O nome de Paulo Costa, o “Borrachinha”, está ganhando cada vez mais peso na corrida pelo cinturão dos meio-pesados do UFC. Nos últimos dias, o comentarista e ex-lutador peruano Kenny Florian defendeu que o brasileiro deveria disputar o título contra o atual campeão, Carlos Ulberg. A opinião não é nenhum absurdo. Outros nomes importantes do MMA também enxergam o brasileiro como um candidato legítimo a uma oportunidade pelo cinturão.
Enquanto isso, no UFC Abu Dhabi, Magomed Ankalaev confirmou o favoritismo ao derrotar Bogdan Guskov e manteve a posição de número 1 do ranking da categoria. Em tese, o russo aparece à frente de Paulo Costa na fila para enfrentar Ulberg. Então por que Borrachinha vem ganhando tanto apelo e pode sonhar com uma disputa de título? A resposta passa por fatores esportivos, comerciais e pelo momento vivido pela divisão.
Paulo Costa tem estilo agressivo e apelo junto ao público
Um dos principais argumentos favoráveis a Paulo Costa está longe de ser apenas o desempenho dentro do octógono. O brasileiro é um dos lutadores mais populares da categoria, movimenta redes sociais, cria rivalidades e desperta interesse do público antes mesmo de entrar para lutar.
Kenny Florian resumiu bem esse cenário ao afirmar que Paulo Costa “é um lutador emocionante” e que sempre entrega entretenimento quando compete. Para o ex-lutador, o brasileiro merece uma oportunidade justamente porque consegue atrair a atenção dos fãs e tornar qualquer disputa muito mais relevante comercialmente.
Esse aspecto pesa bastante nas decisões do UFC. A organização sempre valorizou atletas capazes de vender grandes eventos, e Borrachinha se encaixa perfeitamente nesse perfil. Seu estilo ofensivo, a pressão constante e a busca pelo nocaute fazem dele um competidor que dificilmente protagoniza lutas mornas.
O contraste com Ankalaev ficou evidente no UFC Abu Dhabi. O russo venceu Guskov de forma dominante e confirmou o favoritismo, mas fez uma atuação considerada protocolar, alternando controle no solo e administração do combate até encontrar o nocaute nos minutos finais. Tecnicamente foi eficiente, porém sem grande empolgação para os fãs.
Já Paulo Costa costuma construir suas vitórias apostando na agressividade desde os primeiros minutos. Mesmo quando corre riscos, mantém uma postura ofensiva que agrada ao público e aumenta seu valor para o Ultimate.
Lesão de Ulberg abre caminho para um cinturão interino
Outro fator que fortalece Paulo Costa é o cenário da própria divisão. Carlos Ulberg sofreu uma grave lesão no joelho e deve retornar apenas em meados de 2027. Diante desse longo período de recuperação, Dana White já admitiu a possibilidade de o UFC criar um cinturão interino para manter a categoria em atividade.
Caso isso realmente aconteça, Paulo Costa surge como um dos principais candidatos para enfrentar Ankalaev. Além da rivalidade construída recentemente nas entrevistas e redes sociais, o confronto reúne ingredientes esportivos e comerciais capazes de transformar a luta em uma das maiores atrações da divisão. O próprio Ankalaev já declarou que aceitaria enfrentar o brasileiro enquanto aguarda a recuperação de Ulberg.
A categoria ainda conta com nomes consagrados, mas muitos vivem um momento de baixa. Jiri Prochazka tenta se recuperar de derrotas recentes, Jamahal Hill perdeu força na disputa pelo topo, Khalil Rountree enfrenta problemas físicos e outros veteranos já não atravessam a melhor fase. Esse cenário reduz a quantidade de candidatos incontestáveis ao cinturão e aumenta o espaço para novos protagonistas.
Nesse contexto, Paulo Costa reúne características difíceis de encontrar em outro atleta da divisão. Ele chega embalado, desperta interesse do público, vende lutas, protagoniza rivalidades e ainda pode oferecer um duelo de alto impacto contra Ankalaev. Se o cinturão interino realmente sair do papel, o brasileiro tem motivos concretos para acreditar que sua chance pelo título dos meio-pesados está mais próxima do que nunca.
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