O Palmeiras finalmente perdeu a liderança do Campeonato Brasileiro, mas ainda não perdeu o principal objetivo da temporada. Depois de passar cinco meses na primeira colocação e chegar a abrir oito pontos de vantagem, o Verdão agora aparece em segundo lugar, com 53 pontos, um atrás do Flamengo. O empate por 0 a 0 com o Botafogo, no último domingo, foi suficiente para fazer o Rubro-Negro assumir a ponta, mas está longe de representar o fim da disputa pelo título.
A questão que fica, porém, é outra: o Palmeiras “virou abóbora”? A expressão pode parecer exagerada, mas ajuda a traduzir a mudança de percepção sobre a equipe. Há pouco tempo, o time de Abel Ferreira parecia ter o campeonato sob controle. Agora, mesmo dependendo apenas de suas próprias forças, o Alviverde convive com problemas de desempenho, desperdício de oportunidades e decisões que têm impedido a equipe de transformar volume em gols.
Contra o Botafogo, isso ficou novamente evidente. O Palmeiras teve 63% de posse de bola, finalizou 17 vezes, contra 13 do adversário, e sustentou maior volume durante boa parte do jogo. Só que não conseguiu transformar essa superioridade em vantagem no placar. O empate, diante de um adversário que atravessa uma fase ruim, aumentou a sensação de que o time perdeu força justamente quando precisava mostrar capacidade para continuar na liderança.
Palmeiras controla, mas não consegue decidir
O início da partida teve um Botafogo intenso, enquanto o Palmeiras procurava explorar principalmente os lados do campo. Mesmo atuando fora de casa, a equipe de Abel conseguiu assumir o controle da posse e passou a ocupar mais o campo ofensivo. A primeira oportunidade surgiu aos sete minutos, quando Lucas Evangelista finalizou e obrigou Gabriel Batista a defender.
Aos 26 minutos, o Palmeiras voltou a ameaçar. Andreas Pereira cobrou uma falta e Arthur Cabral desviou de cabeça, mandando a bola para fora, mas muito perto do gol. No minuto seguinte, porém, o Botafogo respondeu em contra-ataque, uma das principais armas utilizadas pelo time durante a partida. Villalba ficou cara a cara com Carlos Miguel, mas tirou demais a bola e desperdiçou a chance.
O segundo tempo manteve a intensidade. O Palmeiras chegou a criar duas oportunidades logo nos primeiros minutos, em jogadas que terminaram com finalizações de Mauricio e Flaco López. Aos 11, Mauricio teve outra chance dentro da área, mas Gabriel Batista fez uma grande defesa e mandou a bola por cima do gol. O cenário se repetia: o Verdão chegava, mas não conseguia concluir as jogadas com a precisão necessária.
Jhon Arias melhora o time, mas não resolve o problema
A entrada de Jhon Arias deu mais força ao Palmeiras nos duelos individuais pelo lado esquerdo. O colombiano participou mais do jogo ofensivo e chegou a criar uma boa oportunidade aos 17 minutos, quando cruzou para Marlon Freitas finalizar de cabeça para fora.
Mesmo com o crescimento do volume ofensivo, o Palmeiras não conseguiu transformar o domínio territorial em gol. A equipe terminou com 17 finalizações, mas o problema esteve justamente na qualidade das conclusões e nas decisões tomadas no último terço do campo. É um cenário que ajuda a explicar por que o resultado acabou sendo frustrante para quem precisava vencer para continuar na liderança.
A queda de rendimento também não é algo isolado deste domingo. O Palmeiras chegou a construir uma vantagem confortável na primeira colocação, mas viu essa margem desaparecer pouco mais de cinco meses depois. Agora, o Flamengo está à frente, e a equipe paulista precisa reagir para não deixar que a perda da liderança se transforme em uma crise de confiança na reta decisiva do campeonato.

O título ainda está totalmente ao alcance
Apesar dos problemas, seria precipitado dizer que o Palmeiras deixou de ser candidato ao título. A diferença para o Flamengo é de apenas um ponto, e ainda restam 12 rodadas. Além disso, os dois concorrentes terão um confronto direto na 36ª rodada, no Nubank Parque. Ou seja, existe muito campeonato pela frente e espaço suficiente para a liderança mudar novamente para o Palmeiras.
Abel Ferreira, inclusive, não demonstra intenção de abandonar o Campeonato Brasileiro em função das outras competições. O treinador afirmou que o Palmeiras continuará disputando o Brasileirão, a Libertadores e a Copa, com o objetivo de tentar conquistar os três torneios. É uma postura diferente daquela apresentada no fim da temporada passada, quando, já perto do encerramento do Brasileiro, o português admitiu que o campeonato havia sido entregue e passou a concentrar forças na Libertadores.
Agora, a situação é outra. O Palmeiras ainda está vivo nas três frentes e tem condições de recuperar a liderança. O próprio Abel manteve o discurso de que a equipe vai disputar o Brasileirão até o fim para tentar conquistá-lo. A cobrança, naturalmente, aumenta depois de uma vantagem que chegou a ser de oito pontos, mas a tabela mostra que o cenário ainda é completamente reversível para o Palmeiras.

A resposta precisa vir dentro de campo
O próximo desafio pelo Brasileiro será justamente contra o São Paulo, no sábado, às 18h30, no Nubank Parque. Antes disso, o Palmeiras recebe a LDU, na quarta-feira, às 19h, pelo primeiro jogo das quartas de final da Libertadores. A sequência será importante para medir como a equipe vai reagir diante de uma agenda decisiva.
Neste momento, talvez a principal preocupação do Palmeiras não seja ter perdido a liderança, mas ter deixado de apresentar o futebol que justificou a vantagem construída anteriormente. O Palmeiras ainda tem números e pontos suficientes para brigar pelo título, além de um confronto direto contra o Flamengo que pode ser decisivo mais adiante.
Créditos: Lance! – Reprodução



