Com raça e muita, mas muita força de vontade, o Brasil enfim voltou a vencer nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, mas ainda não convenceu o suficiente para mostrar que tem futebol em busca do tão sonhado hexacampeonato mundial. O 2 a 1 sobre a Colômbia na noite da última quinta no Mané Garrincha trouxe à Amarelinha um alívio após empates indigestos contra Uruguai e Equador na Data Fifa passada, entretanto, aponta que o grupo de Dorival Júnior ainda tem pontos a acertar, assim como tem fatos a enaltecer, e iremos trazer neste artigo, visando o duro confronto seguinte, contra a Argentina.

Os pontos positivos do Brasil diante da Colômbia
A postura brasileira no início da partida de ontem foi um dos melhores começos de jogo da Seleção sob o comando de Dorival Júnior, que possuía a própria Colômbia como uma das suas “criptonitas”, depois de um empate indigesto na última Copa América. A tabelinha entre Vinicius Junior e Raphinha nos dois gols foi uma grande menção ao desempenho que ambos vem tendo no futebol espanhol, defendendo Real Madrid e Barcelona.
Na primeira etapa, o atual melhor do mundo sofreu o pênalti que foi cobrado pelo agora candidatíssimo ao prêmio dessa temporada, e recebeu uma retribuição e tanto para amenizar o desempenho que vinha apresentando enquanto o placar apontava 1 a 1, e deixava o Brasil numa amarga sexta colocação, um fantasma para um país tão tradicional em Mundiais. O individualismo e a coletividade de Vini e Raphinha foram decisivos para o resultado conquistado diante de 70 mil espectadores no Mané Garrincha, que acompanhara de maneira tensa uma seleção colombiana cada vez mais incisiva, e disposta a tudo para sair com a vitória.
Além do dueto Vini Jr. e Raphinha, podemos destacar também duas das mudanças realizadas por Dorival no decorrer do segundo tempo, que na visão deste que vos escreve, demorou a se realizar, diante da pressão de Los Cafeteros após o gol de Luis Díaz e uma quase virada no marcador ainda na etapa inicial. As entradas de Wesley e Matheus Cunha no onze do Brasil foi um achado e tanto para a equipe se reencontrar defensiva e ofensivamente, e por pouco, não deixou o placar se acentuar conforme esperávamos. Quem sabe o gol ou uma assistência de ambos esteja guardado para o jogo seguinte, em que certamente o primeiro deve ser uma referência na contenção, e Cunha um articulador.

Os pontos negativos do Brasil e o que pode mudar
Disposto a eliminar o fantasma do retrospecto recente de uma derrota e um empate contra a atual seleção colombiana, considerada uma das melhores gerações do futebol do país, exportando jogadores a rodo para fora da América do Sul, o Brasil de Dorival começou ousado, mas aos poucos foi caindo de produção e deixando Los Cafeteros se encontrarem no jogo, que por detalhes não terminou em uma nova frustração. O meio-campo sentiu a ausência de Gerson após este se machucar antes dos 30 minutos, e dar lugar a Joelinton, cria do Sport e atualmente vivendo um momento histórico no Newcastle, que infelizmente não deu liga no jogo de ontem.
Além de Joelinton, outra peça que vive um momento positivo no futebol da Inglaterra, porém não correspondeu conforme o esperado na partida contra a Colômbia foi o atacante João Pedro, do Brighton. Com o peso da camisa 9 da seleção canarinha, o jovem atacante iniciou como titular pela primeira vez na equipe, e demonstrou ter sentido a responsabilidade que o número ostenta, tendo dado o lugar para Matheus Cunha, que rapidamente se prontificou de agir para a reação brasileira conquistada no final do duelo. Em um jogo como o de ontem, não se pode dar bobeira, pois esta posição exige e muito, e pode custar sua permanência no ciclo rumo a 2026.
Deixando de lado as citações individuais de quem se saiu mal na partida, há de se reconhecer também a falha geral do coletivo brasileiro em momentos como a vantagem de 1 a 0 no placar, em que o time relaxou e deixou os colombianos agirem como bem entendessem. O empate de Luis Díaz no crepúsculo do primeiro tempo foi uma ducha de água fria nos planos da seleção, e nos fez recordar o duelo passado pelas Eliminatórias, em que o atacante do Liverpool foi nosso antagonista e marcou os dois gols na virada da Colômbia em Barranquilla.
Além disso, temos de chamar a atenção também para a quantidade de chances desperdiçadas pelo Brasil após se reencontrar no jogo, e o nervosismo com o qual alguns jogadores agiram ao cair na “catimba” adversária, que via no empate um resultado bom, ao contrário de nosso país. Os comandados de Néstor Lorenzo bem que tentaram segurar o resultado e explorar com ousadia as brechas deixadas pelos donos da casa, mas que aos poucos foi solucionada, após a entrada de Wesley.
Para o jogo da próxima terça-feira, diante da Argentina, fica o desafio de entrar com a mente fria e principalmente, focada no jogo e nada mais, pois de agora em diante, restam apenas cinco partidas, ou melhor, cinco finais, e a Seleção precisa mostrar para o que realmente veio, se quiser voltar a ser respeitada dentro e fora de seu continente. A vitória de ontem, apesar de suada, traz a confiança necessária para que o grupo se comprometa a tombar os Hermanos em casa, e se aproximar de uma vaga direta para o próximo Mundial, exorcizando o fantasma da repescagem, e do futebol burocrático, que infelizmente se tornou uma grande rotina.
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
