O que deu errado para o Brasil na Copa do Mundo de 2026?
Futebol Copa do Mundo

O que deu errado para o Brasil na Copa do Mundo de 2026?

Pela primeira vez em 36 anos, o Brasil não chegou às quartas de final de uma Copa do Mundo. A eliminação precoce para a Noruega nas oitavas de final deixou um gosto amargo em milhões de torcedores que esperavam mais de uma seleção sempre cotada entre as favoritas. Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos da história, não conseguiu montar um time capaz de brigar pelo hexa. O que era para ser uma campanha sólida terminou em frustração e questionamentos.

O Brasil passou pela fase de grupos sem grandes sustos, mas nunca convenceu. O empate com Marrocos no estreia mostrou um time equilibrado, mas sem brilho. As vitórias por 3 a 0 contra Haiti e Escócia vieram com facilidade, sem que a equipe precisasse forçar o ritmo. Parecia que o time guardava energia para fases mais difíceis. No entanto, o confronto contra o Japão já acendeu o alerta. A virada por 2 a 1 veio apenas no segundo tempo, depois de um primeiro tempo ruim, onde os brasileiros foram dominados taticamente.

Elenco sem brilho

Olhando para o elenco de 2002, último título mundial, fica claro o quanto o futebol brasileiro perdeu em profundidade. Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos formavam um time de estrelas. Hoje, Ancelotti contava com nomes respeitáveis, mas sem o mesmo impacto coletivo. A lateral direita sofreu com lesões e falta de opções confiáveis. O meio-campo envelheceu e foi facilmente superado por times mais jovens e intensos. O ataque dependia demais de Vinicius Jr e sofreu com a ausência de Raphinha, machucado.

Casemiro, aos 34 anos, mostrou sinais de desgaste. Bruno Guimarães, apesar de bom em alguns momentos, não teve a mobilidade necessária para controlar jogos contra adversários físicos. No ataque, não havia um centroavante clássico de alto nível. Matheus Cunha teve bons momentos, mas Endrick, ainda jovem, não conseguiu decidir sozinho. A ausência de Rodrygo e Estêvão pesou. O time tinha qualidade, mas faltou equilíbrio e profundidade para aguentar uma campanha longa.

O caso Neymar

Uma das grandes polêmicas da preparação foi a convocação de Neymar. Aos 34 anos e com problemas físicos recorrentes, o craque mal jogou. Entrou apenas por 37 minutos em toda a Copa, marcando um pênalti de consolação contra a Noruega. Ancelotti insistiu na presença dele, mesmo sabendo das limitações físicas. Isso tirou espaço de opções mais jovens e em forma, como João Pedro, que viveu grande temporada no Chelsea, ou até Richarlison, que poderia dar opções diferentes no banco.

A decisão de levar Neymar acabou custando caro. Ele não contribuiu como esperado e o time sentiu falta de um atacante mais fresco e decisivo. Foi um erro que expôs as limitações do planejamento.

Lesões inoportunas

O Brasil chegou ao Mundial já com problemas. Éder Militão estava fora por lesão. Wesley, lateral direito titular, também não pôde jogar por um problema na coxa. Raphinha, um dos mais importantes no ataque, sofreu lesão muscular contra o Japão e perdeu os jogos seguintes. Lucas Paquetá sentiu a coxa e ficou fora contra a Noruega. Essas baixas forçaram Ancelotti a improvisar, escalando Danilo, de 34 anos, na lateral direita, e chamando Éderson para o meio-campo.

A falta de alternativas naturais mostrou a fragilidade do elenco. Sem esses jogadores, o time perdeu força física e criativa. As lesões não foram culpa do técnico, mas expuseram a falta de profundidade no grupo.

Chances desperdiçadas

O Brasil criou boas oportunidades ao longo da Copa, mas pecou na finalização. Contra a Noruega, desperdiçou um pênalti no início e teve várias chances claras, incluindo um gol perdido por Endrick cara a cara com o goleiro. No total, a Seleção gerou 2,61 gols esperados contra os noruegueses, mas só marcou de pênalti. Em cinco jogos, o aproveitamento de finalizações foi baixo, com 13 grandes chances perdidas.

A ineficiência custou caro. Contra o Japão, o time precisou reagir no segundo tempo. Contra a Noruega, faltou precisão nos momentos decisivos. Ancelotti tentou ser pragmático, mas o time não conseguiu transformar domínio em gols.

O Brasil precisa de mudanças

A eliminação precoce não pode ser vista apenas como azar. O Brasil precisa repensar o planejamento. A dependência de jogadores mais velhos e a falta de reposição em posições-chave ficaram evidentes. Ancelotti tem contrato, mas a CBF deve avaliar o ciclo. A geração de Vinicius Jr ainda tem muito a oferecer, mas precisa de reforços jovens e competitivos.

A Copa de 2026 mostrou que o futebol brasileiro ainda tem talento, mas falta organização e profundidade para brigar pelo título. O hexa segue distante. Agora é hora de reconstruir com inteligência, olhando para o futuro sem esquecer as lições do presente.

Foto: REUTERS.