Liverpool x Chelsea
Futebol Premier League

Por que o estilo de jogo do Liverpool não é sustentável e deve ser mudado rapidamente?

O Liverpool sofreu a sua terceira derrota seguida neste sábado (4) ao ser derrotado pelo Chelsea por 2 a 1 pela Premier League. Após um começo de temporada em que a equipe venceu seus sete primeiros jogos, algumas coisas preocupavam, principalmente na defesa, e culminaram com a sequência ruim que o time está passando quando seu ataque parou de ser explosivo.

Apesar do começo bom, o Liverpool é um time que não é sustentável. Foram muitas vitórias na “bacia das almas” sem apresentar um futebol seguro ou até bom em certos momentos. Além disso, a defesa está sendo um problema. Apesar de os números não serem ruins quando se analisa o contexto da liga inteira, a equipe está abaixo em vários quesitos defensivos, como gols esperados e gols esperados por chute, do que os seus principais rivais pelo título.

Tudo isso se dá por um estilo de jogo que não é sustentável e tem problemas latentes contra times que jogam na transição. Além disso, o encaixe das principais contratações do time na temporada ainda está sendo um problema para Arne Slot. Neste texto, vamos destrinchar os principais problemas do estilo de jogo do Liverpool.

Um início enganoso

Os números iniciais do Liverpool sob Slot enganavam. Com 21 pontos em sete jogos e um ataque que parecia imparável, o time liderava a Premier League e dava sinais de continuidade após o título anterior. Mas por trás do aproveitamento perfeito, havia alertas claros.

Em vitórias como o 3 a 2 sobre o Newcastle e o 2 a 1 diante do Bournemouth, os Reds chegaram a abrir vantagem de dois gols, mas perderam o controle da partida, permitindo reações perigosas dos adversários. A equipe vencia, mas não convencia — e dependia demais de lampejos ofensivos para mascarar a instabilidade defensiva.

Esse padrão se repetiu até que o desempenho despencou. As falhas que pareciam pontuais se tornaram estruturais: desorganização na transição defensiva, buracos pelos lados do campo e incapacidade de controlar o ritmo de jogo quando o adversário acelerava.

A fragilidade defensiva e o problema do lado direito

Hoje, o Liverpool soma nove gols sofridos em sete rodadas, um número que, isoladamente, não é catastrófico, mas que preocupa pelo contexto. O time ocupa o meio da tabela em métricas como xGA (gols esperados contra) e gols esperados por chute sofrido, indicadores que medem a qualidade das chances concedidas — e está atrás de rivais diretos como Arsenal e Manchester City.

Grande parte dessas falhas vem do lado direito da defesa, onde Mohamed Salah tem sido peça-chave — mas de forma negativa. O egípcio, que segue com liberdade para não recompor defensivamente, deixa espaço nas costas, e o time não tem conseguido compensar essa cobertura.

Em Stamford Bridge, por exemplo, 39% das investidas do Chelsea vieram exatamente por esse setor. O lateral Marc Cucurella explorou com facilidade as costas de Salah, criando desequilíbrios constantes. A cena do segundo gol londrino, com o egípcio caminhando enquanto Cucurella disparava livre até a área, virou símbolo da vulnerabilidade tática dos Reds.

A escolha de Slot é compreensível em teoria — dar liberdade ao principal goleador para poupar energia e acelerar contra-ataques —, mas a execução vem falhando. Jeremie Frimpong, Conor Bradley e até Dominik Szoboszlai, improvisado na lateral, têm sofrido em situações de 2 contra 1, sem cobertura adequada do meio-campo.

Um Liverpool desequilibrado

Se o lado direito é um foco visível de problemas, o meio-campo é o coração do colapso. Na ausência de Ryan Gravenberch e Alexis Mac Allister em diferentes momentos da temporada, o Liverpool perdeu sua capacidade de controlar a posse e ditar o ritmo.

Slot construiu sua reputação no Feyenoord por comandar equipes que dominavam o jogo pela bola e pela compactação. Mas, em Anfield, essa filosofia parece estar começando a deteriorar. O time alterna momentos de pressão intensa com lapsos de passividade, e quando perde a bola, o espaçamento entre linhas é grande o suficiente para ser punido.

Com um ataque que não consegue manter a bola por longos períodos, a defesa é constantemente exposta. Contra o Chelsea, o Liverpool terminou com xG ofensivo de 0.72 contra 1.35 dos Blues — números que traduzem uma equipe menos criativa e mais vulnerável.

A perda de controle e o contraste com o ano anterior

O Liverpool de Slot em 2024/25 foi celebrado por recuperar o controle que havia se perdido nos últimos anos de Jürgen Klopp. A posse era mais paciente, os jogos pareciam mais sob domínio. Hoje, esse traço desapareceu.

Nos últimos três jogos, o Liverpool terminou todos com menor tempo de posse de bola que o adversário e mais perdas em zonas perigosas. O resultado é um time que parece “caótico”, como definiu a imprensa inglesa após o duelo com o Chelsea — um Liverpool que corre, mas não pensa, e que ataca com pressa, mas defende com lentidão.

O técnico holandês reconheceu após a derrota que “os detalhes não estão a favor do time neste momento”, mas há mais que azar em jogo. As novas peças ainda não se encaixaram completamente. Florian Wirtz, Alexander Isak e Hugo Ekitike ainda parecem desconectados entre si, e a falta de química entre os setores é evidente.

Há, porém, razões para acreditar que a crise é passageira. Slot é um treinador detalhista, e o Liverpool segue a apenas um ponto do líder Arsenal. A tendência é que, com o tempo e o ganho físico dos reforços — especialmente dos que perderam pré-temporada —, a equipe recupere parte da consistência.

Mas o alerta está dado: o estilo atual não é sustentável. O time depende demais da inspiração ofensiva e carece de estrutura para resistir quando o ataque falha. Se quiser continuar competindo pelo título, Slot precisará reencontrar o equilíbrio que transformou o Liverpool em uma máquina de pontos no passado.

(Foto: David Rawcliffe/Propaganda)