo com a ressaca emocional da temporada passada e a troca de treinador, o clube partiu de uma base sólida — o elenco que havia conquistado o título com Spalletti ainda estava lá, reforçado e mais maduro. O presidente Aurelio De Laurentiis fez sua parte: atendeu todos os pedidos de Conte e investiu pesado. Foram 150 milhões de euros em reforços, muitos dos quais indicados diretamente pelo treinador. Ou seja, o Napoli não entrou no campeonato para fazer figuração. Entrou para disputar o título — e isso ficou claro desde o início, pelo menos para quem conhece o “modus operandi” do técnico salentino.

E não adianta vir com aquela ladainha de que o time terminou em décimo na temporada anterior. Essa narrativa, Conte mesmo tratou de usar como escudo, numa estratégia que ele domina como poucos. Ele joga as expectativas para baixo, deixa todo mundo achando que vai ser só um recomeço, e quando os resultados aparecem, parece que ele realizou um feito heróico. A verdade é que ele sabia o que tinha em mãos desde o começo.

Claro que nem tudo foi perfeito. Se houve uma surpresa nessa campanha, ela veio entre fevereiro e março. O Napoli viveu um momento estranho ali, tropeçando em partidas acessíveis, sem conseguir se destacar mesmo sem compromissos europeus. Foi um período de futebol travado, pouco criativo, e com uma eliminação feia na Coppa Italia após um rodízio de elenco mal planejado. Parecia que o time não sabia aproveitar o fato de jogar apenas uma vez por semana, enquanto os rivais estavam atolados em jogos de Champions, Copa e campeonato.

Saída de Kvaratskhelia foi um erro?

Aquele Napoli parecia esquisito. Não parecia um time de Conte. E a dúvida bateu. Será que a ideia dele estava mesmo funcionando? Será que a venda do Kvaratskhelia não foi um erro grave?

O georgiano, é verdade, já não vinha brilhando como na sua primeira temporada — e parecia até desconfortável com as exigências defensivas do novo treinador. Mesmo assim, sua saída abalou mais emocionalmente do que tecnicamente. Foi aquele tipo de venda que passa a mensagem errada: “ué, não era pra brigar lá em cima? Por que vendemos nosso melhor jogador?”. Muita gente viu como um suicídio esportivo. Mas não foi.

Primeiro, porque o Napoli já tinha peças para recompor. David Neres, mesmo com algumas lesões recentes, conseguiu dar conta do recado, substituindo bem a versão apagada de Kvara que vimos até janeiro. Além disso, Conte foi encontrando alternativas: Raspadori, Spinazzola… Soluções que talvez outros técnicos não tivessem coragem de testar, mas que dentro do sistema pragmático e funcional de Conte, deram certo.

Não se trata do Napoli mais bonito dos últimos anos. Nem de longe. Não é o time encantador de Spalletti que dividia holofotes com o Manchester City pelo melhor futebol da Europa. Mas o futebol nem sempre é sobre espetáculo. Às vezes é sobre eficiência, sobre saber o caminho mais rápido até a linha de chegada. E é aí que Conte reina.

A comparação com a Inter de Inzaghi é inevitável. A equipe nerazzurra se manteve competitiva em tudo até abril, mas acabou pagando o preço. A tal da “coberta curta” apareceu. O desgaste acumulado tirou pontos importantes no campeonato, e hoje a Inter tem 15 a menos do que no mesmo período do ano passado. Ganhou em prestígio europeu, com semifinais na Coppa Italia e na Champions, mas perdeu força no cenário nacional. E isso abriu espaço para o Napoli.

No fim das contas, o campeonato italiano deste ano foi de ritmo mais lento, de um nível técnico mais baixo, e isso favoreceu um time como o de Conte. Um time que não brilha, mas não erra. Que não encanta, mas entrega. Que não balança, mas avança. É como ele mesmo costuma fazer: enquanto todos olham para os fogos de artifício dos rivais, ele constrói, em silêncio, uma estrada reta e sem curvas até o título.

Essa é a marca de Antonio Conte. Ele não te leva pelo caminho mais bonito, mas pelo mais direto. Não tem paisagem de tirar o fôlego, mas tem chegada no tempo certo. Para quem quer ganhar, ele é o guia ideal. E o Napoli entendeu isso. A torcida, talvez não tenha se apaixonado de novo como em 2023, mas está prestes a comemorar outro Scudetto. E isso, convenhamos, é o que realmente importa.

Reta final decisiva para a Napoli

Faltam só quatro jogos. Lecce, Genoa, Parma e Cagliari. Quatro adversários perfeitamente vencíveis. E um treinador que sabe como fechar campeonatos. O título está logo ali, no próximo pedágio da autostrada. E se ele vier, ninguém que tenha prestado atenção desde o começo poderá dizer que foi uma surpresa. Porque quando você contrata Antonio Conte, é exatamente isso que você está contratando: resultado.

(Foto: IMAGO / LaPresse)